A verdade por trás dos números da covid-19 - Revista Oeste

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A verdade por trás dos números da covid-19
Estatísticas desencontradas e falta de critérios na consolidação de dados atrapalham a gestão pública e o dia a dia de empresas e cidadãos
25 jun 2020, 08:12

O coronavírus expôs uma endemia brasileira: a precariedade na produção de estatísticas. Dados imprecisos e com atraso geram informações distorcidas para quem precisa tomar decisões importantes. Dirigentes públicos, empresários, executivos e mesmo cidadãos comuns ficam frequentemente perdidos frente aos números. Especialistas chegam a utilizar expressões como “apagão de dados” e “voo cego” para descrever a situação pela qual passa o país. Enquanto a maior parte do Brasil ainda caminha no escuro, medidas autoritárias e de isolamento severas são impostas à população. Políticos e “gestores” de vários Estados afirmam que suas decisões são amparadas pelo rigor científico, embora não exista a mais remota comprovação disso.

O cientificismo usado para justificar o #ficaemcasa escancara uma realidade: há mais dúvidas do que certezas sobre a pandemia, e a própria ciência não sabe o que fazer diante do inimigo desconhecido. Teses sobre isolamento, contaminação, vacina e medicamentos são defendidas a todo instante e desacreditadas na semana seguinte, com a mesma rapidez com que são revistas medidas que impactam a vida de todos.

Notavelmente ilustrativo é o caso da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para boa parte da imprensa e para quem decide se você pode ou não sair de casa, a entidade é considerada autoridade máxima. Só que, desde a chegada do vírus chinês, o que se viu foi uma sucessão de trapalhadas por parte da OMS que só geram descrédito e desinformação em escala global. Para ficar só nos últimos acontecimentos, de modo a não cansar o leitor, em 8 de junho a médica-chefe da entidade, a epidemiologista norte-americana Maria Van Kerkhov, veio a público dizer que a transmissão do coronavírus a partir de assintomáticos era “muito rara”. Um dia depois, a OMS voltou atrás. “Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto”, disse o diretor de emergências da organização, Michael Ryan.

No caso da revista britânica The Lancet, a questão foi em torno do uso da hidroxicloroquina. Em 22 de maio, a revista publicou um estudo sem comprovação científica que indicava a ineficácia do uso da medicação em fase hospitalar, ou seja, no estágio mais avançado da covid-19. Menos de duas semanas depois, a publicação emitiu nota de retratação dos autores do estudo. Informou que, após auditoria independente dos dados, já não “poderiam mais ter certeza da veracidade do material analisado e, portanto, dos resultados obtidos”.

Outro exemplo foi o polêmico estudo do Imperial College London, divulgado em março, que prognosticou nada menos do que até meio milhão de mortes no Reino Unido caso o governo do primeiro-ministro Boris Johnson não abandonasse sua estratégia flexível de combate à pandemia. Pouco depois, o principal responsável pela previsão, o epidemiologista Neil Ferguson, admitiu a uma comissão do Parlamento britânico que novos dados o teriam induzido a modificar os números originais do estudo — que ele acabou finalmente baixando para menos de 20 mil mortes no Reino Unido.

A  observação dos fatos mostra o nível de incerteza em torno da pandemia — coisa que raríssimas autoridades são capazes de reconhecer. “Nos centros mais avançados da medicina e da pesquisa mundial, os cientistas, com todo o trabalho e os esforços que vêm fazendo, admitem que a ciência ainda não entende a covid-19”, escreveu o colunista J. R. Guzzo em recente artigo para a Revista Oeste.

Leia o artigo de J. R. Guzzo

Diante da imprecisão dos exercícios de futurologia que pouco contribuem para o debate, e em meio à tremenda confusão com as estatísticas, Oeste reuniu algumas considerações e dados sobre a pandemia:

