As tempestades de poeira não são culpa do agronegócio

As grandes nuvens de areia que assustaram moradores de São Paulo e Minas Gerais são fenômenos naturais
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Nas últimas semanas, vídeos e fotografias de gigantescas nuvens de poeira circularam nas redes sociais. Parecia cena de filme de ficção. Todas as imagens, contudo, são reais e foram gravadas em cidades do interior de Minas Gerais e de São Paulo, como Franca, Catanduva, Novais, Santa Adélia, Olímpia, Frutal, Ituiutaba e Uberlândia. No sábado 2, três pessoas morreram enquanto tentavam apagar um incêndio e foram surpreendidas pelo vento, que espalhou as chamas. Uma quarta morreu atingida pela queda de muro derrubado pela ventania. 

A imprensa tradicional culpou o agronegócio. As tempestades de poeira, contudo, são um fenômeno natural.

Segundo o climatologista Ricardo Felício, é comum que essas tempestades ocorram em períodos de seca. Episódios parecidos foram registrados na década de 1990. “Trata-se de um processo de adubação natural decorrente de um período de transição climática de uma estação mais fria para outra mais quente”, explicou. 

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Essa adubação natural acontece porque o vento forte carrega restos de matéria orgânica vegetal e animal, como folhas, cascas, ossos e fezes, que formam a poeira.  A transição do inverno para primavera, aliada à falta de chuva, contribuiu para o tamanho das nuvens. 

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De acordo com Felício, essa poeira é inofensiva à saúde humana, causando apenas uma leve irritação nos olhos e na garganta. Ele também desmente as afirmações de que o agronegócio é responsável pela tempestade de poeira. “A contribuição do agro nesse fenômeno é mínima”, afirmou Felício. “Isso porque os produtores rurais fazem a chamada ‘palhada do solo'”. Nesse sistema, a matéria orgânica (plantas, galhos, folhas e raízes) é triturada pelos agricultores e pulverizada de volta na terra. Essa ação, inclusive, protege o solo desse tipo de fenômeno.

“A formação dessas nuvens é consequência de um fenômeno chamado de frente de rajada, que consiste na combinação da poeira acumulada ao longo de semanas de estiagem com os fortes ventos que ocorrem antes das chuvas”, publicou em seu Instagram a produtora rural Camila Telles, que luta há anos para derrubar esse e outros mitos envolvendo o agronegócio no país.

Veja os vídeos:

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