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Opinião: Rodrigo Maia e seus 74 mil votos

Ex-presidente da Câmara perde poder e fica sem norte no xadrez político de 2022
Rodrigo Maia chora durante sessão da Câmara | Foto: Arquivo/Luís Macedo/Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia chora durante sessão da Câmara | Foto: Arquivo/Luís Macedo/Câmara dos Deputados

O mainstream não se cansa de noticiar: o deputado Rodrigo Maia (que já não é mais presidente da Câmara) avalia que, afirmou que, ameaça isso e aquilo… Maia desceu à planície no último dia 1º de fevereiro carregando o fardo de o maior derrotado nas eleições para o comando da Casa Legislativa. Mas muita gente não se conforma. Afinal, e agora quem produzirá artilharia diária com poder de caneta contra o governo Jair Bolsonaro?

No papel de líder da oposição ao Palácio do Planalto, ele nem sequer tem mais o respaldo de seu partido. O DEM é chefiado por ACM Neto, a quem ele acusa de traidor, mas que parece mais interessado em pavimentar sua eleição ao governo da Bahia para seguir os passos do avô do que com o futuro do deputado mimado do Rio de Janeiro. No Estado pelo qual Maia foi eleito, aliás, quem manda agora é o prefeito da capital, Eduardo Paes.

Parte do fracasso de sua articulação política para impedir a vitória de Arthur Lira (PP-AL) fica na conta do governador de São Paulo, João Doria, que agora lhe oferece abrigo num PSDB também sem norte. A outra metade é resultado da ilusão de que seu protagonismo duraria um dia depois de limpar as gavetas do gabinete da presidência da Câmara.

Talvez seja difícil para ele admitir que pouco importa no xadrez político do país qual será seu destino agora. Com 74.332 votos obtidos nas urnas em todo o Estado nas eleições de 2018, não seria sequer o vereador campeão no ano passado na capital fluminense — Tarcísio Motta (Psol) amealhou 86 mil. Talvez isso explique as lágrimas na despedida.

É possível que Rodrigo Maia tenha acreditado demais nas manchetes que lia, segundo as quais era o estadista capaz de interditar a agenda do governo Bolsonaro no Legislativo, e que tenha conversado muito com políticos e jornalistas que vivem numa bolha desconectada das ruas. Só que agora o sonho acabou. Restaram a ele pouco mais de 74 mil votos.

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4 comentários

  1. A frase que nunca cansa é: “Tchau, querido”!
    Sua vida política se encerrou. Logo começaremos ver os vídeos sobre como foi recebido nos voos comerciais.

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