  • Atraso nas notificações de morte no país

Desde o início da pandemia no Brasil, a divulgação do número de mortes pelo Ministério da Saúde indica os registros de óbitos naquele dia, e não as mortes ocorridas no dia, o que gera uma enorme confusão. Além de haver atraso entre a comunicação do registro da morte do paciente e o envio da informação às autoridades competentes, muitos dos laboratórios que processam os testes de covid-19 não funcionam nos fins de semana. Portanto, o dado real pode chegar com sete a quinze dias de atraso. Os números oficiais da pandemia apresentam especificidades em relação aos dias da semana — nos domingos e segundas, por exemplo, os registros diários tendem a cair. O médico cardiologista Juliano Fernandes de Lara, formado pela Unicamp, com doutorado na FMUSP e MBA em Gestão de Sistemas de Saúde pela FGV-RJ, tem feito um trabalho de cruzamento e análise dos dados sobre a covid-19. Fernandes explica a razão pela qual as terças-feiras têm apresentado um pico em relação aos outros dias. “Os números de mortos do fim de semana e também da segunda-feira ficam represados, acabam acumulando e elevam os números da terça-feira”, diz.

No eixo horizontal, os dias indicam a terça-feira de cada semana e mostram o pico de mortes. A linha vermelha do gráfico é a média variável das semanas de epidemia. Neste caso, em que são consideradas as mortes acumuladas no período e não as mortes ocorridas no dia, a curva indica uma ascendente constante.

  •  A análise de dados deve ser baseada em mortes ocorridas nas últimas 24 horas

O atraso na divulgação dos dados de mortes no país gera distorções que impactam as medidas de combate ao coronavírus. Para o médico Juliano Fernandes de Lara, se um gráfico que representa o número de mortes diárias mostra uma curva de tendência estável ou em queda, esse dado pode indicar que o sistema de saúde está sob controle — portanto, medidas de flexibilização do confinamento podem ser tomadas com mais segurança. Por outro lado, “se há curvas irregulares apontando 700 mortes em um dia, 400 no outro e depois 300, é difícil entender a lógica e a tendência da curva”, pondera. Segundo Fernandes, a análise dos gráficos indica que o mês de maio foi muito mais de “consolidação e saída da pandemia” do que de intensificação e piora do quadro no país. Ou seja, desde que não haja uma segunda onda de contaminação no Brasil, o pior já passou.

No primeiro gráfico, as informações do Registro Civil consideram a data do registro das mortes, ou seja, com atraso de notificação. No segundo gráfico, as informações do Registro Civil consideram a data real das mortes por suspeita ou confirmação de covid-19. Desde o início da epidemia, o dia em que ocorreu o maior registro de mortes em 24 horas foi 14 de maio, com 862 mortes por suspeita ou confirmação de covid-19.
A linha de corte azul em 3 de junho indica a data a partir da qual os números estão atrasados e ainda serão atualizados, conforme os trâmites legais dos cartórios de Registro Civil. Entretanto, desde 8 de maio já é possível identificar uma estabilização na curva de mortes no país.

Comparativo do registro de mortes no dia real da ocorrência (coluna laranja) versus mortes registradas no dia e portanto, com atraso (coluna azul), em todo o Brasil, de 18 de março a 4 de junho. As linhas pontilhadas indicam a média móvel no período de sete dias. É possível observar um crescimento e depois uma estabilização da curva de mortes no dia real da ocorrência (linha pontilhada laranja) enquanto a curva de mortes registradas no dia é ascendente (linha pontilhada azul). Para o médico Juliano Fernandes de Lara, a análise da curva de tendência em azul (mortes com atraso na notificação) não é um bom indicador para quem precisa tomar decisões sobre a flexibilização do confinamento e/ou ações no sistema de saúde, uma vez que não reflete o comportamento real da pandemia, com picos e vales instáveis.

Em entrevista ao canal CNN Brasil na última sexta-feira, 12, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, defendeu a nova forma de contagem de infectados e mortos pela covid-19. “A primeira coisa que temos de entender é que a metodologia de contagem não altera o número de óbitos”, disse. Pazuello explicou que não houve mudança na metodologia, mas um aprofundamento dos dados para que prefeitos pudessem ter uma visão da curva de evolução da doença, em cada cidade, “sem variações”. O Ministério da Saúde pretende, dessa forma, apresentar o número de mortes no dia da ocorrência, e não um acumulado de vários dias. “Vamos colocar também os óbitos nos dias em que efetivamente aconteceram para que a curva fique mais homogênea. Do contrário, aparecerão vários picos. Ficam vários dias sem nenhum óbito, aí aparece um dia com muitos óbitos. É por isso que estamos trabalhando para que o gestor entenda a curva do dia em que aconteceu cada coisa”, explicou Pazuello. De todo modo, o novo critério divulgado pela pasta da Saúde deveria contemplar uma revisão dos dados anteriores para tornar possível um ajuste retroativo — assim, os números seriam capazes de “contar uma história” que fizesse sentido.

