Os arautos do caos foram trucidados pela covid-19

Átila Iamarino chegou a prever 1,4 milhão de mortos até o fim de agosto no Brasil. Neste 1º de setembro, o número de óbitos é 10 vezes menor
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O youtuber Atila Iamarino: fake news sobre a cloroquina em rede social | Foto: REPRODUÇÃO/ARQUIVO PESSOAL
O youtuber Atila Iamarino: fake news sobre a cloroquina em rede social | Foto: REPRODUÇÃO/ARQUIVO PESSOAL | youtuber atila iamarino - fake news - cloroquina

Átila Iamarino chegou a prever 1,4 milhão de mortos até o fim de agosto no Brasil. Neste 1º de setembro, o número é 10 vezes menor

youtuber atila iamarino - fake news - cloroquina
O youtuber Atila Iamarino | Foto: REPRODUÇÃO/ARQUIVO PESSOAL

Em março deste ano, o coronavírus já havia se espalhado pela maior parte dos países do globo e feito as primeiras vítimas no Brasil. Ao mesmo tempo em que a doença se alastrava, começaram a surgir pelos cinco continentes os chamados arautos do caos, um grupo de “pesquisadores” e “cientistas” especialistas em disseminar o medo numa velocidade maior — e sem dúvida muito mais devastadora — que a do próprio vírus.

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Por sorte, a maioria das previsões não chegou nem perto de se realizar.

Leia também: “Covid-19: um panorama sobre as mortes no Brasil”

Dimas Covas, por exemplo, diretor do Instituto Butantan e um dos principais conselheiros do governador paulista, João Doria, sentenciou em 6 de abril que o vírus mataria nada menos do que 111 mil pessoas só no Estado de São Paulo até o fim de agosto. Neste 1º de setembro, são 30 mil mortos — 81 mil a menos que o previsto.

“Essa é uma curva que já apresentei anteriormente. Ela é importante porque dá uma projeção para 180 dias de duração da epidemia”, disse Covas em abril, antes de atirar a bomba. “Se não houvesse nenhum tipo de medida, nós teríamos 277 mil mortes no Estado de São Paulo. Com as medidas, vamos reduzir 166 mil mortes.”

Dimas Covas ainda não explicou a diferença abissal entre expectativa e realidade.

Outro que até o momento também não se deu ao trabalho de comentar a previsão de “1 milhão de mortes em todo o Brasil até o fim de agosto” foi Átila Iamarino. Formado pela USP, o biólogo saiu do completo anonimato de mãos dadas com o vírus chinês.

“Se o Brasil não fizer nada, se as empresas continuassem funcionando em todos os lugares, se a gente não tivesse decretado estado de emergência, se todo mundo tivesse seguindo a vida normal, como alguns estão pregando, seguindo essa projeção aqui, só pela covid, teríamos 1,4 milhão de mortos até o fim de agosto”, disse num vídeo publicado no YouTube em 20 de março.

Seus mentores eram os pesquisadores de um também até então pouco conhecido Imperial College, que dias antes haviam feito previsões ainda mais sinistras para o Reino Unido e os Estados Unidos. Em 26 de março, empolgados com a repercussão, os ingleses resolveram ampliar o resultado de seus “estudos” para o resto do mundo.

Conclusão do Imperial College: em 250 dias — data que se alcança na próxima semana, 7 setembro —, o coronavírus mataria algo entre 1,8 milhão e 40 milhões de vítimas em todo o planeta Terra, dependendo do grau de confinamento estipulado pelos países. No Brasil, os óbitos ficariam entre 40 mil e 1,1 milhão.

Imagem retirada do “Report 12 – The global impact of covid-19 and strategies for mitigation and suppression”, publicado pelo Imperial College em 26 de março de 2020

Os números publicados neste 1º de setembro pela Universidade Johns Hopkins trucidam essas previsões. Somados, os mortos pelo coronavírus no mundo não chegaram a 850 mil. O número não corresponde nem à metade da estimativa britânica, a menos pessimista.

