Carta ao leitor - Revista Oeste

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Carta ao leitor
O jornalismo militante da grande imprensa, os juízes-editores do Brasil e a realidade como ela é
7 ago 2020, 09:18

Praticar o jornalismo com posicionamento político é legítimo. Às vezes, até recomendável. Obscuro é apresentar-se como defensor da objetividade fria, da imparcialidade inamovível, e incrustar um viés ideológico em cada conteúdo. Esse é um traço cada vez mais pronunciado na prática jornalística contemporânea. Junte-se a essa característica a defesa intelectual de um ideário politicamente correto que teria a justificabilidade de se sobrepor ao relato dos fatos, e temos o festival de manchetes militantes — porém, divulgadas como tão somente “objetivas” — que vemos a cada minuto na mídia tradicional.

A Revista Oeste tem um posicionamento claro, divulgado neste site no link Nosso Pacto. Parece razoável pedir que os veículos de comunicação adotem medida semelhante. Seria mais honesto e, presumivelmente, o relacionamento com o público-alvo se estabeleceria sobre outras bases, mais sólidas. Talvez até mesmo as críticas se reduzissem. Mas não. A chamada “grande imprensa” considera desnecessário esse procedimento por julgar-se do “lado certo do debate”. Tem a convicção da propriedade da “clareza moral”. E os dados, os fatos, os números, as declarações dos entrevistados devem estar a serviço dessa “clareza” tão peculiar.

É esse o tema ao qual a jornalista Selma Santa Cruz se dedicou nesta vigésima edição da Revista Oeste. Com notável apego aos fatos, e apenas a eles, Selma demonstra que a verdade não é relativa e que determinadas “causas” comprometem seriamente o bom jornalismo.

Como ingressou na carreira, o “editor do Brasil” Dias Toffoli precisa empenhar-se um pouco mais no manuseio do instrumento indispensável ao ofício, a língua portuguesa. Até o momento, seu texto “merece um zero com louvor”, como escreve Augusto Nunes.

Em contrapartida, límpido e bem estruturado é o manual da Procuradoria-Geral da República. O escritor Guilherme Fiuza mostra como tudo está muito bem definidinho para que a Procuradoria seja capaz de procurar bastante sem encontrar coisa alguma.

De sua parte, o STF encontra o que quer encontrar e ignora o que bem entende. Envergonha-nos a comparação do nosso tribunal maior com a Suprema Corte americana. A analista Ana Paula Henkel discorre sobre os pilares jurídicos e intelectuais do originalismo e do textualismo na defesa da Constituição dos Estados Unidos, expressos na figura do juiz Antonin Scalia. “Se você for um juiz bom e fiel, deve se resignar ao fato de que nem sempre gostará das conclusões a que vai chegar. Se você gosta delas o tempo todo, provavelmente está fazendo algo errado”, disse certa vez Scalia.

A nossa Suprema Corte, em contraposição ao princípio defendido por Scalia, parece sempre encantada pelas próprias decisões heterodoxas, cada vez mais sem limites, e em evidente desacordo com a Constituição. “O Judiciário é o poder mais perigoso porque tem o potencial mais danoso”, argumenta com propriedade o cientista político Bruno Garschagen no artigo “O STF, a imprensa e a liberdade de expressão”.

O pensamento progressista que contamina a Corte brasileira tem amplificado seu raio de ação, notavelmente na Europa e nos Estados Unidos. É o que se vê nas universidades, nos movimentos encabeçados por adolescentes e jovens, no ativismo digital e até nas grandes corporações. Somos testemunhas do processo de construção de uma “nova cultura ocidental”? J. R. Guzzo não nega a marcha da insensatez capitaneada pelos progressistas, nem o reverenciado “Novo Testamento da Virtude Política”, mas pondera: “O bom senso recomenda que se considere a realidade antes de chamar o padre para dar a extrema-unção ao mundo como ele é hoje”.

Boa leitura.

Os Editores.

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7 Comentários

  1. Revista cada dia melhor! Vai se consolidar como referência do pensamento conservador!

    Contem comigo na luta…

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    • Esses jornalistas primam pela ética,pela realidade verdadeira do que ocorre hoje no Brasil.Sinto-me honrada em ser leitora assídua da Revista Oeste,veio para ficar.Parabens,grande honra e prazer de ter acesso as informações que me proporcionam.Grata

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  2. Excelente editorial, marcado pelo bom-senso e a honestidade intelectual e moral de que tanto carece a chamada “grande imprensa”, hoje em dia. A Revista Oeste vai, cada vez mais, se consolidando como veículo de jornalismo sério e responsável, e de claro respeito a seu ideário, mais ainda a seu leitor-assinante. Parabéns!

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    • O problema da grande imprensa em dizer de qual lado ela está e que na verdade ela está no lado que sempre lhe convém(os donos e editores). Oportunistas! E ponto final.

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  3. O problema da grande imprensa em dizer de qual lado ela está e que na verdade ela está no lado que sempre lhe convém(os donos e editores). Oportunistas! E ponto final.

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  4. A revista sempre é boa, mas nesta edição conseguiu se superar. Parabéns.

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  5. Não me arrependo em nenhum momento por ter assinado essa revista. Estão de parabéns. Continuem assim.

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