Novo estudo sobre cloroquina não avalia eficácia do tratamento precoce, diz médico

Os resultados da pesquisa foram publicados na quinta-feira 23 pelo periódico New England Journal of Medicine
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Pacientes com a covid-19 ouvidos por Oeste confirmam que melhoraram depois de usar o medicamento | Foto: MARCELO CASAL/AGÊNCIA BRASIL
Pacientes com a covid-19 ouvidos por Oeste confirmam que melhoraram depois de usar o medicamento | Foto: MARCELO CASAL/AGÊNCIA BRASIL | Pacientes com a covid-19 ouvidos por Oeste confirmam que melhoraram depois de usar o medicamento | Foto: MARCELO CASAL/AGÊNCIA BRASIL

Os resultados da pesquisa foram publicados na quinta-feira 23 pelo periódico New England Journal of Medicine

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Caixa de hidroxicloroquina | Foto: REPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL
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O mais recente estudo brasileiro sobre a eficácia da cloroquina no tratamento da covid-19 foi publicado na última quinta-feira, 23, pelo periódico New England Journal of Medicine. A pesquisa, feita pela coalizão formada pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa, pelo Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), foi realizada com 665 pessoas de 55 hospitais brasileiros.

O estudo contou com apoio da farmacêutica EMS, que forneceu os medicamentos, e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A iniciativa, chamada Coalizão COVID-19 Brasil, verificou que o uso de hidroxicloroquina, sozinha ou associada com azitromicina, não mostrou efeito favorável na evolução clínica de pacientes adultos hospitalizados com formas leves ou moderadas de covid-19.

O diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e também integrante da coalizão, Álvaro Avezum, aponta para os outros trabalhos do grupo atualmente em andamento. “O uso da hidroxicloroquina para avaliar eficácia e segurança em pacientes não hospitalizados está sendo avaliado. [Isso] avaliará se hidroxicloroquina é eficaz e segura para reduzir hospitalização e complicações da covid-19″, analisa ele, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Critérios de seleção dos pacientes para tratamento da covid-19 com cloroquina e hidroxicloroquina

Embora o título do artigo publicado pela Coalizão COVID-19 Brasil cite que as medicações hidroxicloroquina e azitromicina foram usadas em pacientes com sintomas leves e moderados, na descrição dos métodos utilizados menciona-se que o estudo envolveu “pacientes hospitalizados com suspeita ou confirmação de covid-19 que não estavam recebendo oxigênio suplementar ou no máximo 4 litros por minuto de oxigênio suplementar”.

Segundo o médico infectologista Francisco Cardoso, o estudo Coalizão não serve para desqualificar a hidroxicloroquina porque ele não avaliou a medicação para tratamento da covid-19 nos primeiros dias da doença. Nos critérios de inclusão e exclusão do estudo, de acordo com Cardoso, consta que os pacientes que já faziam uso das medicações em teste foram excluídos, ou seja, “eles excluíram o tratamento precoce do estudo”.

Em uma rede social, o médico Francisco Cardoso disse ainda que o estudo não se propôs a avaliar o tratamento precoce e rebateu os resultados da pesquisa:

• Critérios de inclusão pegam pacientes no estágio 2a e 2b, pois só viram em hospitalizados (pacientes leves não são internados, apesar de o título falar em casos leves a moderados);
• Dose de hidroxicloroquina de 800 mg em todos os dias sem motivo para tal, com óbvio aumento de efeitos adversos.
• Incluem pacientes já com hipóxia em VNI [ventilação não invasiva] e pré-entubação.
• Tempo médio de início de sintomas de 48 horas a 14 dias para início da intervenção.

Tratamento precoce x casos leves e moderados

Além disso, Cardoso explica que há uma diferença entre tratar casos leves e moderados da doença e realizar o tratamento precoce nos pacientes contaminados pelo coronavírus. O médico afirma que 80% dos pacientes vão manifestar a doença de forma leve a moderada. “O problema é que não é possível saber quais serão os 20% que vão evoluir para a forma grave; por isso a importância do tratamento precoce.” Para os defensores do tratamento nas fases iniciais da doença, a intervenção com medicamentos com potencial efeito antiviral, como a cloroquina, a hidroxicloroquina, o antibiótico azitromicina e o vermífugo ivermectina, deve ser iniciada em até cinco dias da manifestação dos sintomas.

