Afinal, o que é a Bolsa de Valores? - Revista Oeste

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Em Em 12 mar 2020, 08:08

Afinal, o que é a Bolsa de Valores?

12 mar 2020, 08:08

No Brasil, ela se chama Ibovespa, e servirá de norte para o leitor entender como funciona em outros países

Você deve ter lido inúmeras reportagens em jornais e revistas nesta semana informando que “houve queda/alta na Bolsa de Valores”. Sabe o que isso significa? Caso não, fique tranquilo que eu te explico. Essas oscilações são mais comuns do que se imagina, pois estamos falando de um ambiente volátil e que pode ser influenciado por diversos fatores. Entre eles:

  1. Desempenho de ações de empresas importantes do país;
  2. Oscilações do mercado externo;
  3. Notícias que influenciam investidores (o novo coronavírus, por exemplo).

Primeiramente, para entender a queda da Bolsa no Brasil é necessário saber o que é o índice Ibovespa — o desempenho da B3, como é chamada aqui, é medido por ele. Este indicador funciona como uma carteira imaginária, com as ações mais negociadas da Bolsa: Vale do Rio Doce, Petrobras, Itaú, Bradesco, entre inúmeras empresas.

Todas essas ações juntas – ou seja, o Índice Bovespa (IBOV) – correspondem a uma média de 80% de todas as negociações feitas na Bolsa brasileira. Isso quer dizer que, se o Índice Bovespa está caindo, uma parte significativa das ações mais negociadas também está se desvalorizando.

Por isso falamos que quando o Índice Bovespa está caindo, a bolsa como um todo também está. E tanto mercado quanto noticiários ficam atentos à situação, gerando uma apreensão aos investidores. Resumindo: alguém está perdendo o dinheiro que investiu e outros estão ganhando com isso.

O movimento oposto, ou seja, a alta da Bolsa de Valores significa que os recursos investidos em determinada ação estão se valorizando. Alguém que possui ações da Petrobras nesse momento pode vendê-las por um preço maior do que quando comprou.

Vale ressaltar que, ao contrário do que muitos imaginam, investir em ações na Bolsa de Valores não é como uma aposta. Eventos imprevistos acontecem, porém, em grande parte do tempo, investidores experientes se baseiam em análises profissionais para tomar suas decisões e investir em cenários que apresentam boas perspectivas.

Entenda a volatilidade dos mercados mundial e brasileiro nesta semana

Nos primeiro minutos da abertura das bolsas asiáticas neste domingo, 8, o preço do petróleo desabou 30%. A queda se deu em razão do conflito entre os membros da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep), chefiada pela Rússia e pela Arábia Saudita.

Os dois países não chegaram a um acordo para diminuir a produção, pois a demanda pelo petróleo despencou com o menor interesse da China. O país, afetado pelo novo coronavírus (covid-19), é o maior importador global da matéria-prima.

A Arábia Saudita, líder na exploração mundial de petróleo, decidiu produzir mais e cortar os preços dos barris em seu território. O governo russo, que está entre os maiores produtores do combustível, dobrou a aposta e determinou que se produzisse o máximo possível.

A “guerra dos preços”, portanto, atingiu o Brasil em cheio. Informou a DowJones que, diante das medidas tomadas pelas duas potências petrolíferas, o setor temia um excesso de oferta do produto, o que causaria impacto em toda a indústria de energia, que inclui a Petrobras.

Nesta quinta-feira, 12, as principais bolsas da Europa abriram com baixas superiores a 5%, poucas horas depois da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de restringir, por um mês, viagens dos EUA para a Europa. A medida presidencial visa o combate à transmissão do novo coronavírus (covid-19).

Nos primeiros minutos que sucederam a fala, o índice FTSE-100 de Londres perdia 5,28%, o CAC 40 de Paris recuava 5,11% e o Dax de Frankfurt cedia 5,32%. Em Madri, o Ibex 35 recuava 5,5% e na Suíça o índice SMI perdia 4,77%.

Ao mesmo tempo, o índice FTSE MIB de Milão operava em queda de 1,53%, um dia depois do anúncio do fechamento de todos os estabelecimentos comerciais na Itália, com exceção de farmácias e supermercados.

Isso significa, portanto, que está desvalorizado o dinheiro de investidores que apostaram suas fichas em determinada empresa, como, por exemplo, do setor de turismo, seriamente afetado por uma decisão que restringe voos entre países — bem como toda a cadeia do setor (hotéis, carros de aluguel, entre outros).

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