As 11 revelações mais importantes no escândalo financeiro da FinCEN

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Em 22 set 2020, 15:50

As 11 revelações mais importantes no escândalo financeiro da FinCEN

22 set 2020, 15:50

Arquivos vazados da Rede de Combate a Crimes Financeiros norte-americana mostram US$ 2 trilhões em transações suspeitas de bancos renomados

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Deutsche Bank foi o banco que mais movimentou dinheiro de maneira irregular de acordo com relatórios da FinCEN | Foto: Lucas Kaufmann/Wikimedia Commons

Documentos vazados da Rede de Combate a Crimes Financeiros, do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, foram compartilhados com agências de notícias. Eles revelam que, há anos, grandes bancos se envolvem com dinheiro sujo e que existe pouca fiscalização no setor.

Os bancos mencionados nos documentos incluem JPMorgan Chase, HSBC, Barclays e Deutsche Bank.

Aqui estão algumas das conclusões do escândalo.

5 bancos processaram mais dinheiro suspeito do que qualquer outro no vazamento

Cinco grandes bancos apareceram mais que qualquer outro nos documentos.

Dos US$ 2 trilhões em transações suspeitas, US$ 1,2 trilhão passou pelo Deutsche Bank. Quase todo o resto foi processado pelo JPMorgan, Standard Chartered, Bank of New York Mellon e Barclays.

As ações de bancos europeus — já sob pressão de uma segunda onda do coronavírus — despencaram desde a publicação do relatório.

Os documentos vazados representaram 0,02% dos Relatórios de Atividades Suspeitas (SARs, da sigla em inglês) da FinCEN

Os repórteres analisaram mais de 2,1 mil relatórios vazados — mas esta é apenas a ponta do iceberg.

De acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), mais de 12 milhões de relatórios foram registrados na FinCEN (Financial Crimes Enforcement Network) de 2011 a 2017, o que significa que o vazamento representa apenas 0,02% do total.

O HSBC movimentou dinheiro para o esquema Ponzi* WCM777, que vitimou milhares de pessoas

*Esquema de pirâmide financeira, que consiste em convencer as vítimas a obter altas taxas de retorno, usando relatórios fabricados, com a remuneração dos investidores mais antigos com o dinheiro dos novos. As empresas que participam dos esquemas Ponzi estão trabalhando apenas na atração de novos investimentos sem gerar nenhum produto legítimo.

Os arquivos revelaram que o HSBC permitiu a fraudadores envolvidos com o WCM777, um esquema Ponzi de US$ 80 milhões, movimentar dinheiro ao redor do mundo, informou a BBC.

Em 2012, após uma investigação do Senado dos Estados Unidos, o HSBC foi multado em um recorde de US$ 1,9 bilhão por sua conduta de canalizar dinheiro para o que os investigadores chamaram de “chefões do tráfico e países desonestos”, relatou a BBC na época.

Mas, no ano seguinte, os fraudadores que trabalham com o WCM777 conseguiram movimentar mais de US$ 15 milhões por meio do HSBC, apesar dos avisos de que era uma fraude, mostram os documentos vazados.

O esquema Ponzi teve como alvo comunidades pobres em vários países e vitimou milhares de imigrantes asiáticos e latinos.

O HSBC afirma que sempre cumpriu seu dever legal ao relatar tais atividades.

Os bancos processaram milhões para a família de um político do Cazaquistão procurado pela Interpol

Os documentos mostraram que o JPMorgan Chase, junto com o Bank of America, Citibank, American Express e outros, processou milhões em transações vinculadas a um político do Cazaquistão procurado pela Interpol, informou o site BuzzFeed News.

A família de Viktor Khrapunov, ex-prefeito de Almaty, no Cazaquistão, usou o JPMorgan Chase para operar milhões de dólares em transações, mesmo depois que a Interpol emitiu um aviso vermelho contra ele.

No momento das transações, Khrapunov e sua esposa eram acusados de lavagem de dinheiro, fraude e criação de um grupo de crime organizado, de acordo com a revista Newsweek.

Eles foram condenados à revelia, fugiram para a Suíça e descreveram as acusações como politicamente motivadas.

Arkady Rotenberg, associado de Vladimir Putin, pode ter usado o Barclays para lavar dinheiro e evitar punições

Os documentos sugerem que um associado próximo do presidente russo, Vladimir Putin, pode ter usado o Barclays Bank, com sede no Reino Unido, para evitar sanções e fazer lavagem de dinheiro, informou a BBC.

