Presidente da Aprosoja critica protecionismo comercial da Europa: ‘Eles querem salvar o deles’

Antonio Galvan concedeu entrevista à Revista Oeste
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Antonio Galvan discorreu sobre outros assuntos
Antonio Galvan discorreu sobre outros assuntos | Foto: Canva

Em entrevista à Revista Oeste, o presidente da Aprosoja, Antonio Galvan, disse que potências estrangeiras atuam contra o agronegócio brasileiro. No mês passado, a Aprosoja classificou a decisão da União Europeia de restringir as importações de commodities agrícolas para conter o desmatamento como “protecionismo comercial disfarçado de preocupação ambiental”.

A seguir, confira trechos da entrevista de Galvan a Oeste:

Quais são os principais desafios do setor e os objetivos da Aprosoja até o fim do seu mandato, em 2024?

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Nossa grande preocupação atualmente é com os custos de produção, além dos problemas climáticos que eu citei. O preço atual dos defensivos e fertilizantes também está quase inviabilizando o plantio de soja no país, assim como o atraso na entrega desses produtos. Outro ponto de preocupação é que a Anvisa tomou uma atitude, a meu ver, bastante equivocada, que foi a retirada do paraquate do mercado [Paraquate é um herbicida usado para o controle de ervas daninhas em grandes culturas, como a soja. Em 2017, a Anvisa concluiu a reavaliação toxicológica do paraquate e determinou o banimento do produto no Brasil a partir de 2021]. A colheita da soja começa agora no fim de dezembro, início de janeiro, e vai faltar no mercado por causa da precipitação da Anvisa em tirar o paraquate do Brasil. Ele continua liberado na Argentina, no Paraguai, nos Estados Unidos, no Canadá, que são os países que mais produzem soja depois do Brasil. Isso leva à falta do produto, é um problema que já ocorreu na safra passada e está na iminência de faltar de novo agora. Em relação ao futuro, buscamos ter menos burocracia para a produção. Temos a Lei dos Defensivos, que está para ser aprovada no Congresso Nacional e moderniza a legislação sobre registro, uso, pesquisa e comercialização de defensivos agrícolas no Brasil. E aí aparecem de novo os ambientalistas e todo o lobby contrário. Também temos o PL do Licenciamento Ambiental. Tem o projeto que dispõe sobre a regularização fundiária das ocupações em terras situadas em áreas da União, que tramita no Senado. Gente que tem 30, 40, 50 anos em cima de uma propriedade e não se dá o título para essa pessoa. E assim por diante. Infelizmente, muitas vezes o Congresso é moroso para analisar essas questões. A verdade é que temos um desafio muito grande para facilitar a vida do Brasil e dos brasileiros.

Em outubro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu, pichou e depredou o prédio da Aprosoja em Brasília. Quais medidas foram tomadas pela entidade? 

Foi um ato de monstruosidade. Foi feito boletim de ocorrência. Pelo que sabemos até agora, parece que estão investigando, inclusive, a participação de pessoas que têm curso superior e formação altamente graduada. Estamos na expectativa para que isso venha à tona. Esperamos que os culpados sejam punidos. Se eles esperavam alguma repercussão positiva para esse ato, certamente isso não prosperou. Quase toda a opinião pública classificou aquilo como uma manifestação criminosa.

Em nota divulgada no mês passado, a Aprosoja classificou a decisão da União Europeia de restringir as importações de commodities agrícolas para conter o desmatamento como “protecionismo comercial disfarçado de preocupação ambiental”. As grandes potências jogam contra o agronegócio brasileiro?

Não tenha dúvida quanto a isso. Eles querem tentar salvar o deles. Aqui também existe essa cruzada por parte de muitos deputados que querem cobrar mais caro do produtor rural, porque acham que ele não contribui com a questão ambiental. O que aconteceu na Europa foi justamente isso: começaram a taxar tanto o produtor de alimentos que hoje eles têm de subsidiar a agricultura deles para sobreviver. Descobriram que precisam daquele alimento que é produzido no campo. Em termos de vegetação nativa, os números da Europa são muito baixos. O discurso não tem nada a ver com a realidade. Isso é protecionismo comercial para tentar amenizar essa subvenção. Em grande parte do Brasil, nós chegamos a ter três safras no mesmo ano. O que deixa os europeus preocupados é isso. Nosso território permite essa abundância e nós temos uma enorme vocação para a área agrícola. Isso causa inveja em qualquer país do mundo. É dor de cotovelo. Temos milhões de pessoas em todo o mundo que passam fome e outros tantos milhões que se alimentam muito mal. E os caras ainda tentam dificultar as coisas na produção de alimentos básicos, como a soja. O que eles realmente querem? Você acha que estão preocupados com o ser humano?

Leia a entrevista completa com o presidente da Aprosoja na Edição 91 da Revista Oeste

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