O jornalismo profissional morreu, diz Paulo Figueiredo

Comentarista político afirma que a imprensa abandonou os fatos
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Foto: Reprodução/Rádio Jovem Pan
Foto: Reprodução/Rádio Jovem Pan

Antes restrita às universidades e à internet, a cultura do cancelamento chegou à imprensa tradicional. Há pouco mais de uma semana, o jornalista Alexandre Garcia foi demitido da CNN Brasil por defender o tratamento precoce. Ele não foi o único a deixar um veículo de comunicação por “crime de opinião”.

Em maio deste ano, o empresário Paulo Figueiredo se demitiu da rádio Jovem Pan depois de divergências com o chefe de redação, Humberto Candil. Figueiredo disse que estava sendo pressionado a mudar seus posicionamentos sobre determinados temas. Optou pela liberdade de expressão.

paulo figueiredo
Foto: Divulgação
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A seguir, os principais trechos da entrevista à Revista Oeste:

1 — Por que certos assuntos se tornaram proibidos na imprensa brasileira?

Seguindo um fenômeno muito parecido com o que ocorreu na mídia norte-americana depois de 2016, a imprensa brasileira passou a ser pautada por um único assunto: Bolsonaro. Agora, opiniões permitidas ou proibidas nos jornais dependem da posição de quem está no comando sobre determinados temas. Qualquer assunto que esteja de acordo com o que pensa Bolsonaro é imediatamente destruído. A imprensa se dedica a tentar provar o contrário. Se o presidente é a favor do tratamento precoce, isso é ruim. Caso haja boas notícias sobre o governo, os jornalistas escondem ou tratam do fato sob ótica negativa.

2 — Por que a grande mídia se tornou seletiva com jornalistas e pessoas que têm ideias divergentes?

Em 1922, o jornalista norte-americano Walter Lippmann publicou o livro Opinião Pública. Para ele, o repórter não precisava noticiar apenas os fatos, já que tinha suas próprias opiniões sobre o mundo. Se o cidadão acessasse as informações, sem o filtro do jornalista e de especialistas selecionados, o público acabaria chegando a conclusões erradas, levando a uma disfunção da democracia. Influente nas universidades, esse livro ensinou que os jornalistas têm a missão de educar a sociedade, e não informá-la. Por isso, a mídia deixou de ser escrava dos fatos. O jornalismo profissional e objetivo do século 20 morreu.

3 — Qual a origem do “totalitarismo” que os veículos de comunicação estão impondo?

As eleições de 2016 nos Estados Unidos, somadas ao crescimento das mídias sociais, que permitiram às pessoas saírem do mundo da imprensa tradicional. Já no Brasil, o processo fica mais acentuado em 2018, com a eleição de Bolsonaro. Os jornalistas adotaram a seguinte mentalidade: o presidente é Adolf Hitler. Portanto, temos a obrigação de retirá-lo do poder. Na mentalidade da mídia, é preciso impedir que os “ignorantes”, a quem chamam de “gado”, tenham “opiniões erradas”. Ao pensar assim, qualquer um que falar algo positivo sobre o governo precisa ser imediatamente afastado de tudo.

4 — A censura imposta ao pensamento conservador é um fenômeno apenas da mídia brasileira ou se aplica também à mundial?

Para mim, não existe “mídia brasileira”. Primeiro, o jornalismo objetivo norte-americano, no qual nossa imprensa se inspirou, começou a definhar por várias razões. Depois, entramos no jornalismo com viés (opiniões dos repórteres e dos donos dos jornais). Agora, estamos na militância pura. Por exemplo: na época da eleição do Barack Obama, a emissora MSNBC adotou o slogan da campanha do democrata.

5 — O jornalismo tem mudado muito nos últimos anos?

Sim. Essa mudança começou em meados dos anos 2000. Depois, chegamos a Trump e a Bolsonaro. A imprensa começou a publicar, descaradamente, notícias falsas, como o caso do conluio entre Trump e a Rússia. Volta e meia lemos no noticiário reportagens com “fontes anônimas” e “fatos” inexistentes. Há casos em que se pega um fato e o noticia de forma contrária. Dois exemplos: 1) a suposta incitação de Trump à invasão do Capitólio, mesmo com o presidente pedindo pacificação; 2) os “atos antidemocráticos” de 7 de Setembro — do lado da esquerda passavam-se imagens da oposição com bandeiras da ditadura do proletariado sob os dizeres “pão, trabalho e vacina”.

Leia também: “Sem liberdade de opinião”, artigo publicado na Edição 80 da Revista Oeste

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