Arkady Rotenberg, um amigo de infância de Putin, está entre vários associados postos sob sanção da União Europeia e dos EUA após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014. As sanções visavam a impedir Rotenberg de fazer negócios com bancos ocidentais.

De 2012 a 2016, uma empresa chamada Advantage Alliance movimentou cerca de US$ 77 milhões por meio do HSBC. O Senado dos Estados Unidos afirmou que há fortes evidências de que a empresa é propriedade de Rotenberg. Uma investigação descobriu que a companhia estava fazendo compras secretas no mercado de arte usando sua conta no Barclays.

US$ 142 milhões de dinheiro suspeito do Irã foram processados por meio dos Emirados Árabes Unidos

Promotores americanos alegaram que a empresa Gunes General Trading, com sede em Dubai, foi usada para canalizar dinheiro do Irã por meio dos Emirados Árabes Unidos e fugir de sanções internacionais, de acordo com a BBC.

Em 2011 e 2012, mostram os documentos, o sistema do banco central dos Emirados Árabes Unidos processou US$ 142 milhões em transações para a empresa, apesar de terem sido rotuladas de suspeitas. A Gunes General Trading também usou outros bancos estatais para canalizar US$ 108 milhões em transações até setembro de 2012.

Uma importante doadora do Partido Conservador do Reino Unido estava ligada ao Kremlin

O marido de uma importante doadora do Partido Conservador do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, recebeu dinheiro de um milionário ligado a Putin que está sob sanção dos EUA, mostraram os documentos vazados.

Os arquivos mostram que Vladimir Chernukhin, marido de Lubov Chernukhin — que doou quase US$ 2,2 milhões ao Partido Conservador —, recebeu US$ 7,8 milhões de uma empresa offshore que remonta a um político e oligarca russo chamado Suleyman Kerimov.

Kerimov foi um dos vários oligarcas mencionados em um relatório de 2018 do Departamento do Tesouro dos EUA que discutia a atividade “maligna” da Rússia. O relatório do Tesouro disse que ele foi acusado de lavagem de dinheiro e não pagamento de impostos na Europa.

A Coreia do Norte lavou dinheiro usando bancos norte-americanos e uma série de empresas de fachada

Os documentos vazados sugerem que, apesar das sanções internacionais que bloqueiam o acesso da Coreia do Norte ao sistema financeiro global, o país lavou aproximadamente US$ 175 milhões, informou a NBC News.

As transações sinalizadas como suspeitas entre 2008 e 2017 foram liberadas por bancos dos Estados Unidos, incluindo JPMorgan Chase e Bank of New York Mellon.

Os bancos sinalizaram a atividade de Paul Manafort como suspeita anos antes de ele ser preso

As transações bancárias vinculadas a Paul Manafort, ex-estrategista do presidente Donald Trump condenado por fraude em 2018, foram sinalizadas como suspeitas seis anos antes, em 2012, informou o ICIJ.

Mais de US$ 50 milhões em pagamentos para Manafort processados pelo JPMorgan Chase ao longo de dez anos foram relatados.

De acordo com o relatório, o banco processou US$ 6,9 milhões em transações depois que Manafort renunciou à campanha de Trump.

Manafort está cumprindo pena de sete anos por fraude fiscal, fraude bancária e evasão de divisas em bancos estrangeiros.

Os gerentes do Deutsche Bank sabiam mais do que afirmavam sobre um escândalo comercial

Em 2017, um esquema de lavagem de dinheiro de US$ 10 bilhões envolvendo chefes do crime, cartéis de drogas e redes terroristas fez o Deutsche Bank pagar uma multa e culpar gerentes de nível médio em seus escritórios em Moscou.

Mas os relatórios de atividades suspeitas da FinCEN que vazaram mostraram que a empresa sabia dos escândalos em que estava envolvida, informou o BuzzFeed News. Avisos sobre falhas graves na empresa foram enviados ao presidente do banco e a seu conselho fiscal.

Os reguladores financeiros captam apenas uma pequena fração da atividade por trás do dinheiro sujo

O vazamento FinCEN inclui 2,1 mil relatórios de atividades suspeitas, mas eles representam uma fração do que existe.

Os bancos geralmente não sabem ou não acompanham suas investigações sobre quem são os proprietários das contas que processam, relatou o ICIJ.

O secretário-executivo de um grupo de combate à lavagem de dinheiro chamado Força-Tarefa de Ação Financeira, David Lewis, disse que o mais comum era deixar as coisas como estavam em vez de tomar medidas reais. “Todo mundo vai mal”, lamentou Lewis.

Com informações da Business Insider

 

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