Jornalistas da Folha publicam carta contra artigo sobre racismo

Grupo não gostou de texto publicado por Antonio Riserio
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Sede do Jornal Folha de S.Paulo, na capital paulista | Foto: Divulgação/Folha de S.Paulo
Sede do Jornal Folha de S.Paulo, na capital paulista | Foto: Divulgação/Folha de S.Paulo

Um grupo de jornalistas da Folha de S.Paulo publicou um abaixo-assinado nesta quarta-feira, 19, contra um artigo sobre racismo inverso. No documento endereçado ao conselho editorial da publicação, os profissionais atacam o autor do texto, Antonio Riserio, e manifestam “preocupação” com o conteúdo.

“Sabemos ser incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da chefia, mas, se o fazemos neste momento, é por entender que o tema tenha repercussões importantes para funcionários e leitores do jornal e no intuito de contribuir para uma Folha mais plural”, informa trecho da papelada.

Segundo os 186 jornalistas que assinam a nota, o problema se deu depois da publicação do artigo “Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo”. Escrito pelo antropólogo Antonio Risério, o texto discorre sobre a existência do racismo reverso, em que negros discriminam brancos.

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Leia o documento

“Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa preocupação com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal.

Sabemos ser incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da chefia, mas, se o fazemos neste momento, é por entender que o tema tenha repercussões importantes para funcionários e leitores do jornal e no intuito de contribuir para uma Folha mais plural.

O episódio a motivar esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado “Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo” (Ilustrada Ilustríssima, 16/1), em que Antonio Riserio identifica supostos excessos das lutas identitárias, que estariam levando a racismo reverso.

Para além de reafirmarmos a obviedade de que racismo reverso não existe, não pretendemos aqui rebater o que afirma o autor — pessoas mais qualificadas do que nós no tema já o fizeram, dentro e fora do jornal.

No entanto, manifestamos nosso descontentamento com o padrão que vem se repetindo nos últimos meses.

Em mais de uma ocasião recente, a Folha publicou artigos de opinião ou colunas que, amparados em falácias e distorções, negam ou relativizam o caráter estrutural do racismo na sociedade brasileira. Esses textos incendeiam de imediato as redes sociais, entrando para a lista de mais lidos no site. A seguir, réplicas e tréplicas surgem, multiplicando a audiência. A controvérsia então se estanca e morre, até que um novo episódio semelhante surja.

Antes do artigo em questão, colunas de Leandro Narloch e Demétrio Magnoli cumpriram esse papel.

Acreditamos que esse padrão seja nocivo. O racismo é um fato concreto da realidade brasileira, e a Folha contribui para a sua manutenção ao dar espaço e credibilidade a discursos que minimizam sua importância. Dessa forma, vai na contramão de esforços importantes para enfrentar o racismo institucional dentro do próprio jornal, como o programa de treinamento exclusivo para negros.

Reconhecemos o pluralismo que está na base dos princípios editoriais da Folha e a defesa que nela se faz da liberdade de expressão.

No entanto, estes não se dissociam de outros valores que o jornalismo deve defender, como a verdade e o respeito à dignidade humana. A Folha não costuma publicar conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura, terraplanistas e representantes do movimento antivacina.

Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil?

Se textos como o de Antonio Riserio atraem audiência no curto prazo, sua consequência seguinte é minar a credibilidade, que é, e deve ser, o pilar máximo de um jornal como a Folha.

Por esses motivos, convidamos a uma reflexão e uma reavaliação sobre a forma como o racismo tem sido abordado na Folha. Acreditamos que buscar audiência às expensas da população negra seja incompatível com estar a serviço da democracia.”

Leia também: “Delação fantasiada de jornalismo”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 82 da Revista Oeste

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24 comentários Ver comentários

  1. Existe racismo de várias formas, inclusive de negros contra brancos, e devem ser combatidos também com a mesma intensidade que qualquer outra forma de racismo.
    Ninguém pode se sobrepor a outro por discriminação, seja em qualquer sentido, tem que ser mão dupla.

  2. Não sou branco e nem negro, sou um brasileiro de cor comum que é pardo/latino, e é chato ser chamado pelos argentinos de macaco(que é injuria e nao racismo), não me sinto ofendido pq vejo qualidades excelentes nos primatas, um gorila é fantastico pena que nao tem no brasil, a maneira com que falavam é que era um ataque de puro ódio, a maneira que eu retruquei foi chama-los de “comedor de perro(cachorro)” por causa do socialismo e incrivelmente eles calaram a boca. Quer acostumar com bulling e ofensas é só jogar um joguinho multiplayer qualquer, rapidinho vc entende que eles nao estao falando de vc, mas estao frustrados por vc ter matado eles no joguinho. E com o tempo vc vai rir ao ouvi-los histericamente imitar um macaco e hipocritamente acusar vc de ser. É a “Esquerda purinha” com a tatica de “acuse-os do que vc é!”

  3. LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989.
    Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

    Houaiss:
    racismo

    Datação: sXX

    90|s.m.|substantivo masculino

    1 conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias

    2 doutrina ou sistema político fundado sobre o direito de uma raça (considerada pura e superior) de dominar outras

    3 preconceito extremado contra indivíduos pertencentes a uma raça ou etnia diferente, ger. considerada inferior

    4 atitude de hostilidade em relação a determinada categoria de pessoas

  4. Balela!!! Dizer que a luta por uma “Folha plural”… Se fosse, não fariam abaixo assinado. O contrário estariam batendo palmas??? Vão para….