Até o momento, o site do Ministério da Saúde continua mostrando um gráfico com o “número de óbitos por dia de notificação” com uma curva irregular.

 

  • Falta de uniformidade nas informações

Depois do anúncio de que o Ministério da Saúde mudaria os critérios para divulgação dos dados da covid-19, duas outras entidades decidiram organizar os próprios painéis. Um grupo de veículos de imprensa se reuniu para fazer um levantamento a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Além disso, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) também passou a divulgar um painel com os números da doença no país.

Há dias em que os números levantados por meio dessas iniciativas não batem entre si. Em 14 de junho, por exemplo, o Brasil registrou 598 novas mortes causadas pela covid-19, totalizando 43.389 mortes, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa formado por G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL. Foram 57 mortes a mais do que o divulgado pelo Ministério da Saúde no mesmo período. Somados, os boletins estaduais indicam 867.882 casos oficiais do novo coronavírus. O governo federal contabiliza 867.624 no total, 258 a menos do que informa o consórcio.

A Open Knowledge Brasil (OKBR), um portal dedicado à produção e divulgação de dados abertos, publicou recentemente um relatório em que expõe a dificuldade em consolidar os números da epidemia no país.

Embora os Estados estejam avançando cada vez mais em seus mecanismos de transparência à medida que a pandemia se alastra, os dados de fontes oficiais ainda são conflitantes. “Há um descompasso entre as informações divulgadas, por exemplo, em painéis e boletins; ou, o que é ainda mais grave, entre as fontes estaduais e os dados publicados pelo governo federal. Goiás e Acre, por exemplo, apresentaram divergência tanto em fontes federais quanto em estaduais”, informa documento da OKBR de 21 de maio. A organização coletou e comparou os dados de casos confirmados em todos os Estados e constatou que ao menos doze deles (44%) apresentaram algum tipo de informação conflitante, seja oriunda das próprias fontes ou em relação aos dados publicados pela União.

Entre as secretarias municipais e estaduais, também não há consenso: em 27 de maio, por exemplo,  a prefeitura de São Paulo informou que os recuperados da covid-19 na capital passavam de 54 mil. No dia 30, a Secretaria de Saúde do Estado anunciou um número diferente: 49 mil.

Na coletiva de 27 de maio, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, informou que no município de São Paulo havia 51.852 casos confirmados de coronavírus e 53.541 pacientes curados. Como pode haver registro de mais pacientes curados do que contaminados pela doença?

A propósito, o painel que contabiliza o número de recuperados da covid-19 divulgado pela prestigiada Universidade Johns Hopkins também não coincide com os dados do Ministério da Saúde. Em 17 de junho, a universidade americana contabilizava cerca de 30 mil recuperados a mais do que o portal do Ministério da Saúde. Segundo dados da Johns Hopkins, 494.526 pacientes se recuperaram da doença enquanto o portal do MS registrava apenas 463.474 recuperados.

  • Dados de mortes do Ministério da Saúde diferem dos dados da Central de Informações do Registro Civil

A coleta dos dados de mortes divulgados pelo governo federal segue o seguinte fluxo: os hospitais de cada cidade comunicam os óbitos às secretarias municipais; estas, por sua vez, informam às secretarias estaduais. O governo federal recebe então essas informações e compila os dados dos boletins epidemiológicos das 27 secretarias estaduais de saúde. Detalhe: são considerados apenas os óbitos novos reportados pelas secretarias na data em que tiveram a confirmação laboratorial positiva para covid-19 — portanto, o número não reflete a data da ocorrência da morte.

