Revista Oeste - Eleições 2022

Piquenique no inferno: Elize Matsunaga escreve livro para explicar motivações de crime

Alguns capítulos são dedicados à filha
-Publicidade-
Elize Matsunaga com o advogado Luciano Santoro em uma transmissão nas redes sociais depois de ter a liberdade condicional | Foto: Reprodução/Redes sociais
Elize Matsunaga com o advogado Luciano Santoro em uma transmissão nas redes sociais depois de ter a liberdade condicional | Foto: Reprodução/Redes sociais

Condenada por ter assassinado e esquartejado o marido, Elize Matsunaga, 40 anos, escreveu na prisão o livro Piquenique no Inferno. O manuscrito começou a ser redigido em 2015 e conta a maior parte da história de sua história, desde a infância conturbada até o crime que chocou o Brasil em 19 de maio de 2012.

O livro foi solicitado pela primeira vez pelo advogado de Elize, Luciano Santoro. A motivação seria apresentar o documento ao júri. “A vida dela tinha muitas informações”, disse Santoro. “Como eu não tinha muito tempo para ouvir tudo nas visitas, pedi que ela escrevesse para entender a história.”

Depois que o advogado usou o livro no júri, Elize adicionou novos capítulos à obra dedicados à filha que teve com Marcos Matsunaga. Nesses trechos, ela escreveu que matou o pai da menina para se proteger de supostas ofensas e agressões dele.

-Publicidade-

“Atira, sua fraca”, foi o que Marcos teria dito a Elize antes de ser baleado na cabeça. “Atira ou some daqui com sua família e deixa minha filha. Você nunca mais irá vê-la.”

O crime ocorreu no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo. Desde quando confessou o crime, Elize, bacharel em Direito, está impedida de ver a filha, que na época tinha um ano.

Durante o processo de escrita de Piquenique no Inferno (com mais de 170 páginas), o advogado explica que pediu a Elize para não contar a ninguém sobre o manuscrito. “Inicialmente, ela escrevia a história com outros nomes para não dar a entender que se tratava dela”, disse Santoro.

Guarda da filha

De acordo com Santoro, a reaproximação de Elize com a filha é uma questão que depende da Justiça. Desde que confessou o crime, o direito familiar dela está suspenso judicialmente. “Além da decisão judicial, a vontade da filha de Elize sempre será respeitada,” explicou o advogado.

Um processo de destituição familiar, em relação à filha de Elize, está correndo em segredo de justiça. Se a família de Marcos ganhar a causa, o nome de Elize será apagado da Certidão de Nascimento da criança.

Processo criminal

O processo criminal de Elize ainda aguarda o julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Já no processo de execução criminal, inicialmente, Elize havia sido condenada a 19 anos e 11 meses de prisão. Mas, em 2019, o STJ reduziu a pena para 16 anos e três meses.

A bacharel em direito já cumpriu 10 anos dentro da prisão, atingindo assim o tempo necessário para conseguir o livramento condicional. Elize está desde a segunda-feira 30 nesse regime. “A juíza concluiu que ela atingiu os requisitos subjetivos e objetivos para ter o livramento condicional”, disse Santoro.

Agora, a pena criminal de Elize está suspensa, mas ela ainda precisa cumprir algumas condições, não podendo: sair à noite, frequentar bares, mudar de casa, parar de trabalhar, entre outras coisas.

“Se ela conseguir cumprir todos os requisitos até 2028, o juiz extingue a pena de Elize”, disse Santoro. Elize ainda corre o risco de ser presa novamente, caso descumpra algum dos requisitos impostos pela Justiça.

-Publicidade-
Conteúdo exclusivo para assinantes.

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Revista OESTE, a primeira plataforma de conteúdo cem por cento
comprometida com a defesa do capitalismo e do livre mercado.

Meios de pagamento
Site seguro
Seja nosso assinante!

Reportagens e artigos exclusivos produzidos pela melhor equipe de jornalistas do Brasil.