  5. Na verdade, É a Verdade.
    Quando uma manifestação desse tipo acontece, é o choque de ver um dos seus iguais expor a realidade, durmam com isso ,é só o despertar.

  6. A Chamada esta equivocada, vocês queriam se referir aos Blogueiros da folha,
    vamos trata-los como eles tratam seu colegas jornalistas da direita.

  7. Tenho um filho negro e sempre digo a ele: Não se deixe levar por esta imbecilidade que quer fazer de voce um ser inferior e dependente. O ser humano sempre foi agressivo e nem por isto acabaram com os humanos. Quando tratarmos negros, brancos, japoneses, vermelhos como seres humanos e não separá-los viveremos melhor. Mataram milhares de judeus, bruxas, religiosos, grupos minoritários e nem por isto ficam diminuindo estas pessoas chamando-os de coitados.

  8. Dar espaço para o tema “racismo” sempre foi algo perigoso em todo o mundo.

    O Brasil é um país de mestiços. Eu, sou mestiço. Quem não é, levante a mão que eu vou contar nos dedos das minhas mãos.

    Se é que já teve, há muitas décadas que nosso país não tem um racismo do tipo que cria segregação, apartheid, divisão. Onde é que existe uma “comunidade negra” no Brasil? São raríssimas! Temos comunidades pobres, sim, compostas de gente de todos os tons de pele. Se há uma predominância de peles morenas (raríssimas são negras) nessas comunidades, é por fatores históricos ainda recentes, cujos efeitos vêm se dissipando ao longo do tempo. Entre num condomínio de classe média do Rio ou São Paulo e encontre alguém que não seja mestiço! Não será fácil.

    Até recentemente, as diferenças raciais eram um tema mais ligado ao anedotário do que ao modo de vida do brasileiro, e incluíam as infinitas piadas sobre portugueses e japoneses, por exemplo. E todos se divertiam com o personagem “branquelo”, “negão”, “japa”, “alemão batata”, e tudo que pudesse ser usado para fazer chacota. Todos crescem juntos, jogam futebol juntos, vão à praia juntos e curtem o baile ou a balada juntos. “- Ah!, mas as boas oportunidades são só para os brancos”. Que brancos? Desde quando mestiço é branco? Qual português ou espanhol não teve um antepassado mouro, num espaço de alguns poucos séculos?

    Racistas? Sempre existirão. Racismo? Sempre existirá. Mas onde há mais racismo é na cabeça de quem vê racismo em tudo, e não podemos deixar que essas pessoas pautem o comportamento e as emoções de toda uma sociedade miscigenada como a nossa, onde aprendemos que as diferenças não nos separam, muito pelo contrário, nos tornam mais interessantes.

    O potencial desse culto ao racismo que surgiu no Brasil nas últimas décadas, é catastrófico. Mas é exatamente aí que entra o interesse dos esquerdistas, que, com exemplos vistos lá fora, perceberam que um certo tipo de racismo daria um excelente cavalo de batalha para desestabilizar e destruir a sociedade existente.

    E essa batalha já está bem avançada, pelo tamanho da reação desses jornalistas da Folha. A eles só interessa esse tipo especial de racismo, porque é o seu instrumento de luta. Qualquer tentativa de diversificar o racismo, enfraquece a causa que eles criaram. Relativiza e suaviza o problema que eles, teoricamente, buscam solucionar, mas que sabem ser de solução tão improvável quanto um homem se tornar uma mulher e uma mulher se tornar um homem. Teriam que mudar o DNA das pessoas, e isso ainda não é possível nessa profundidade.

      1. Escreveram e assinaram?
        Bem que a folha podia demitir todos sumariamente.

  9. Ou seja, essa nota do jornal quis dizer em outras palavras: pluralismo de ideias, liberdade de expressão e democracia só vale quando repetem as nossas narrativas ou quando se tem a mesma opinião que a nossa. Quem são vocês para dizer o que é verdade e o que deve ser dito? Essa gente é uma piada haha, e ainda tem coragem de divulgar um nota vergonhosa como esta, depondo contra si mesmo. Haha.
    Essas pessoas não são democratas, são sem-vergonhas!

  10. Como poderiamos chamar um programa de treinamento exclusivo para negros? Então é a cor da pele que determina quem deve ser treinado ou não? Epa, mas existe uma divida social para com os negros. Foram escravizados, não tiveram a mesma oportunidade que os brancos. Os negros escravizados já morreram, se se esforçarem, trabalharem, estudarem, poderão se dar muito bem na vida independente da cor da pele. Há negros brilhantes e não por serem negros. Assim como há brancos deletérios, imbecis, improdutivos e não por serem brancos. Esse tipo de manifestação imbecil atrapalha o País, as pessoas, mostra falta de assunto além do que o rascismo não é problema jornalístico. Acho até que jornalistas como esses 186 fomentam o rascismo, fomentam as diferenças entre negros e brancos além de apregoarem a censura de forma clara. Antonio Riserio estabeleceu apenas uma tese baseado em estudos e não tem nada demais a sua publicação.

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