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Empresa de dados enganou governos, OMS e revistas científicas do mundo todo

Surgisphere foi a responsável pelo levantamento de dados de estudo observacional posto em auditoria que colocava em cheque a hidroxicloroquina.
Surgisphere pode ter enganado as maiores autoridades científicas e governos de todo o mundo | Foto: Reprodução
Surgisphere pode ter enganado as maiores autoridades científicas e governos de todo o mundo | Foto: Reprodução | surgisphere - oms - lancet - hidroxicloroquina

Surgisphere foi a responsável pelo levantamento de dados de estudo observacional que colocava em cheque a hidroxicloroquina

surgisphere - oms - lancet - hidroxicloroquina
Surgisphere pode ter enganado as maiores autoridades científicas e governos de todo o mundo | Foto: Reprodução

Causou espanto na comunidade científica a “expressão de preocupação” manifestada pelas revistas The Lancet New England Journal of Medicine a respeito da pesquisa publicada pela revista britânica em 22 de maio. O estudo afirmava que a hidroxicloroquina não deveria ser utilizada no combate à covid-19 por estar associada a uma maior taxa de mortalidade em pacientes com a doença e a problemas cardíacos aumentados.

Nesta quarta-feira, 03, porém, uma extensa reportagem do jornal britânico The Guardian explica o que levou as publicações a questionarem os dados do estudo.

Segundo o jornal, todos os dados utilizados para chegar às conclusões sobre a hidroxicloriquina foram retirados do banco de dados de uma empresa americana chamada Surgisphere, fundada e dirigida por um dos coautores da pesquisa em revisão, Sapan Desai.

Na investigação para a matéria, o Guardian descobriu que:

  • Pesquisa de material disponível ao público sugere que vários funcionários da Surgisphere têm pouco ou nenhum dado ou formação científica. Um funcionário listado como editor de ciências é autor de ficção científica e artista de fantasia. Outra funcionária listada como executiva de marketing é modelo adulto e anfitriã de eventos.
  •  A página do LinkedIn da empresa tem menos de 100 seguidores e na semana passada listou apenas seis funcionários. Isso foi alterado para três funcionários na quarta-feira.
  •  Embora a Surgisphere pretenda executar um dos maiores e mais rápidos bancos de dados hospitalares do mundo, quase não tem presença on-line. Seu perfil no Twitter tem menos de 170 seguidores, sem postagens entre outubro de 2017 e março de 2020.
  • Até segunda-feira, o link “entrar em contato” na página inicial da Surgisphere redirecionava para um site de criptomoeda, levantando questões sobre como os hospitais poderiam facilmente entrar em contato com a empresa para ingressar em seu banco de dados.
  • Desai foi nomeado em três processos por negligência médica, não relacionados ao banco de dados da Surgisphere. Em entrevista, Desai descreveu anteriormente as alegações como “infundadas”.
  • Em 2008, Desai lançou uma campanha de crowdfunding no site indiegogo, promovendo um “dispositivo de elevação humana de próxima geração que pode ajudá-lo a alcançar o que você nunca imaginou ser possível”. O dispositivo nunca teve sucesso.
  • A página da Wikipedia de Desai foi excluída após perguntas sobre a Surgisphere e sua história.

O estudo agora posto à prova afirmou ter levantado dados de 96 mil pacientes com covid-19 em 671 hospitais espalhados pelo mundo. A história, no entanto, começou a ruir quando o Guardian australiano questionou o número de mortes contabilizados no país no período da pesquisa.

O problema é que, até então, a OMS já havia suspendido a hidroxicloroquina de seus testes com medicamentos para combate ao coronavírus e países como o Peru usaram estudos de Sapan Desai para incluir drogas como a ivermectina, um antiparasitário, em seus protocolos de tratamento.

Reviravolta: OMS retoma testes com hidroxicloroquina

Ainda no Guardian, “O Dr. James Todaro, que dirige o Medicine Uncensored, um site que publica os resultados dos estudos com hidroxicloroquina, disse: ‘A Surgisphere surgiu do nada para conduzir talvez o estudo global mais influente nessa pandemia em questão de poucas semanas. Não faz sentido’, disse ele. ‘Isso exigiria muito mais pesquisadores do que afirma ter para que esse expediente e [tamanho] de estudo multinacional sejam possíveis’.

Desai não conseguiu explicar à reportagem como realizou a proeza e nem quando foi que sua empresa deixou de ser um negócio que vendia livros de medicina para se tornar um banco de dados médicos.

Para o professor de doenças infecciosas emergentes e saúde global do Departamento de Medicina de Nuffield da Universidade de Oxford, Peter Horby, “as preocupações muito sérias levantadas sobre a validade dos trabalhos de Mehra et al precisam ser reconhecidas e acionadas com urgência e devem trazer sérias reflexões sobre se a qualidade editorial e da revisão por pares durante a pandemia foi adequada”, pontuou ao Guardian. “A publicação científica deve acima de tudo ser rigorosa e honesta. Em caso de emergência, esses valores são mais necessários do que nunca.”

 

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12 comentários

    1. Sério mesmo e o Mandetta atestar que a OMS estava certa…eu sempre acredito no meu Presidente.
      Pq vcs acham que ele não usa máscara?

  1. Uma vergonha completa. São os bastidores da indústria farmacêutica. Enquanto isso, os pobres dependentes do SUS, vão doando suas vidas para a politicagem.

    1. Absurdo!!! Genocídio!!! Como podemos ter uma OMS sem critérios para filtrar o que é realmente científico ? A OMS presta um desserviço à saúde e colabora desde o princípio da pandemia para milhares de mortes e sofrimento! Alguém precisa parar esses criminosos!!!

      1. A conclusão é que a OMS, mais atrapalha que ajuda! Uma das responsáveis pela catástrofe de tudo isso que está acontecendo, juntamente com a mídia e os políticos aproveitadores.

  2. Para se aferir a podridão da indústria farmacêutica, sugiro que se leia o livro “Medicamentos Mortais e Crime Organizado”, de Peter C. Gotzsche.

  3. Certamente esse pilantra era amparado por gente politicamente correta e progressista. É a nova ciência do século XXI, ideologizada, mal-intencionada, irresponsável. Quando eu li o artigo na Lancet logo vi a pataquada. Nada de dosagens, nada de comparações entre internamentos e medicações, tudo meio nebuloso. E olha que eu sou leigo no assunto. Interessante que a mídia mainstrean e a tv não questionaram tal bobagem. Mas a LANCET e a OMS, trôpegas em seu saber mandarin logo se dispuseram a avalizar essa porcaria. Por isso admiro Trump, ele não passa pano, vai no cerne.

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