Plataforma mantida pela Johns Hopkins com as notificações da covid-19 | Imagem retirada da internet

No Brasil, os mortos estão atualmente em 122 mil. O número, embora terrível, é muitíssimo inferior ao 1,1 milhão de cadáveres previstos no cenário mais pessimista do Imperial College.

Diante dos fatos, fica a pergunta: como alguém ainda leva esses arautos do caos a sério?

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26 comentários

    1. O problema que o brasileiro médio, infelizmente, não entende o que é PREVISÃO, ou seja, o modelo preditivo adotado, sugere que o resultado tem x% de chance de ocorrer. Como tínhamos poucos dados do comportamento do vírus, diversas dessas previsões foram feitas erradas.

  1. Segundo a matéria =>”Dimas Covas, por exemplo, diretor do Instituto Butantan e um dos principais conselheiros do governador paulista, João Doria, sentenciou em 6 de abril que o vírus mataria nada menos do que 111 mil pessoas só no Estado de São Paulo até o fim de agosto. Neste 1º de setembro, são 30 mil mortos — 81 mil a menos que o previsto.”<=.
    Se ressalta, além do absurdo erro que trouxe mais pânico e desordem no seio social, as 30 mil mortes ocorridas não foram, em sua grande maioria, por única responsabilidade do corona vírus, foram de outras mazelas que estatisticamente vem ocasionando progressivas mortes há anos, conforme registros confiáveis dos Cartórios.
    A maior vergonha é do povo alienado que, por questões políticas, interesses e/ou alienação, se deixa levar pela má-fé da esquerda; reconhecidamente o pior mau existente no Brasil!

    1. Compartilho a opinião de Guilherme Fiuza e outros. Nem 120 mil mortes tivemos no Brasil. Evidentemente, existem outras variáveis para se se chegar ao número mais próximo da realidade. Uma certeza a história mostrará:- Não chegou a 60 mil, as mortes . Uma combinação macabra com os influentes psdbpsololulopetistas que aparelharam todos os órgãos considerados sérios do governo, combinados com inescrupulosos grupos médicos-hospitalares que assustavam e induziam a que certidões de óbitos fossem fornecidos como covid, além de mortes causadas por todo tipo de acidente, também determinassem como causa da morte , a covid, em suas certidões. Sem contar que o tratamento precoce (por má fé ou por ignorância) foi iniciado em estágio avançado da doença. Em resumo…. Uma canalhice colocada em prática por uma gama de bandidos com o objetivo de roubar o $$$ publico e derrubar o governo. Aparecerão, mais cedo ou mais tarde os cabeças dessa conspiração !!

      1. Esses camaradas quase mataram o povo de medo e só não mataram de fome porque o Governo Bolsonaro não deixou. O ostracismo é o final desses crápulas.

      2. Que Deus o ouça! Eu nao acredito muito nisso. Acho que vão continuar sempre perto do poder, usufruindo de suas benesses e debochando dos pagadores de impostos que lhes mantem as mirdomias.

      3. Parabéns pelo seu comentário mto bem analisado, concordo com tdo q escreveu,eu tbm ouvi varios casos de pessoas comentando q tal parente faleceu com determinada doença, e na certidão do hospital atestava covid 19,os parentes contestavam respondiam ser ordens, total absurdo pois por este motivo os familiares não podiam nem ao menos fazer um enterro decente nem se despedir do ente querido.

  2. Minha previsão, com base em fatos, é que esse Átila em breve será esquecido e só aparecerá em panfletos colados nos postes oferecendo serviços de “traga seu amor de volta”, “vidente do casamento”, “faço amarração”, e por aí vai.

  3. Este esquerdopata inútil (redundante) foi recentemente agraciado pelo TSE exatamente para falar de fake news nas eleições. Um deboche inacreditável com a sociedade por parte dessa excrescência chamada “justiça” eleitoral, coisa que ninguém sabe para q serve. Este sujeitinho deveria ser indiciado criminalmente pq foi mais um a espalhar mentiras acerca da doença da ditadura chinesa e por espalhar o pânico nas pessoas sem qualquer fundamento, visto que o Brasil, graças ao Presidente Bolsonaro, foi um dos países com maior número de curados e com o menor número de mortes.

