Medo da covid faz restaurantes evitarem conversa com garçons

Funcionários não podem falar sobre pratos, e pedidos agora são feitos por código QR e celular para evitar contato
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Garçom serve pedidos com máscara e protetor facial em restaurante
Garçom serve pedidos com máscara e protetor facial em restaurante | Foto: Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo

O medo da pandemia está fazendo os estabelecimentos adotarem medidas, no mínimo, inusitadas. Imagine que você tenha se programado para almoçar em um restaurante. Ao chegar, você não pode conversar com o garçom. Não pode perguntar qual é o prato do dia, saber o que os clientes mais pedem, o que combina com a carne que você deseja comer. Não pode pedir para trocar as fritas pelo arroz, a salada pela farofa.  

Com a promessa de oferecer segurança aos clientes e funcionários e evitar a contaminação pelo novo coronavírus, empresas de desenvolvimento de aplicativos aproveitaram a pandemia para criar soluções digitais para bares e restaurantes minimizarem o contato pessoal entre os frequentadores. 

Na confeitaria Zoet en Zout, uma das principais atrações da estância turística de Holambra, no interior de São Paulo, os garçons estão proibidos de falar com os clientes. Tudo é feito agora pelo telefone celular.

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Para fazer o pedido, é preciso escanear um código QR para ter acesso a um site — que só abre em alguns tipos de telefone celular. Até aí o procedimento é parecido com o adotado em muitos estabelecimentos durante a pandemia.

Mas, depois de escolher a refeição, em vez de fazer o pedido ao garçom, os pratos e as bebidas são selecionados no próprio site. É preciso inserir o número da mesa para que o pedido seja trazido por um garçom de máscara e touca.

A reportagem de Oeste presenciou o momento em que um cliente, ao tentar fazer contato com um funcionário para perguntar a sugestão do dia, recebeu uma resposta seca:  “Não sei, olhe no site”. A atitude desagradou ao consumidor, que diz acreditar que o trabalho de um bom garçom é parte essencial do serviço oferecido por um restaurante — ao menos em São Paulo.

Restaurantes exigem certificado de vacina contra covid

No espaço gastronômico Priceless, no centro histórico da cidade de São Paulo, os garçons até falam com os clientes, desde que eles apresentem na entrada o certificado de vacinação contra a covid-19.

Outros estabelecimentos na capital paulista, como o Cuia Café e o Mescla, também passaram a exigir a apresentação do comprovante de vacinação com duas doses. Já há cidades no Brasil que começam a cobrar passaporte com a terceira dose, e não somente as duas injeções do esquema vacinal da covid.

De acordo com a orientação do Ministério da Saúde ao anunciar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19,  a imunização não é obrigatória no Brasil — seja para adultos seja para crianças.

O passaporte vacinal chegou a ser anunciado em São Paulo, mas ficou opcional na capital. A exigência da vacinação é dos próprios restaurantes. Muitos temem o retorno de medidas restritivas adotadas em diversos momentos desde o início da pandemia. 

No final do ano, a exigência do comprovante de vacina de toda a tripulação e de passageiros em cruzeiros marítimos não impediu surtos de covid entre 100% vacinados. Muitos navios tiveram de retornar ao portos e suspender as viagens, em razão do alto número de contaminações pelo coronavírus.

Leia também: “Covid para sempre”, matéria publicada na edição 95 da Revista Oeste

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6 comentários Ver comentários

  1. Como pode um cliente desses restaurantes, se curvarem a tamanha humilhação, jamais seria cliente desse treco, com certeza vão falir.

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