Já os dados dos cartórios de todos os municípios brasileiros são consolidados com outro critério. A Central de Informações do Registro Civil recebe as notificações de mortes confirmadas ou por suspeita de covid-19 dos cartórios de todo o Brasil. Um fato que chama atenção é que os cartórios consideram na contagem de mortos tanto os casos confirmados quanto os suspeitos da covid-19. Se a pessoa morre por suspeita de coronavírus e, posteriormente, os testes clínicos comprovam que ela não contraiu vírus ou que a causa da morte não foi a covid-19, seria possível retificar a certidão de óbito e atualizar a contagem? A Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais informa que não há uma norma geral e cada Estado tem autonomia para definir suas práticas. Entretanto, a retificação de uma certidão de óbito não é simples e pode, em certos casos, envolver autorização judicial, inclusive com a participação do Ministério Público. É improvável que essas informações venham a ser corrigidas no futuro.

Enquanto o país registrava 45.241 mortes pela covid-19 em 17 de junho, segundo dados do Ministério da Saúde, a Central de Informações do Registro Civil contabilizava 41.126 mortes confirmadas ou por suspeita de covid-19. Uma diferença de 4.115 mortes, certamente causada por burocracia, lentidão e falta de informatização dos cartórios em todo o país.

  • Mortes por milhão de habitantes

O Brasil superou o Reino Unido em número de mortos pela covid-19 na última sexta-feira, 12. Mas é preciso avaliar os números relativos para comparar a situação da pandemia e, assim, evitar distorções.  Um indicativo importante a ser analisado é o número de mortes por milhão de habitantes, dado considerado mais preciso para efeito de comparações.

E o Brasil não está entre os piores da lista global. Pelo contrário. Embora tenha ultrapassado o Reino Unido em número absoluto no dia 12, o Brasil continua distante de boa parte dos países europeus na quantidade de mortes por milhão de habitantes, inclusive entre os que foram mais castigados pela pandemia.

O Brasil não aparece na lista dos dez países com maior número de mortes por milhão de habitantes; ele ocupa a 16ª posição geral, com 242 mortes por milhão de habitantes.

Países com população pequena, como San Marino (30 mil habitantes) e Andorra (70 mil), ganham destaque na comparação. Uma morte nesses lugares é proporcionalmente mais representativa do que nos Estados Unidos, que têm uma população de cerca de 325 milhões de habitantes. O Brasil está um pouco acima de Portugal (23º lugar), tido como um dos exemplos de controle da pandemia na Europa.

O Brasil é o único país em que as curvas nos gráficos são incapazes de contar uma história coerente sobre o comportamento da epidemia. Por não estabelecermos critérios únicos na validação dos dados, nossas curvas de tendência mais parecem uma montanha-russa, com picos e vales instáveis que pouco indicam a real situação da pandemia. Pico em abril? Pico em maio? Pico em junho? Ou será em agosto? No que depender de nossas validações estatísticas oficiais, o Natal pode chegar antes de atingirmos o tal pico da epidemia, embora muitos especialistas defendam que o pior já passou.

Em tempos digitais e tecnológicos, a epidemia escancarou mais uma triste realidade brasileira. Por aqui, muitos dados ainda são coletados de forma manual e analógica, sem o rigor e a precisão que o assunto impõe. Na prática, a publicação de dados imprecisos, sem as devidas bases comparativas e sem uniformidade na coleta das informações, atrapalha o poder público na implementação de políticas capazes de conter os avanços do coronavírus e proteger de fato os cidadãos. É pouco provável que mesmo após a pandemia o Brasil tenha condições de avaliar em detalhes o que realmente aconteceu.

Sobre estatísticas e números de mortes por covid-19, leia também os artigos de Theodore Dalrymple e Fraser Myers

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43 Comentários

  1. Muito boa matéria! Parabéns!

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    • Olá Adalberto, que bom que gostou da matéria. Obrigada!

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      • Parabéns pelo artigo. Contextualiza, informa, analisa um tema que atormenta quase todo mundo. E o quase é proposital, porque tem gente se locupletando com a pandemia.

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    • Parabéns pela a matéria !
      Seria possível a continuidade dessa matéria , atualizando os dados e análises ?
      Grata
      Rosângela Cardoso

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    • Parabéns pela excelente matéria,bem ilustrativa e explicativa.Jornalismo verdadeiro

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  2. Paula,
    Excelente artigo. Eu me deparei com este problema desde o inicio, quando coletava os dados para eu fazer as minhas próprias análises. Era o caos, os dados mudavam. Eu questionei algumas fontes sobre os critérios, as respostas eram as mais dispersas possíveis.
    Até hoje tenho duvidas: quando uma pessoa faz o teste e detecta que possui o anti-corpo. Afeta o as estatísticas oficiais? E se for pelo período acima de 15 dias. Afeta os contaminados e os curados?