  4. Por que será que não vi nenhuma matéria com as previsões desastrosas do Bozonaro e do Osmico Terra Plana? Bolsonaro disse que a pandemia mataria no máximo 800 pessoas no Brasil. De onde ele tirou tal previsão? Como chegou a este número? Era ciência barata ou pura canalhice mesmo?

  5. Caraca, nunca vi tanta idiotice sobre modelos de previsão, sobretudo aqueles que trabalham com “caso nada seja feito”. O gado é muito pateta.

  6. Para fazer oposição a um governo, uma ideia, deve-se usar mais a inteligência que raiva, ignorância e aluguel da própria consciência em troca da alguns caraminguás. Segundo o consagrado escritor italiano Umberto Eco, ” a internet deu voz a uma legião de imbecis ” Em época de muita informação e pouco conhecimento nas redes sociais, que são sim veículos importantes, mas ficam à mercê de Felipe Neto, Átila, mídia alugada e almas a serviço do caos e imbecis de aluguel. Gente que é tão sábia, que entende de atracação de navio à armação de mundéu, de cura de espinhela caída ao alívio de difruço. Daí, por estarem com as almas alugadas, não têm a honestidade de ao menos pedirem desculpas pelo pânico que provocaram. Enfim, as pessoas só dão o que têm, especialmente, honestidade. O tal Átila? Não é alguém que mereça respeito por sua ” ciência ” de araque. O Átila é apenas o Átila.

  7. Sem falar que dessas alegadas 120 mil mortes, 99% foram de outras causas, mas jogadas nas costas do Corona para justificar a histeria que eles mesmos criaram.

  8. A própria matéria é alarmista do avesso, pois fala que o pesquisador Atila mostrou estimativas entre 40 mil a mais de 1 milhão de mortes, dependendo de medidas tomadas. Disse que o número é 10 x menor q a estimativa mais pessimista (se nenhuma medida fosse tomada), mas nem se deu ao trabalho de comentar q é 3x maior que a estimativa mais otimista (se todas as medidas fossem tomadas). Sigo o pesquisador e ele explicou várias vezes os números.
    Isso me faz enxergar esta própria matéria jornalística como tendenciosa.

    1. Então… vaquinha da ciência… cadê os caminhões do Exército recolhendo corpos empilhado pelas ruas, conforme previu o Ministro cientista Mandetta?

  9. Se atentem à frase completa: “SE TODO MUNDO TIVESSE SEGUIDO A VIDA NORMAL, SEGUINDO ESSA PROJEÇÃO (projeção matemática com variáveis iniciais) A PROJEÇÃO PARA O BRASIL É DE 1,4M DE MORTOS”.

    Com todo respeito, mas todos aqui REALMENTE não entendem nada sobre modelos, padrões, dados ou extrapolação de estudos.

    O valor de 1 milhão tem como base nenhuma medida adotada. Este NÃO foi o nosso cenário!
    À partir do momento que uma simples medida de uso de máscaras é adotado, uma variável importante (fluxo de ar contaminado circulante) cai. Se essa variável cai, o número final de infectados também cai.
    Assim como descoberto POSTERIORMENTE à previsão, a carga viral inicial no corpo também influencia na gravidade da doença gerada pelo vírus. Neste caso, uma grande quantidade de pessoas após o implemento das máscaras provavelmente adquiriu uma carga viral baixa, o que termina em uma “potencia branda” em relação à nenhuma medida.

    Para negacionistas da ciência, 122mil mortes estão bem distantes dos 1M previsto pelo modelo DO IMPERIAL COLLEGE. Porém, se alguém aqui for justo pra ver os vídeos em sequência novamente, este é um dos valores previstos dadas as medidas tomadas por todos os entes governamentais brasileiros.

    Tanto faz lula, bolsorano, levy fidelix, marina silva. Boulos… se as medidas foram tomadas e a população como um todo começou a tomar mais cuidado, o cenário de 1M não existe pois as variáveis mudadam. Lógica simples, matéria tendenciosa e tristeza de saber que uma revista que eu costumo acompanhar está trazendo informações levianas em relação ao cientista.

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