Escrito por

Em 23 mar 2020, 08:38

Campo x vírus

23 mar 2020, 08:38

Foto: Dengmo/Pixabay

O coronavírus pode muita coisa, mas não pode tudo. Para o secreto desapontamento de muita gente, a epidemia teve até agora um impacto de quase zero no setor mais dinâmico, mais produtivo e mais estratégico da economia brasileira: a agricultura, em primeiro lugar, e a pecuária, logo em seguida.

A safra total de 2020 vai passar das 240 milhões de toneladas, um recorde histórico absoluto. Só a soja deve ficar acima da metade disso tudo, com produção entre 120 e 125 milhões de toneladas. Não salva o Brasil, pelo andar da carruagem, da recessão forçada que um bando de autoridades locais, como uma orquestra sem maestro, impôs à economia, sobretudo em São Paulo – ao promoverem uma inédita repressão ao exercício da atividade econômica privada e pública. Mas ajuda, imensamente, o país a não naufragar como muita gente gostaria. Não vai faltar comida. E vai sobrar alimento para exportar pelo mundo afora e garantir bilhões de dólares decisivos para a sobrevivência cambial do país.

A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, fez, a esse respeito, um vídeo profissional, sereno e sem provocar nenhum arranhão nas sensibilidades políticas de ninguém – sim, porque dar notícias baseadas em fatos positivos virou um insulto “à responsabilidade”, à saúde pública e mesmo “à vida”; é preciso dizer tudo com extremo cuidado. Na sua gravação, informou ao público que o coronavírus não teve influência nas regiões onde se concentra a produção de alimentos. Não há problemas de contágio, não que possam se comparar com as áreas mais afetadas, e nem de comprometimento à produção. Mais uma vez, o agronegócio salva o Brasil, como vem acontecendo já há muitos anos.

Naturalmente, como lembrou a ministra, as 240 milhões de toneladas da safra de 2020 precisam ser transportadas, armazenadas e processadas pela indústria de alimentos – uma cadeia realmente gigantesca, que envolve do mais modesto posto de gasolina de beira de estrada ao arsenal de computadores, máquinas de última geração e todo o complexo tecnológico envolvido na comercialização e industrialização do que foi produzido no campo. A desordem criada aí vai atrapalhar – mas tende a ir caindo cada vez mais entre abril e maio.

O campo brasileiro ganhou do vírus.

Escrito por

TAGS

12 Comentários

  1. Parabéns Guzzo , estou assinando a revista exatamente por isso , pela lucidez e por falarem a verdade sobre o nosso Brasil e sobre o nosso poder executivo também , falando das coisas certas ou das coisas erradas que eles fazem , mas sem serem tendenciosos . Eu assinava a Crusoé e lia O Antagonista desde as primeiras edições ou dos primeiros posts, desisti , está uma porcaria agora , estão indo para o mesmo lado da velha imprensa , estúpida e que não enxerga muito além do seu próprio nariz , ou estão com o rabo preso também ,vai saber.
    Espero que vocês continuem assim , para esclarecer , votei no Bolsonaro , sou de direita e completamente capitalista e liberal na economia e conservador nos costumes , mas , NÃO tenho politico de estimação , qualquer partido que seja , tenha eu votado ou não , fez o que não devia , processo e cadeia nele.
    Obrigado e desculpa o longo texto , e novamente parabéns .
    Carlos

    Responder
    • Admiro também o Guzzo e o Augusto Nunes. Estou de acordo com tudo pq que falou. E para mim, o Antagonista também já se perdeu, com exceção dos vídeos do Cláudio Dantas.

      Responder
      • Muito bem ! Verdade é o que falta na mídia brasileira e mundial por conta do partido comunista Chinês!

        Responder
    • Obrigada Guzzo. Nesse mar de pessimismo e divulgação intencional do caos, temos você para nos alentar e alertar.

      Responder
  2. Graças a Deus o Guzzo está de volta e junto com uma elite do jornalismo

    Responder
  3. Parabéns ótimo texto!

    Falta um app mobile no estilo do conexao politica e falta links para compartilhar os textos nas midias sociais!

    Sucesso!

    Responder
  4. Extremamente lúcido seu artigo o governador doria que nunca produziu nada a não ser juntar empresários em finais de semana com muito luxo deveria se atentar ao pequeno comércio que está com a água no nariz

    Responder
  5. Acabei de fazer minha assinatura! Precisamos MUITO disto: verdade, objetividade, esperança. Obrigada, Guzzo!!

    Responder
  6. No meio de tanta balbúrdia aparece uma ilha de sensatez. Este artigo demonstra que ainda temos vida inteligente por estas paragens. Parabéns GUZZO pela lucidez Obrigado.

    Responder
  7. Eu assinei a revista e recebi numero
    PARABÉNS!

    Seu pagamento foi realizado com sucesso!
    Pedido: or_ck7piy32n1anp165xuwnkstya

    Mas não estou recebendo nada. O que está acontecendo?

    Responder
    • Como sempre, caro Guzzo, uma análise lúcida e esclarecedora. Uma luz nesta espiral de medo que a mídia vem apostando todas as suas fichas sujas contra a população e contra o país. Muito obrigada por ficar do lado do Bem!

      Responder
  8. Não posso ainda assinar a revista por motivo óbvios. Mas com o tempo assinarei em tua homenagem e da Ana. Estou num nível mais abaixo, e tento convencer empresários da serra gaúcha a começarem a produzir produtos que estão faltando, simples, como máscaras. A minha mulher começou a fazer para a família algumas máscaras numa maquininha de costura, embora seja advogada, mas é prendada. Outras mulheres estão fazendo o trabalho de artesãs em casa. Mas se uma empresa fizesse esse trabalho seriam milhares de máscaras produzidas em pouco tempo. E existem outros materiais e equipamento que podem ser produzidos por pequenas e médias empresas e que não exigem grande tecnologia. Mas, como tu sabe, não é fácil comer paçoca e assoviar ao mesmo tempo. Deus te abençoe.

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Coronavírus

Assine a nossa news

Revista Oeste — Edição 1 — 27/03/2020

Oeste Notícias