Conheça casos de pessoas que utilizaram a cloroquina no tratamento para covid-19

Outro fato que chama atenção é que o estudo teve início no dia 29 de março, com inclusão do último paciente em 17 de maio. “Que hospital, há três meses, estava internando casos leves de covid?”, questiona Cardoso. “Porque a política era, se você está com sintomas leves, fique em casa e só procure o hospital com sintomas graves. Era a orientação oficial, do próprio Ministério da Saúde (MS).” Somente em 9 de julho o MS mudou o protocolo e passou a orientar que a pessoa deve procurar atendimento médico tão logo os sinais da covid-19 sejam percebidos. Para Cardoso, isso é uma indicação de que os pacientes selecionados para o estudo “não eram casos tão leves nem tão moderados. Já eram casos que estavam no estágio 2a e 2b, ou seja, com síndrome inflamatória em andamento”.

Ainda sobre o tratamento precoce, leia: “Covid-19: O tratamento precoce pode vencer o coronavírus”

De acordo com o médico, o próprio estudo faz uma ressalva ao assumir que deveria ter iniciado mais cedo o tratamento dos pacientes com hidroxicloroquina: “Por fim, embora o tempo médio entre o início dos sintomas e a randomização tenha sido de sete dias, incluímos pacientes até 14 dias após o início dos sintomas; é concebível que intervenções que possam limitar a replicação viral (por exemplo, hidroxicloroquina) possam ser mais eficazes mais cedo no curso da doença”, informa o estudo.

Em maio, a renomada revista científica britânica Lancet publicou um estudo sem comprovação científica indicando a baixa eficácia do uso da cloroquina e hidroxicloroquina em fase hospitalar, ou seja, no estágio mais avançado da covid-19. Menos de duas semanas depois, a publicação emitiu nota de retratação dos autores do trabalho.

 

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18 comentários

  1. Tá na hora do MINISTÉRIO DA SAÚDE sair debaixo da cama e DEFENDER COM VEEMÊNCIA O TRATAMENTO PRECOCE, MOSTRANDO NÚMEROS E GRÁFICOS QUE MOSTRAM A EVOLUÇÃO DOS PACIENTES EM TODO PAÍS.

    Movimentos como MÉDICOS PELA VIDA e todos os demais grupos no Brasil, UNIMED, HAPPY VIDA, PREVENT e demais planos de saúde, hospitais e levantarem rapidamente contra esta POLITICAGEM E LOBBY a favor de grupos farmacêuticos, de militantes da Fiocruz, do Butantam, do governo chinês, da imprensa fúnebre que ENOJAM A NOSSA MEDICINA.

    Já deu, né??
    ACORDA, BOLSONARO!!

    1. Acho que fixa claro a inadequação da pesquisa. A inflamação geralmente começa no sétimo dia em que a pessoa está contaminada. Depois do sexto dia a cousa muda de figura. O tratamento maia êxito do e nos primeiros dias antes da fase inflamatória. O Dr. Cardoso lê.brou bem que em .arco até metade de junho os pacientes em fase inicial não procuravam hospitais, muito . Enos eram internados. Pissivel qye as condicies doanpacie tes da lesquisa ja estivessem num grau mais avançado embora não tão grave.

  2. Reitero ambos comentários que antecedem ao presente, o inserto extraído a seguir define o escopo da pesquisa que fora realizada:
    =>Segundo o médico infectologista Francisco Cardoso, o estudo Coalizão não serve para desqualificar a hidroxicloroquina porque ele não avaliou a medicação para tratamento da covid-19 nos primeiros dias da doença. Nos critérios de inclusão e exclusão do estudo, de acordo com Cardoso, consta que os pacientes que já faziam uso das medicações em teste foram excluídos, ou seja, “eles excluíram o tratamento precoce do estudo”.<=.
    Não é de se estranhar que a pesquisa não foi feita de acordo com o que a enorme maioria dos médicos constataram de forma empírica: – De que a hidroxicloroquina associada a outras drogas nas primeiras horas da infecção, geralmente, elimina as posteriores fases agudas da contaminação.
    A pesquisa parece conhecer seu prévio resultado, de que após alguns dias de contaminação o coquetel de drogas composto pela hidroxicloroquina, já não atende mais, para reforçar tal NEGATIVA.
    Num meio de ignorantes e maus-caracteres, essa pesquisa deve atender aos interesses do grupo de instituições que dela participaram e dos políticos venais e vendilhões do País.
    Todos do mesmo saco de farinha!

