Para renegociar dívida milionária, Abril oferece revistas como garantia

Acordo assinado com o governo federal inclui marcas como Veja, carro-chefe da editora
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Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

A Editora Abril assinou um acordo com o governo federal para renegociar uma dívida que envolve R$ 830 milhões em passivo. Como garantia, a empresa ofereceu marcas que possui, entre elas, as revistas Veja, Quatro Rodas, Capricho e Você S/A, informou nesta terça-feira, 15, o jornal Folha de S.Paulo. A transação dará à empresa até 70% de desconto sobre o total devido pela companhia de comunicação. A redução se aplica a multas, juros e encargos, não sendo válida para o principal da dívida (valor original do passivo). O governo e a companhia não informaram o montante final a ser pago.

Segundo o reportagem, a transação com a Abril tem o objetivo de encerrar disputas na Justiça e superar a “situação transitória de crise econômico-financeira” do conglomerado de mídia. O montante a ser pago depois do desconto será parcelado. As dívidas não previdenciárias terão um prazo de dez anos. As previdenciárias, de cinco anos. O acordo foi assinado entre a Abril e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em 18 de maio. O programa de renegociação é voltado a empresas em comprovada dificuldade financeira.

Em artigo publicado na Edição 54 da Revista Oeste, o colunista Dagomir Marquezi discorreu acerca da agonia da antiga imprensa. “A ‘velha mídia’ está encolhendo”, resumiu. “E não só por razões ideológicas. São raros os veículos que conseguiram se adaptar satisfatoriamente à era digital. Ou falar com as gerações mais novas. Muitos não compreenderam os novos modelos de negócios. A ex-maior editora do país, a Abril, é o melhor exemplo dessa incapacidade de adaptação. Dominava o mercado brasileiro e parecia invencível. Até que desabou.”

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Para Marquezi, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, essa velha mídia age de maneira aparentemente irracional. Quanto mais público perde, mais parece se fechar em guetos ideológicos, em vez de tentar ampliar seu mercado. “Em 2014 (meros sete anos atrás), a revista Veja tinha uma tiragem semanal de quase 1,2 milhão de exemplares. Hoje, tem cerca de 260 mil. A revista Época, da editora Globo, lançava 380 mil exemplares. Hoje, esse número se resumiu a menos de 90 mil”, observou o jornalista, ao mencionar que a crise da imprensa é global.

Leia também: “Donos da Marabraz compram prédio da Abril na Marginal do Tietê”

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