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    • Excelente matéria, muito informativa e com dados reais. Parabéns!!!! Para quem acompanha cientistas sérios, a matéria só veio corroborar.

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  3. Parabéns Ana Paula pela matéria.
    Só faltou investigar e informar aos leitores o porque, da taxa de letalidade do Maranhão ser tão diferente entre por exemplo, os 7 estados com mais casos.
    O que será que está sendo feito de certo no Maranhão, e também em outros estados com taxas de letalidades tão baixas ou menores que o Maranhão?
    No dia 13/06 as taxas de letalidade eram as seguintes:
    Rio de Janeiro: 9.6%
    Pernambuco: 8,5%
    Ceará: 6,3%
    Pará: 6,1 %
    São Paulo: 6,1%
    Manaus: 4,4%
    Maranhão: 2,5%
    Para ser ter uma ideia, até o dia 13/06 tinham morrido no Maranhão 1436 pessoas.
    Se por exemplo, o Maranhão com 58.859 casos tivesse a mesma taxa de letalidade do Rio de Janeiro (9,6%), teriam morrido no Maranhão 5.650 pessoas!!
    Portanto 4.214 pessoas mortas a menos!!!!!!!!!
    Portanto, ou alguma coisa certa parece que está sendo feita no Maranhão, ou os outros estados com taxas bem maiores não estão conseguindo ter a mesma eficiência.
    Obs.: não moro no Maranhão, NEM muito menos sou eleitor do PC do B.

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    • Olá Pedro. Sem dúvida, a taxa de letalidade é um dado importante para avaliar a gravidade na pandemia. A matéria não pretendeu esgotar o assunto, que é complexo e exige a análise de muitas variáveis. Mas a questão que você levantou pode gerar uma nova pauta. Agradecida!

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  4. Parabéns, Oeste e Paula Leal, finalmente uma reportagem séria sobre a importância em se usar a “data dos óbitos” para desenhar a curva real. Coisa óbvia, que alguns leitores já comentavam aqui, e que até o Ministério da Saúde demorou pra esclarecer. A grande mídia não quis esclarecer isso, só quis fazer alarde com os novos picos que eram notificados

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    • OIá Eric, nossa intenção era mesmo mostrar que os dados são coletados sem o rigor e a precisão que o assunto impõe. Agradecida pelo seu contato.

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      • Há leitores aqui questionando sobre o número de óbitos por todas as Causas Respiratórias. O próprio site abaixo mostra isso, numa aba separada (e também as Demais Causas, mostrando o Total). Em 2020 houveram 20 mil óbitos a mais que em 2019, de 01/jan a 23/jun

        https://transparencia.registrocivil.org.br/especial-covid

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  5. só saberemos toda a verdade no ano que vem. Por enquanto, muitas dúvidas. Essa da “suspeita” de covid ser incluída nas estatísticas como morte “por Covid” é muito peculiar…é só entrar no twitter para ver vários exemplos de pessoas que seguramente não morreram por covid (segundo familiares) e o atestado de óbito contem essa afirmação. Aprovado por médicos inescrupulosos que atendem a comandos de prefeitos inescrupulosos ou governadores inescrupulosos, com o objetivo de inflar os números e assim obterem mais dinheiro para corrupção. E da imprensa, quase toda ela conspirando para derrubar o governo, interessada em fabricar uma crise maior do que ela já é.

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  6. Ótimo trabalho! Tenho ainda uma dúvida: o que representa a Covid-19 no universo das doenças respiratórias? Dito de outro modo, qual foi o acréscimo no número de mortos que tivemos do último ano para este? Ou até dos últimos 3 anos? Digo isso, pois,o governador Zema disse que em Minas morreram menos pessoas de doenças respiratórias que no ano passado. Diante de tanta incerteza, não faria sentido questionar esses números?

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    • Olá Michelle, a matéria não pretende esgotar o assunto, que é complexo e exige a análise de muitas variáveis. Mas a questão que você levantou pode gerar uma nova pauta. Agradecida!

