A pandemia do politicamente correto - Revista Oeste

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A pandemia do politicamente correto
Enquanto bilhões de pessoas lutam para sobreviver ao vírus e ao colapso econômico, ativistas turbinam a guerra cultural
10 jul 2020, 08:33

Pense numa situação absolutamente prosaica: comprar uma lata de tinta. Pode haver aí algum risco de ofender alguém? Nos tempos estranhos em que vivemos, em que o “politicamente correto” se dissemina como vírus fora de controle, pode. Segundo revelou recentemente o executivo de uma tradicional marca do produto, os nomes de certas cores como “pele de pêssego” e “pele bronzeada” não devem mais ser usados pela empresa porque teriam viés racista. O disparate é apenas um exemplo das sandices que vêm se multiplicando pelo mundo em função dos esforços de ativistas para “neutralizar” o vocabulário. Ou seja, eliminar palavras que possam ser percebidas, ainda que remotamente, como ofensivas a membros de minorias — de gênero, raça, origem étnica, idade, credo ou portadores de deficiências. E como essas categorias não cessam de se fragmentar, à medida que múltiplas novas “identidades” são reivindicadas, assiste-se a uma ofensiva delirante contra um dos pilares básicos da civilização: a língua. O instrumento de comunicação por excelência que nos diferencia como humanos, base da cultura e da sociedade.

Em uma iniciativa na mesma linha, empresas de tecnologia decidiram também eliminar, semanas atrás, termos supostamente racistas do jargão empregado por seus profissionais — como master e slave, que identificam sistemas nos quais um deles controla derivados ou cópias. E aqui no Brasil anda cada vez mais acirrada a polêmica em certos meios sobre a melhor maneira de abolir eventuais traços discriminatórios do idioma. De início, resolveu-se substituir os pronomes ele e ela pelos neologismos todxs ou [email protected], mas a fórmula tem sido criticada porque estes não são reconhecidos por softwares de leitura de tela, o que discrimina disléxicos e cegos. Prevaleceram então os extremistas, que propõem praticamente um novo idioma, no qual o a e o dos artigos e pronomes masculino e feminino são trocados por e ou u, a fim de abranger todos os chamados gêneros não binários — um amplo e crescente espectro de variantes, como atesta a ampliação da antiga sigla GLS para GLBTQ+ ou LGBTTTQQIAA.

Nessa “neolinguagem inclusiva”, que alguns defendem seja adotada como norma-padrão, dir-se-ia, por exemplo: “elu é muito bonite”, em vez de “ela é muito bonita”; e “todes gostam de irmén e du amigue delu”, em vez de todos gostam da irmã e do amigo dele”. Seriam incorporados também neologismos estapafúrdios — como o malfadado “presidenta”, de triste memória — e suprimidos todos os vocábulos que possam ter conotações negativas por sua origem etimológica, a exemplo de denegrir, judiar e escravizar. Não se trata, portanto, de abolir palavrões ou impropérios. E quem poderia ser contra esforços legítimos para acabar com incivilidades e práticas de discriminação? O objetivo declarado é “purificar” radicalmente o discurso de qualquer palavra que possa ofender a alguém. Parece absurdo? Quando se abre a possibilidade de qualquer um reinventar o idioma, reescrever obras artísticas e policiar a cultura a pretexto de defender os direitos das minorias, entra-se inapelavelmente num terreno perigoso.

Tenta-se apagar ou reescrever a história para adequá-la à ótica das ideologias anticapitalistas

Essa cruzada para homogeneizar o pensamento e impor à sociedade um novo cânone de valores não é novidade. Ela vem ganhando terreno há décadas, fomentada sobretudo nos meios acadêmicos, artísticos e intelectuais, no contexto da crescente polarização política entre direita e esquerda. Ou melhor, entre conservadores e liberais e os autointitulados progressistas — que agora se identificam também pelo neologismo wokes, que pretende designar os “despertos” e conscientes, que se consideram os únicos defensores da justiça social e do bem comum. Mas o movimento ganhou voltagem após as recentes manifestações antirracistas na forma de uma ampla ofensiva contra símbolos e valores da cultura ocidental: ataques a personagens e monumentos históricos, substituição de nomes de instituições e lugares, censura a obras literárias e artísticas consideradas inadequadas. Uma tentativa, em suma, de apagar ou reescrever a história, à moda do regime stalinista, para adequá-la à ótica das ideologias anticapitalistas. No processo, “cancela-se” ou condena-se ao ostracismo quem ouse contestar tais práticas e defender sua independência de pensamento.