    1. O que estamos vendo é um vedadeiro assassinato, estão usando vidas humanas como COBAIA, para tentar provar o improvavel, ou seja , dizer que a HIDROXICLOROQUINA, não é eficaz contra o COVID-19. Isto apenas por motivos politicos-finaneiros. Acontece que: para tentar provar sua tese, “ESTÃO AGINDO ERRADAMENTE DE PROPOSITO,” ISTO É: COM RELAÇÃO AO ESTADO DO PACIENTE E A DOSAGEM ALTAMENTE EM DISCORDANCIA, DO PROTOCOLO RECOMENDADO PELOS MÉDICOS BRASILEIROS E ESTRANGEIROS, QUE PROVAM CATEGORICAMENTE COM RESULTADOS POSITIVOS,… A EFICACIA DO MEDICAMENTO.”

  3. Tem um estudo de um cientista e epidemiologista acho que americano , com mais de 300 artigos cientificos pu blicados, que atestou a eficuencia da hidroxicloroquina. O site conexão política publicou artigo à respeito.

  4. Além disso, pacientes que usaram hidroxicloroquina desde que por menos de 24 horas foram incluídos no grupo controle, como se fossem virgens de tratamento! Isso tende a um resultado neutro.
    Também o intervalo de confiança foi muito amplo e OS PRÓPRIOS AUTORES no texto escrevem que não tiveram poder estatístico para nem excluir benefício, nem aumento de paraefeitos.
    Mas como ninguém lê os papers, só manchetes,….e, além disso, o que conta é a narrativa….então….

  5. E claro que vão ser contra cloroquina,e sei lá mais o que tiverem já pronto para funcionar,que lucro vão ter,com uma doença que já tem tratamento?
    Doença nova,remédio novo gente,assim vão ter mais lucro!

  6. Falta clareza nas discussões. O fato de os estudos mostrarem diferença favorável nos desfechos mas por margem insuficiente para a aceitação de que esse desfecho favorável possa ser generalizado como “provável” (margem de erro aceitável para 95% de tentativas) não significa que não tenha efeito. Significa que o efeito encontrado não é suficiente para que seja afirmado que a cada 100 novos ensaios ou tratamentos, 95 reproduzam os mesmos resultados. Existe uma diferença muito importante entre se ter uma evidência que possa ser generalizada, se ter uma hipótese fundamentada em relatos empíricos e se ter uma evidência de malefício. Para propor um tratamento para uma doença, é necessário que os estudos mostrem efeito suficientemente robusto para que possa ser generalizado com chances razoáveis de sucesso em 95 de cada 100 tentativas. Sem isso, podemos recomendar cautela e fornecer aos médicos e seus pacientes os resultados empíricos de que se dispõe para que, respeitando suas autonomias e capacidades , possam decidir, mesmo com todas as incertezas em meio às quais deverão fazer suas escolhas, sem falsas certezas.

  7. Vejam na íntegra do estudo no NEJ, pág 26, resultados do estudo. Mortes no grupo que utilizou HCQ/AZT : 4 pessoas (1.9%). Mortes no grupo controle sem medicação: 9 pessoas (3.9%). Mesmo com todos os vícios absurdos do estudo, inclusive 13% a mais de homens no grupo que utilizou a medicação, o resultado é AMPLAMENTE FAVORÁVEL Á UTILIZAÇÃO DA MEDICAÇÃO . INDICE DE MORTALIDADE É O DOBRO NO RAMO QUE NAO USOU OS REMÉDIOS.

  8. ” pacientes adultos hospitalizados com formas leves ou moderadas”
    Formas LEVES, não são hospitalizadas.
    Infelizmente a medicina foi politizada.
    Já se foi o tempo em que New England Journal of Medicine era leitura obrigatória para os médicos.

  9. Estudo feito pra confundir, não esclarecer. Difícil ter algo cientificamente relevante produzido por aqui. Essa algazarra de fatores de confusão nesse paper atesta essa triste realidade. Estranho é ver que isso foi aceito para publicação no NEJM.

  10. Que reportagem DIGNA, que respeita de fato a vida humana!!!! Quanta luz ela traz para dados que passariam desapercebidos por reportagens maliciosas que só tem como objetivo confundir a população!!!Parabéns Reporter e DR!!!!!

  11. Triste constatar a politização de um medicamento que, se usado precocemente, poderia ter salvo milhares de vidas de irmãos brasileiros. O objetivo do remédio não é curar da doença mas evitar que ela escale para níveis graves de inflamação e isso de forma empírica e em alguns estudos têm sido comprovado, portanto mais que suficiente para ser usado. O remédio apenas dá condições (tempo) para que seu próprio organismo reaja a a doença, criando defesas e combatendo eficazmente.

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