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    • Bom dia. Sua dúvida pode ser esclarecida acessando o site: https://transparencia.registrocivil.org.br/especial-covid
      Na aba “Causas Respiratórias” ,até a data de hoje 27/06/2020, verá que no ano passado, no mesmo período equivalente ao da pandemia foram 34485 mortes por doenças respiratórias em MG enquanto que com a pandemia em 2020 foram 32275, aproximadamente 2200 a menos. Redução aproximada de 6%.
      Pode ver também que dentro do universo dos óbitos por doenças respiratórias, em MG são 1430 por COVID, ou seja aproximadamente 4,5% do total de 32275.

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  7. Vc andou lendo meus tuc tucs? Brincadeira. Como por muito tempo tive que trabalhar com grandes amostras, cada vez que vejo uma estatística bate um sininho na cabeça. A tua matéria está ótima. Veja o que aconteceu na região de Caxias do Sul. Muitos frigoríficos apresentam funcionários infectados. Aí o Ministério Público do Trabalho pediu para que fechassem. Veio a liminar para reabertura. Só que no processo apareceram 4 vezes mais de infectados do que era informado aos órgãos competentes oficiais. Agora, estão num dilema: o que fazer com os novos números que poderá acarretar a decisão de abrir o comércio de vários municípios que fazem parte do zoneamento? A minha turminha do face já discutia desde março que ninguém conhece o formulário ou planilha que tem que ser preenchido e quais os itens que estariam faltando para melhorar o sistema de informação e transparência. Quem preenche (cabos eleitorais com cargos, CCs)? A notificação, boletim ou planilha sai do hospital, vai para a secretaria do município, depois vai para a secretaria de saúde do Estado, depois vai para a imprensa, depois vai para o Ministério da Saúde, depois vai para a OMS e finalmente tudo vai para o “céu”. É um teia de gente que passa por esses formulários, competentes, incompetentes, técnicos, políticos, corruptos e alienígenas… vai entender.

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  8. Tenho dúvidas, a cada publicação de números…, escolhi uma fonte, apenas…, talvez o número absoluto possa não ser o exato, mas, como é a mesma ferramenta, podemos avaliar tendências.
    Mas fica o mistério dos picos das terças…

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  9. Excelente reportagem! Fazia tempo que eu não lia algo assim, tão esclarecedor e centrado. Temos que continuar acompanhando, mas penso que a realidade, lida e analisada daqui a um ano, se mostrará diferente. Se colocarmos cada contágio confirmado, e cada morte e cada recuperação, todos com uma única fonte e na data em que efetivamente ocorreu, aí sim, vamos ter uma imagem da realidade exata. Por agora, vamos continuar correndo atrás dos números e nos protegendo dessa grande imprensa maluca!

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    • Olá Paulo, que bom que você gostou da matéria. Vamos continuar acompanhando a publicação dos números da covid-19. E sem dúvida, a uniformização de critérios ajudaria muito nas análises. Agradecida pelo seu contato.

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  10. A OMS, o Imperial College e o The Lancet com toda certeza não são mais os mesmos depois desta pandemia. Perderam totalmente a credibilidade junto ao meio médico. Parciais, assumiram-se como militantes políticos e foram desastrosos na sua omissão, imperícia, imprudência e negligência. Quanto aos números no Brasil e atestados de óbito relatando “morte suspeita de COVID” muita coisa terá ou deveria que ser debatida, auditada e esclarecida.
    Será que todos estes mortos por SARGS eram por COVID ? Creio que não! Vai requerer muito estudo e investigação.

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  11. Muito boa reportagem! A notificação de óbitos por Covid não é confiável pois há interesse até político em inflacionar os números. Mais significativa para dimensionar o impacto real do vírus é a comparação de total de óbitos por doença pulmonar em períodos iguais entre 2019 e 2020. Em muitas cidades vemos uma diminuição desse número e no total do Brasil apenas um ligeiro aumento. Será que essa disruptura absurda da economia era mesmo necessária? Quantos inocentes sofrerão em função disso? A reportagem poderia ter avançado também nessa direção.

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  12. É odiosa essa politica de quinta categoria que com táticas de guerrilha distorce os fatos no intuito único e mesquinho de confundir a população e jogar todos contra o governo…. é apenas uma questão de inteligência, bom senso, e retidão ética e moral, …..qualquer cálculo tem que ser feito em mortes por milhão de habitantes, … e isso é básico, elementar, e apenas demonstra a má fé criminosa de pessoas e meios de comunicação que querem transformar a realidade num caos unicamente com objetivos políticos.