O radicalismo persecutório chegou a tal ponto que um grupo de 153 intelectuais de renome publicou, na semana passada, uma carta na cultuada revista norte-americana Harper’s para condenar seus excessos. “A livre troca de informações e ideias, que é a força vital de uma sociedade liberal, está diariamente se tornando mais restrita”, alertaram os signatários, que incluem até mesmo alguns marxistas, como o filósofo-celebridade Noam Chomsky, e ativistas históricos como a feminista Gloria Steinem. Eles lamentam ainda “a intolerância a pontos de vista opostos, uma moda de promover a vergonha e o ostracismo públicos, e a tendência de reduzir questões políticas complexas a certezas morais cegas”.

Essa espécie de nova religião busca o controle das instituições culturais

As investidas do “politicamente correto” em várias frentes, da educação ao teatro, passando pela música e o humor, não respeitam fronteiras. Na Europa, feministas alteraram tempos atrás o libreto da ópera Carmen, de Bizet, para que a protagonista mate seu amante, Don José, em vez de ser assassinada por ele. Já na Austrália, uma apresentação da peça perdeu patrocinadores porque se alegou que as cenas das trabalhadoras da fábrica de charutos constituiriam um incentivo ao fumo. E, entre nós, nem o grande Monteiro Lobato, cuja obra ajudou várias gerações de brasileiros a pensar sobre o mundo, foi poupado da acusação de racista. Outra indicação de que o movimento abandonou de vez o âmbito do razoável é o combate à chamada “apropriação cultural” — a proibição de membros de determinada raça adotarem símbolos, usos e práticas de outras. Em nome desse credo, insultam-se mulheres brancas que usam turbante no estilo africano. E proíbem-se atrizes mulatas de interpretar personagens negras, como ocorreu, no Brasil, durante a montagem de um musical em homenagem à sambista carioca Ivone Lara.

“O politicamente correto é uma forma de censura que avança de forma sorrateira, sem se assumir como tal, em nome da defesa do direito à fala das minorias”, aponta a pesquisadora e crítica cultural francesa Isabelle Barbéris, autora do livro LArt du Politiquement Correct (A Arte do Politicamente Correto), publicado no ano passado e ainda sem tradução no Brasil. Ela destaca o óbvio despropósito da tal “apropriação cultural”, considerando-se que toda cultura incorpora elementos de outras. E lembra que a arte contraria sua natureza sempre que é instrumentalizada para a defesa de causas políticas, reduzindo o mundo a uma divisão maniqueísta entre o bem e o mal.

Por trás dessas disputas aparentemente periféricas, trava-se na verdade uma guerra cultural. Cujo objetivo evidente, embora não declarado, é impor às maiorias silenciosas a concepção ideológica de mundo de minorias ativistas supostamente mais esclarecidas. Para o analista político norte-americano David Brook, essa espécie de nova religião busca o controle das instituições culturais a partir de uma ideia simplificadora: a de que a história é essencialmente uma disputa entre grupos, sendo alguns deles opressores, e outros, oprimidos. “Eles acreditam que se mudarem as estruturas culturais mudarão a sociedade.” Alegadamente em nome de um mundo mais justo e na base do grito, passando à margem das urnas e do eleitorado.

O “politicamente correto” não se mostra eficaz no combate à discriminação que preconiza

Já na visão afiada do filósofo francês Luc Ferry, a guerra cultural configura uma migração da luta entre direita e esquerda, travada historicamente no campo da política e de questões substantivas, para o território mais rarefeito da cultura e do comportamento. Desnorteada depois que a queda do Muro de Berlim escancarou o colapso dos regimes comunistas e a caducidade das teses marxistas — como a luta de classes como motor da história ou o papel de vanguarda do proletariado —, a esquerda teria abraçado as causas comportamentais, das identidades e do ambientalismo catastrofista para continuar seu embate contra o capitalismo com lógica e discurso atualizados. Nesse sentido, o marxismo, que surgiu em nome da defesa das massas, teria se reduzido, de forma paradoxal, a porta-voz das minorias.

