Apenas 22,7% dos trabalhadores do Brasil podem fazer 'home office' - Revista Oeste

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Em 3 jun 2020, 15:10

Apenas 22,7% dos trabalhadores do Brasil podem fazer ‘home office’

3 jun 2020, 15:10

Pesquisa do Ipea com o IBGE mostra que há enorme desigualdade no potencial de teletrabalho dentro do país e no mundo

home office - teletrabalho - pesquisa

Home office só é possibilidade para 22,7% dos brasileiros | Foto: lukasbieri/Pixabay

O home office é possível para 22,7% das ocupações no Brasil, estima um estudo que reuniu pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado consta na nota técnica  “Potencial de Teletrabalho na Pandemia: Um Retrato no Brasil e no Mundo”, divulgada nesta quarta-feira pelo Ipea.

Uma pesquisa internacional aponta Luxemburgo, na Europa, como o país com maior potencial de trabalho remoto, com 53,4% das ocupações com essa possibilidade. O patamar é muito superior ao de economias menos desenvolvidas, como as da América Latina. Na região, o maior percentual é o do Chile, com 25,7%, e o do Brasil fica em segundo lugar. O menor potencial de teletrabalho entre os 86 países pesquisados está em Moçambique, na África, com apenas 5,24%.

As desigualdades regionais do Brasil também se refletem no potencial de teletrabalho de cada Estado. No Distrito Federal, estado com a maior renda média, o percentual chega a 31,6%. São Paulo e Rio de Janeiro também ficam acima do potencial nacional, com 27,7% e 26,7%, assim como os três estados da Região Sul. O restante do país tem percentuais menores que a média de 22,7%, sendo os menores no Piauí, com 15,6%, Pará, com 16%, e Rondônia, com 16,7%.

As ocupações analisadas foram agrupadas seguindo critérios internacionais, e os maiores percentuais de probabilidade de home office estão nos grupos profissionais das ciências e intelectuais (65%), diretores e gerentes (61%) e trabalhadores de apoio administrativo (41%).

Membros das Forças Armadas, policiais e bombeiros militares, assim como para operadores de instalações e máquinas e montadores, ocupações elementares e para trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e pesca não tem nenhuma possibilidade de executar suas funções remotamente.

Outros grupos que têm um baixo potencial de teletrabalho são os trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados, com 12%, e os trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção, das artes mecânicas e outros ofícios, com 8%.

Nas conclusões do estudo, os pesquisadores destacam que a nota técnica “revela as desigualdades regionais e as diferenças no acesso a essa modalidade no território nacional”. O texto também frisa que a incorporação de tecnologias relacionadas ao mercado de trabalho depende, em grande parte, da renda e dos investimentos no processo produtivo.

“As perspectivas da retomada das atividades econômicas após a pandemia devem levar em conta as novas modalidades de trabalho que emergiram e foram marcantes no período de isolamento e que, muito provavelmente, serão mais utilizadas”, afirmam.

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