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    • A matéria é excelente, bem escrita e explicativa, porém no final demonstra que o Brasil é uma completa zona. Cada um tem seu cadastro, o qual é formado de fontes distintas e não existe nenhuma consistência nos dados. No livro Pai Pobre Filho Rico, à venda na Amazon, toda essa balbúrdia estatística poderia haver sido eliminada se o Cadastro Nacional Único fosse criado e implantado em 3 anos, usando um chip no cartão CNU para guardar TODOS OS DADOS dos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil. Leiam o livro e descobrirão.

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  13. O Instituto Paraná divulgou pesquisa onde 66,1% dos brasileiros desconfiam da veracidade dos números divulgados pelos Governadores e Prefeitos sobre a Pandemia, o que não é pouca coisa. É sabida a fome por recursos financeiros de certos gestores, especialmente num ambiente livre para traficâncias, como agora, onde respiradores podem ser comprados por 54 mil reais ou por 198 mil reais, como se mesmo com afrouxamento das regras de aquisição, essa abissal diferença não fosse notada e fedessem muito mal, como fedem os sombrios esgotos da corrupção. É claro que a corrupção não foi apenas nos respiradores, mas em todos os insumos, hospitais de campanha, fretamento de aeronaves e um sem fim de possibilidades de ladroagem explícita. O Jornal Liberal, do Pará, reporta que o Estado já conta 4.605 óbitos por Covid 19, o que dá 575 mortos para cada milhão de habitantes. Será apenas acaso que operações da PF vasculham as contas do Estado e bloqueiam bens do desgovernador e outros delinquentes? Ou não vale lembrar a briga de Governadores e Prefeitos para a realização dos seus grandes Carnavais e a maioria absoluta das mortes ser onde essas imensas aglomerações ocorreram, quando já havia a decretação do Estado de Emergência?

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  14. Excelente matéria! Fez várias analises que já haviam me surgido, com abordagem semelhante a que tinha adotado em minhas próprias investigações (como média móvel semanal) e considerou valores mais substanciais como número de mortes diárias (e não acumulado, que vai sempre subir, é claro), e outras tantas análises estatísticas e políticas relevantes.
    Também tenho imensa desconfiança da letalidade da doença em UFs distintas.
    Parabéns, isso é jornalismo de verdade!

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  15. Como confiar nas estatísticas quando:
    1-Há municípios onde é obrigatório o registro de morte por coronavírus, mesmo que tenha sido um simples acidente de trânsito ?
    2- Há médicos que se negam a usar a cloroquina – “remédio do Bolsonaro”, preferindo o genocídio ?

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  16. Parabéns pelo artigo. É muito bom termos jornalismo imparcial nesse momento tão delicado

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  17. Gostei! Há algum tempo venho me posicionando junto a algumas personalidades e veículos de informação quanto à discrepância entre os números do Portal da Transparência e do Ministério da Saúde, não consegui resposta. Principalmente quanto aos recordes de mortes, anunciados que teriam passado de 1200, 1300. Eu verificava no Portal e nunca houve um dia com mais de 1000. Hoje, pela primeira vez, vi um comentário a respeito. Parabéns!

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  18. Parabéns Paula, além da informação de qualidade o artigo é muito honesto. Sinto falta de bons jornalistas como você, que privilegiam a informação e não viés ideológico independente de qual seja. Muito obrigado pela matéria!

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  19. Parabéns pelo excelente artigo. No mínimo, refuta as publicações sem fundamento espalhadas no Brasil e no mundo sobre o que se passa por aqui.

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  20. Parabéns ao articulista. Procurou mostrar as inúmeras diferenças entre as estatísticas apresentadas e a forma de divulgação, com uma análise racional e imparcial do problema. Trabalhos assim merecem as melhores referências.

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    • Olá Jose Ovidio, agradecida pelas palavras. Comentários assim nos fazem ter a certeza de que estamos no bom caminho.

