Boa parte do Hospital de Campanha do Anhembi está vazia

Parte coordenada pela Iabas, que deveria contar com 1,5 mil leitos, está praticamente vazia, segundo parlamentares que estiveram no local
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O hospital é uma das três unidades de campanha construídas para o combate à covid-19 na cidade de São Paulo
O hospital é uma das três unidades de campanha construídas para o combate à covid-19 na cidade de São Paulo | Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Nesta quinta-feira, 4, deputados estaduais do grupo Parlamentares em Defesa do Orçamento (PDO) se reuniram para visitar o Hospital de Campanha do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo. Eles afirmam que tinham como objetivo verificar o funcionamento da unidade.

A fiscalização foi feita pelos parlamentares Coronel Telhada (PP), Adriana Borgo  (Pros), Letícia Aguiar (PSL), Sargento Neri (Avante) e Marcio Nakashima  (PDT).

O hospital é uma das três unidades de campanha construídas para o combate à covid-19 na cidade de São Paulo. Apesar de toda a propaganda, não é inteiramente municipal: “Tenho um vídeo do governador João Doria dizendo que transferiu R$ 50 milhões de fundo[ estadual de saúde] a fundo [municipal de saúde] para o Bruno Covas para a construção”, afirma o deputado Marcio Nakashima.

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O deputado foi o primeiro a entrar e o primeiro a ser posto para fora do local: “Cheguei pela Marginal [do Tietê], enquanto os meus colegas vieram pela entrada da [avenida] Olavo Fontoura”, conta. “Quando entrei, estava tudo vazio, não tinha ninguém”. Ao ver a cena, Nakashima usou o celular para filmar e deu-se início à controvérsia: “Há uma entrevista do secretário municipal de Saúde [Edson Aparecido] dizendo que nos autorizou e uma nota da prefeitura dizendo que invadimos. Mas nós temos o vídeo da assessora da Iabas nos recebendo”.

O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) é responsável pela gestão de 1,5 mil leitos dos 2 mil que deveriam existir no Hospital de Campanha do Anhembi. Os outros 500, que são de encargo estadual, segundo o deputado, estão sob responsabilidade da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). “A grande questão é que todos os pacientes que chegam, a Iabas manda para o lado da SPDM, que já não consegue absorver tudo”, explica Nakashima.

Nas imagens feitas pelo parlamentar, espaços totalmente vazios, camas sem colchão e a falta de um teto, além daquele do próprio pavilhão de exposições, chamam a atenção.

No total, o contrato emergencial entre a Iabas e a prefeitura seria de R$ 5 milhões por mês, segundo o deputado.

Durante a visita, Marcio Nakashima conta que, de repente, diversas ambulâncias chegaram ao local. Ao serem questionados sobre se estavam trazendo pacientes, os motoristas disseram que o pedido era para que fossem para o local apenas, sem mais explicações. Atualmente, o hospital abriga cerca de 220 pacientes. “É tudo muito obscuro”.

Os parlamentares agora afirmam que vão apresentar uma peça com todo o material gravado ao Ministério Público.

A entidade é a mesma que, após atrasar a entrega de hospitais inteiros e ser investigada por fraude, foi afastada do comando de sete unidades de campanha no Rio.

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