As mais recentes vítimas da “quarentena gastronômica” em SP

Se houver um segundo lockdown, Associação de Bares e Restaurantes calcula que nem 20% dos estabelecimentos conseguirão permanecer abertos
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Há pouco mais de um mês, o Ritz, um dos mais tradicionais restaurantes de São Paulo, fechou sua unidade do bairro Itaim. Há três dias, foi a vez do Spazio e do Serafina, que agora só permanece com a sede localizada nos Jardins. Esses são apenas três dos milhares de estabelecimentos que não sobreviveram à pandemia de coronavírus.

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Como mostrou a reportagem de capa da mais recente edição da Revista Oeste, desde que o vírus saiu da China e invadiu os quatro cantos do planeta, bares e restaurantes se transformaram em alguns dos bodes expiatórios apontados como responsáveis pelo aumento das contaminações. Solução? Fechá-los. Assim, em quase todo o país, suporta-se uma “quarentena gastronômica” ainda sem prazo para acabar.

“O que está acontecendo com o setor é uma tragédia”, resumiu Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo (Abrasel-SP). “Cerca de 30% dos bares e restaurantes já fecharam as portas. Se houver um segundo lockdown, nem 20% conseguirão permanecer abertos.”

Poucos meses atrás, o governo paulista permitiu que os estabelecimentos voltassem a receber clientes de forma presencial até as 23 horas, com 60% da capacidade. No fim de janeiro, João Doria e seu “comitê de especialistas” mudaram de ideia e decidiram que os bares e restaurantes deveriam encerrar as atividades às 20 horas, de segunda a sexta-feira, e permanecer fechados nos fins de semana. Nesta quarta-feira, o governador voltou parcialmente atrás e passou a permitir a abertura até às 20h todos os dias.

Esse mesmo comitê de notáveis não enxerga muito contágio nas festas clandestinas e pancadões que proliferam pela cidade, com centenas de pessoas aglomeradas. E nenhum de seus integrantes viu nada de mais durante os eventos de campanha ou nas comemorações de vitória das eleições de 2020. O problema, para eles, são os restaurantes — onde o distanciamento social é cumprido à risca, a temperatura é medida na entrada, o álcool em gel está ao alcance dos clientes, os garçons usam uma proteção de acrílico sobre a máscara e mesas e cadeiras são desinfetadas incontáveis vezes por dia.

“Após 28 anos o Spazio Gastronômico encerra suas atividades em razão do momento atual”, informou um aviso publicado no Instagram do restaurante. “Nos despedimos com a certeza de dever cumprido e quem sabe no futuro possamos estar juntos novamente”.

Só no Estado de São Paulo, cerca de 300 estabelecimentos entram em falência diariamente, deixando quase 2 mil desempregados. “Não são as 15, 20 pessoas sentadas distantes umas das outras nos restaurantes que estão causando essa pandemia”, observou Maricato. “Estão sacrificando um dos setores que mais geram empregos, atraem turistas e podem contribuir muito para a retomada econômica. É como se uma fábrica da Ford fechasse por semana no país”, compara.

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6 comentários

  1. Um louco megalomaníaco com poderes quase ilimitados. Pena dos paulistas, mas eles escolheram seu destino ao se deixarem escravizar.

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