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  21. Gostaria de ver abordado também as questões (1) dos óbitos fraudados (causa mortis outra que vírus chinês mas assim resistrada), (2) distinção entre óbtitos “por” vírus chinês e “com” vírus chinês, e (3) a baixa qualidade dos testes que apontam qualquer Covid e não somente o Covid-19.
    Pior que o atraso dos dados é a confiabilidade dos mesmos.

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  22. Ao contrário de Folha, VEJA, Estadão, IstoÉ e a mais recente VENDIDA Crusoé, a Oeste mostra aos seus leitores um quadro real sobre a Covid 19.
    Entretanto ainda faltam dados importantíssimos como idade, gênero e pricipalmente as informações sobre as comorbidades que cada pessoa que foi a óbito era portadora.

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  23. É o que eu tenho falado, ninguém vai saber quantos faleceram de covid-19. Aqui cada “autoridade” faz a conta à sua maneira. Parabéns pelo artigo e por demonstrar essas inconsistências.

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  24. Boa tarde. Assinante, e muito ocupado, algumas volto a ler a Oeste para dar a mim mesmo um alento no deserto intelectual em que se transformou nossa imprensa. Achei meu oásis. E peregrinando, deparei com o artigo da Paula Leal. A leitura é agradável, objetiva, e o assunto é tratado de maneira séria. Sou médico, e trabalho com Bioestatística em Pesquisa Clínica, entre outras atividades. Achei admirável o trabalho a que se deu a articulista ao explicar os eixos dos gráficos, de maneira a não deixar dúvidas ao seu leitor. É muita consideração e zelo pela integridade do texto. Meus sinceros parabéns e agradecimento por me dar a certeza de ter acertado na assinatura da revista. Por favor, mantenham o bom trabalho.

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  25. Olá Alberto, suas palavras nos fazem ter a certeza de que estamos no bom caminho. Foi um desafio reunir todos os dados e mais ainda, traduzir para o leitor o que todos esses gráficos significam. Fico contente em saber que, na sua opinião, cumprimos a missão de informar de maneira responsável. Agradecida!

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  26. Jà fiz comentários dias atrás. Mas faça uma checagem principalmente na região de Caxias do Sul (RS). Além do surto nos frigoríficos, outros setores (metalurgia) também têm grandes problemas. O mais importante é que está provado o que a gente discutia com os amigos no facebook: as estatísticas não são confiáveis e subestimaram o problema desde o início e, por esta razão, as autoridades de todos os níveis perderam tempo no combate mais efeito ao vírus. Muitas empresas e prefeitos esconderam números de pessoas infectadas. Só aqui, estimo mais de 1000 no mês de maio. Tem prefeito manipulando pra cima para ganhar dinheiro. Outros, manipulam para baixo para conseguir abrir o comércio, com interesses ímprobos. Olha, se fizeram uma revisão no Brasil inteiro mais de 100000 pessoas teriam que ser criminalizadas. E Isto não é possível, né?

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  27. Olha que isso foi apenas um resumo da realidade. A pergunta que não se cala é: Será mesmo que isso é um erro?
    Parabéns pelo artigo.

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  28. Ótima matéria. Gostaria sugerir um esforço investigativo para descobrir a resposta de uma questão que ajudaria muito a por um ponto final na discussão sobre a eventual eficiência de quebrar a economia pela estratégia do “fique em casa” em troca de uma suposta segurança contra o vírus. Existe pelo menos uma classe de trabalhadores que, desde o primeiro dia de contágio no Brasil, manteve contato diário com milhares de pessoas, de todas as classes sociais, em todos os bairros, em todas condições climáticas, usando todos os meios de transporte para trabalhar, exposta as mais variadas aglomerações: os profissionais de mercados e supermercados de alimentos. Em contrapartida outra classe também muito populosa está sem trabalhar desde o início da pandemia: os professores. Quando tiver aqui no Brasil um estudo mostrando as estatísticas de mortalidade devido ao covid comparando por região e nas mesmas faixas etárias alguma diferença de tendência entre estas duas classes de profissão, poderemos ter alguma conclusão sobre a eficiência de proibir as pessoas de trabalhar. Do contrário, irei sempre filtrar todas vez que alguém afirmar que o “fique em casa” tem alguma eficiência prática.

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  29. Muito bom este artigo. Dá uma ideia real dos fatos e mostra como a maior parte da mídia desinforma, cria factoides e gera pânico.

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