A boa notícia é que, após dominar hegemonicamente o debate intelectual nas últimas décadas, esse ideário começa, finalmente, a ser contestado de forma mais contundente. Os críticos chamam atenção para o fato de que, apesar de toda a estridência, o “politicamente correto” não se mostra eficaz para avançar, na prática, os objetivos de combate à discriminação que preconiza. Pois em vez de pôr o foco na ação política concreta, mais árdua e laboriosa, prefere atuar no palco performático da mídia. Ao criar polêmicas irrelevantes e muitas vezes risíveis, acaba também por deslegitimar e prejudicar a justa causa contra a discriminação. Porém seu ponto mais vulnerável é a natureza totalitária, já que está cada vez mais difícil tolerar, a esta altura da história, a perseguição contra opiniões políticas divergentes. Em especial nos Estados Unidos, onde a tradição de defesa da liberdade de opinião e expressão, garantida pela Primeira Emenda da Constituição, resiste inabalável.

Um dos marcos dessa tradição é a célebre decisão da Suprema Corte no polêmico processo Hustler versus Falwell, de 1987. Tratava-se da defesa do publisher da revista pornográfica, Larry Flynt, contra uma ação movida pelo então poderoso tele-evangelista Jerry Falwell, a propósito da publicação de uma paródia que sugeria, de forma ambígua, relações suspeitas entre o pastor e sua mãe. Apesar do teor escabroso da matéria e do agravante da folha corrida de Flynt, já condenado por outros crimes, a Corte não titubeou. Votou de forma unânime em favor do pornógrafo e de seu direito à liberdade de expressão. “O fato de a sociedade considerar um discurso ofensivo não é razão suficiente para suprimi-lo”, justificou o presidente da Corte à época, juiz William Rehnquist.

Leia mais sobre “cancelamento cultural” no artigo “Hoje é o passado do futuro”

Mais sobre o politicamente correto na matéria “Feminismo: o novo machismo”


Selma Santa Cruz foi editora e correspondente internacional do jornal O Estado de S. Paulo e da  revista Veja, na França e nos Estados Unidos, antes de se dedicar à comunicação corporativa como sócia-diretora da TV1, grupo de agências especializadas em marketing digital, conteúdo, live marketing e relações públicas. É mestre em comunicação pela USP e estudante permanente da História.

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33 Comentários

  1. Excelente

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    • Vivemos um espécie de dislexia moral. O ativismo fundamentalista tem que ser contrariado.

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  2. Querem nos obrigar a ler por suas cartilhas de todas as formas. Não me subjugo e abomino o politicamente correto. Às favas com isso.

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    • Sempre excelente, Selma! Oxalá a tolerância da maioria silenciosa com as minorias estridentes tenha acabado e essa turma comece a ser “cancelada”. Como se sabe, é princípio básico da Física que a cada ação corresponde uma reação na mesma medida. Abraço!

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      • Me parece que a ‘NovaLingua’ do Big Fellow, de Orwell em 1984, já tem mais da metade de seu volume escrito .. e não passará de 200 páginas… Fim da Cultura e da Humanidade pelas mãos destes incautos? Deixaremos?

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    • A diferença entre o “politicamente correto” e o “politicamente errado” depende de quem fala e de quem ouve. Isso é o mantra das minorias sem um discurso consistente.

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    • Excelente texto. Assinei a Revista Oeste por um ano e a cada edição fico mais feliz com o conteúdo corajoso que trazem a pauta. Parabéns!

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    • Tem sido um árduo caminho minha adaptação ao currículo nacional e sua implementação na rede pública. O politicamente correto e seu viés é mais importante que o conhecimento e a aprendizagem. A escola parece mais um comitê que um centro de ensino acadêmico.

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  3. Obrigada pelo texto! Salve a lucidez! Ainda há esperança…

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  4. Parabéns! Excelente texto!

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  5. Selma. Grato pelo alerta. Estou com medo de dormir hoje!

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  6. Tem que se acabar com essa praga! Chega a ser nojento o jeito de intimidação.

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  7. Belo texto.

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  8. Sempre pensei que esses bandos do politicamente correto são aquele tipo de gente que há muito já passaram da fase de luta pela sobrevivência. Não têm com o que se preocupar com isso. Do contrário não lhes sobraria tempo para tanta frescura. Qualquer um pode inventar uma palavra e se ela pegar vai pro dicionário. E daí? No livro “A insustentável leveza do ser”, pelo que entendi, o autor insinua que até a felicidade pode se tornar um fardo para nós: chega um momento em que desejamos e muito voltar ao comum geral. Não suportamos mais tanta vida boa. O que dizer então de uma ideologia? Esse pessoal não suporta a si mesmo, não suporta o peso de suas ideologias e parte pra infernizar a vida de todo mundo. Se querem mudar as formações de nossa língua que mais lhes convêm, porque não partem pra cima da Matemática também? Seriam capazes de mudar o 3, o 5 ou o 7 por exemplo? Levariam certamente 1000 anos. Não dá pra esperar.

