A invenção da imprensa delatora 

Folha viola a Constituição e quebra o sigilo da fonte alheia
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Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock

“A Folha pariu a imprensa delatora para transformar em casos de polícia um jornalista e uma funcionária que o ajudara a ver o Supremo como o Supremo é.” Em artigo publicado na Edição 82 da Revista Oeste, o jornalista Augusto Nunes comenta a façanha do jornal Folha de S. Paulo de quebrar o sigilo da fonte, direito garantido pela Constituição Federal, e inaugurar a modalidade do “jornalismo de delação”. 

Confira um trecho:

“Entre leitores capazes de assoviar e caminhar ao mesmo tempo, esses registros na folha corrida podem ter abrandado a surpresa, mas não o assombro provocado pela manchete da edição deste 7 de outubro, uma quinta-feira: BLOGUEIRO BOLSONARISTA USA DE INFORMANTE ESTAGIÁRIA DO STF. Sete palavras e uma sigla resumem a reportagem, torpe na forma e sórdida no conteúdo, que se baseou em diálogos telefônicos grampeados pela Polícia Federal para concretizar uma façanha e tanto. Simultaneamente, a Folha conseguiu reduzir a farrapos bandeiras que vive hasteando ao som de tambores e clarins, violentar a Constituição com o estupro do sigilo da fonte e consumar o parto do jornalismo de delação.”

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Nunes relembra ainda outros piores momentos da Folha:

“Entrevistado pelo programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, o jornalista Alexandre Garcia resgatou outro episódio exemplar. Ele era subsecretário de Imprensa Nacional do governo João Figueiredo quando foi encarregado de escalar o grupo de colegas que testemunhariam um encontro entre o presidente da República e o cardiologista Euryclides Zerbini. A pedido de amigos e parentes de Figueiredo, o médico famoso tentaria publicamente convencer o chefe de governo a abandonar o cigarro. Foi o que fez quando a conversa ia chegando ao fim. Zerbini insistiu em saber o que impedia o anfitrião de livrar-se do vício. A resposta emergiu já com cara de manchete: “Doutor, eu não paro de fumar porque não tenho caráter”. Garcia assustou-se: “Imaginei o Hélio Fernandes afirmando na primeira página da Tribuna da Imprensa que Figueiredo finalmente havia reconhecido que não tem caráter”, contou Garcia, que foi à luta: por telefone, repetiu aos participantes do encontro, um por um, o mesmo pedido escoltado pelo mesmo argumento. “Não use aquela frase, por favor. No Rio Grande do Sul, não ter caráter quer dizer que a pessoa não tem força de vontade.” Todos prometeram atender ao apelo, inclusive o enviado pela Folha. Todos cumpriram a promessa, menos a Folha, que incluiu na reportagem a frase que atribuía o tabagismo à falta de caráter.”

Leia o artigo completo: “Delação fantasiada de jornalismo”

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7 comentários Ver comentários

  1. Exatamente isso, a esquerda é amoral, medíocre, corrupta e extremamente limitada; só lhes restam as falcatruas, imposições, autoritarismo e subornos.
    Muito triste termos deixado chegar a esse ponto!

  2. Se não descobrirem quem está por trás deste jornal, veremos apenas aberrações publicadas pelo lixo. Não há explicação para isso, que eles dizem ser jornalismo.

  3. Também esse pessoal se comunica através de e-mails, redes sociais, telefone e outras dessas modernidades mais. Se aprendessem a conversar numa remota praia de nudismo, onde não seja possível esconder algum aparelho de escuta e ou se comunicar por sinais de fumaça, continuarão sendo descobertos. Aprendam!

  4. O governo no Bolsonaro tem feito cair muitas máscaras, entre elas a da imprensa combativa e investigativa, coisa que nunca existiu. A imprensa é e sempre foi movida por interesses e dinheiro, pelo visto, muito dinheiro. Basta Bolsonaro começar a irrigar essas empresas com dinheiro público que elas começarão a elogiar o governo. Mau catariano, simples assim.

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