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Heineken adere ao Dia sem Carne e pecuaristas rebatem com o Churrasco sem Heineken

Depois da repercussão negativa, a empresa recuou: “Além de água, malte e lúpulo, sabe qual nosso ingrediente secreto? O respeito por todos os gostos”

Embora quase ninguém saiba, o Dia Mundial sem Carne é comemorado em 20 de março. Neste ano, a data passaria mais uma vez sem muito alarde se não fosse uma campanha da Heineken, uma das mais conhecidas marcas de cerveja que existem. Em seu Instagram, a empresa lançou a proposta: “Neste Dia Mundial sem Carne, que tal comer e beber mais verde? A cerveja feita com água, malte, lúpulo e nada mais é a opção perfeita para o acompanhamento de hoje”.

A reação foi imediata. Pecuaristas de todos os tamanhos e outros representantes do agronegócio rebateram com a campanha Churrasco sem Heineken. “Com esta campanha, a empresa demonstra total desrespeito e desconsideração à pecuária brasileira, que é motivo de orgulho por ser a primeira pecuária comercial do mundo”, observou uma nota da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACNMT). A associação lembrou ainda a importância que o setor teve em 2020 para que a economia brasileira não apresentasse resultados ainda mais negativos devidos aos prejuízos causados pela pandemia de coronavírus.

Depois da repercussão negativa, a empresa recuou. “Para não restarem dúvidas, além de água, malte e lúpulo, sabe qual nosso ingrediente secreto? O respeito por todos os gostos”, postou. Não deu muito certo. Na manhã desta segunda-feira, havia mais de 16 mil manifestações no Instagram, segundo a página do Portal DBO — revista especializada em pecuária — na mesma rede social.

“Lembrem-se que, antes de querer cortar a carne da alimentação, o álcool está lá em cima, no topo da pirâmide dos vilões da saúde”, rebateu Camila Telles, uma das maiores influenciadoras do agro no Brasil. “Sério que vocês querem instigar o pessoal a comer mais verde porque estão preocupados com a saúde?”

“Nossa pecuária é extremamente verde, é uma pecuária de pasto”, afirmou Sergio Junqueira Germano, Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã (ABCT). “Para o leigo aquilo pode parecer apenas um capim, mas as gramínea são grandes consumidoras de carbono. É preciso entender como a carne no Brasil é feita. Bem diferente do que acontece em outros países, onde o gado fica confinado praticamente o tempo todo, aqui, a maioria dos animais pasteja 90% da sua vida”.

“Grandes corporações estão sendo vítimas de profissionais da comunicação despreparados”, escreveu no Twitter o engenheiro-agrônomo Maurício P. Nogueira, sócio e diretor da consultoria Athenagro. “Na ânsia de mostrarem resultados com as postagens, embarcam em mentiras, que se apoiam em bandeiras autointituladas justas, sustentáveis ou conscientes.”

Depois de citar uma série de pontos positivos da pecuária nacional, ele sugere: “Continuem fazendo cerveja. Vocês são bons nisso”. Em seguida, lembra que é possível substituir a cerveja em um churrasco. E pergunta: “Mas e a carne?”.

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