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  9. Otimx textu! Essxs esquerdistus são mesmu imprestáveis! Temos que boicotar peças de teatro e obras de arte desses malucxs!

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    • O debate é excelente está na ordem do dia, e
      acredito que vai melhorar e higienizar a
      o ambiente da hipocrisia do politicamente correto. Deixo como dica uma fórmula simples para aqueles que querem ler os clássicos da literatura ou da filosofia: evitem comprar edições recentes dos clássicos ou prestem muita atenção nos tradutores e revisores, eles podem desvirtuar conceitos, alterar textos, adaptá-los ao politicamente correto, incluindo notas explicativas que não explicam nada, apenas reforçam seus conceitos e ideias “politicamente corretas”, isso já foi feito no Brasil com Machado de Assis, Monteiro Lobato e outros escritores. Portanto, gastem menos dinheiro, vão aos sebos e comprem as edições antigas. No caso de Lobato as edições da Companhia Editora Nacional aí o risco é zero.

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  10. Excelente texto!

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  11. Você é maravilhosa, Selma! Obrigado por existir

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  12. Selma, talvez um dos seus melhores artigos: excelente análise e definição do momento “cultural” que estamos vivendo.

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  13. Devemos respeitar as minorias, mas quem manda é a maioria. O resto é mimimi de perdedor. Está um saco este tal de politicamente correto.

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  14. Excelente texto!

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  15. Com todo o respeito às minorias, pois todos têm direito a voz, mas esse negócio de politicamente correto é irritante. Uma coisa é defender causas com argumentação farta e inteligente; outra é essa imposição às maiorias de valores restritos de minorias barulhentas.

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  16. Já passou da hora de colocar esse politicamente correto no seu devido lugar, ou seja, na lata de lixo da história … Bando de idiotas recalcados …

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  17. Tudo acaba em dinheiro. Os grandes times de basquete nos EUA são financiado por brancos ou negros? Se houvesse tanto racismo o basquete norteamericano seria um esportezinho sem grandes financiadores. Todos os amantes do esporte não estão lá para gritar e protestar.

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    • Bem pensado, Luiz.

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  18. Belo texto! A revista realmente está muito diferenciada!

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  19. Parabéns, texto excelente. Em tempo, gostaria de solicitar que jornalistas como os dessa ilustre Revista se organizassem para a formação de uma startup de fact checking para fazer frente a algumas aberrações que estão surgindo nessa seara. Mais uma vez, todas as agências estão na mão da esquerda. Assim fica muito fácil perceber quais matérias serão carimbadas como falsas.

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    • concordo 100% com a proposta da Renata Alcione de Faria de criar uma fact checking conservadora.

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  20. Ótima matéria, parabéns.

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  21. Como é bom ter o que ler de novo. Cada texto da Revista Oeste é um alento para aqueles que não terceirizaram o seu senso crítico e não aceitam a camisa de força do politicamente correto. Minha dúvida é se o politicamente correto é uma obra da esquerda ou se ela se apoderou dele como bandeira, por falta de outras, e com o apoio do capitalismo globalista, que também lucra com a homogenização do indivíduo (submetido à ideologia do politicamente correto) que se transforma assim num consumidor padrão.Não é atoa que o maiores capitalistas financiam Ongs do politicamente correto, todas de esquerda. Casamento de interesses.

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    • Muito pertinente o comentário da Danuza. Em minha opinião essa complacência ou apoio do capitalismo ao politicamente correto acontece por medo, já que tais ideias são amplamente disseminadas pelos esquerdistas que dominam as instituições culturais, as artes e os meios de comunicação. A massa de consumidores, geralmente sem condições de discernimento, acaba sendo levada de roldão. Com medo de perder consumidores, os capitalistas afagam o politicamente correto, pois, sim, lucram com a padronização. Mas essa deformação do pensamento crítico é mesmo uma obra da esquerda, definindo essa posição política em seu nascedouro (ler Jean-Jacques Rousseau é dar de cara com o militante esquerdista número 1).

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      • Interessante comentário.

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  22. Politicamente correto é o câncer desse século, e quem o defende merece o ostracismo. Coisa mimezenta do escambal.

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