Dinastias políticas - Revista Oeste

Revista

Dinastias políticas
As famílias que mandam no país
20 nov 2020, 08:52

Como costuma ocorrer a cada eleição, a última foi celebrada como prova da consolidação da nossa democracia. Apesar da pandemia, 113 milhões de brasileiros compareceram às urnas e elegeram um número recorde de representantes de minorias. Porém, a realidade por trás das aparências se revela bem diferente. A soma de abstenções, votos nulos e brancos foi a maior das últimas décadas — no Rio de Janeiro, chegou a 39%, porcentagem superior à obtida pelo candidato mais votado, um indicador bastante eloquente da aversão dos eleitores aos políticos disponíveis para escolha. A suposta renovação também é de fato ilusória, já que, a despeito de algumas caras novas, a maior parte dos eleitos carrega velhos e conhecidos sobrenomes. Os dos inúmeros clãs que se mantêm no poder há décadas, dominam todas as esferas e instâncias de governo, e transformaram a política brasileira num lucrativo negócio de família.

Seus herdeiros estão em todos os partidos, tanto à direita quanto à esquerda, e em todas as regiões, escancarando a antiga tradição brasileira das dinastias políticas e feudos eleitorais, que se perpetua praticamente desde as capitanias hereditárias. Um fenômeno estrutural que transforma a democracia em farsa e impede a modernização do país, por estimular o nepotismo e o patrimonialismo. Duas práticas que, além de fomentar a desigualdade, impossibilitam uma gestão pública eficiente, visto que grande parte dos cargos administrativos termina sendo preenchida, por meio desse mecanismo, por laços de compadrio.

“A lógica da política brasileira só pode ser entendida pela dinâmica dessas famílias, cujos interesses são determinantes em praticamente todas as instituições da República”, resume um dos principais estudiosos do tema, o cientista político Ricardo de Oliveira, professor da Universidade do Paraná. Nesse sentido, o resultado do primeiro turno das eleições municipais apenas confirma a regra. Um dos exemplos mais emblemáticos é o dos candidatos que disputarão a prefeitura do Recife no segundo turno, ambos descendentes do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, líder de esquerda exilado pelo regime militar e morto há 15 anos.

De um lado, concorre um bisneto, o deputado federal do PSB João Campos, filho do falecido ex-governador e ex-candidato à Presidência Eduardo Campos. Do outro, uma neta de Arraes, a petista Marília, que vem a ser prima em segundo grau do adversário e representa uma ala inimiga da família. A briga, por sinal, já explodiu em público algumas vezes, com tons de melodrama de novela da TV Globo. Na última delas, a avó de João, Ana Arraes, ex-deputada e ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), deu um pito pela imprensa no neto, que havia batido boca com um tio durante debate na Comissão de Educação da Câmara. “Não admito grosseria, você está desrespeitando sua avó”, fulminou a matriarca.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas é outro que recorre ao cacife político do avô falecido, o ex-governador e prócer tucano Mário Covas, a fim de continuar no poder. Já o casal de ex-presidiários Anthony e Rosa Garotinho, caciques da política fluminense, apostou na descendência para tentar conservar seu feudo eleitoral. Impossibilitados de concorrer devido a condenações por corrupção, os ex-governadores conseguiram participar da eleição por meio dos filhos Wladimir e Clarissa Garotinho — o primeiro, candidato à prefeitura de Campos; a segunda, à do Rio de Janeiro.

Esse padrão familiar repetiu-se por todo o país. Em Minas Gerais, como acontece há dois séculos, não faltaram representantes da mais antiga dinastia política brasileira, os Bonifácio Andrada, da linhagem do “Patriarca da Independência” e ministro de dom Pedro I, José Bonifácio de Andrada e Silva. Desta vez, membros da sexta geração do clã competiram por duas prefeituras. Da mesma forma, marcou presença no Ceará, como de praxe, o clã dos Ferreira Gomes, capitaneado pelo ex-governador e presidenciável Ciro Gomes, figurino acabado de coronel do século 21.

A influência das oligarquias familiares no Congresso é ainda mais assustadora

Não se trata, como se vê, de exceções pontuais, ou resquícios do passado em grotões atrasados do Norte e Nordeste. A praga das famílias políticas contamina todo o corpo da política, numa teia intrincada de alianças e interesses que define os destinos do país. Por trás do verniz aparente de modernização das últimas décadas, as oligarquias controlam desde a Presidência da República, comandada pelos Bolsonaro, até as prefeituras dos menores municípios brasileiros, passando, é claro, pelo Parlamento.

Pois é justamente no Congresso que se pode conferir a expressão mais flagrante desse arcaísmo político. O Senado está nas mãos de um representante do clã Alcolumbre, do Amapá: o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem um irmão como suplente e tenta emplacar outro na prefeitura de Macapá. Na Câmara, quem manda, por sua vez, são os Maia, antiga estirpe política com ramificações no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro, onde o pai do deputado Rodrigo Maia, o ex-prefeito Cesar Maia, acaba de se reeleger vereador pela quarta vez.

O pior é que essa “bancada dos parentes” vem crescendo a cada legislatura. Um estudo da Universidade de Brasília sobre os deputados federais eleitos entre 2000 e 2010 apontou um crescimento de 10% na quantidade de herdeiros, que representaram naquele ano 46%, quase a metade do total. Outro levantamento, da organização Transparência Brasil, detectou que o índice subiu para 49% quatro anos depois, o mais alto em relação às quatro eleições anteriores. E uma pesquisa divulgada em 2017 pelo site Congresso em Foco revelou que nada menos do que dois terços dos parlamentares naquele ano — 62% da Câmara e mais de 73% do Senado — haviam sido eleitos por oligarquias familiares.

Leve-se em conta que esses números não incluem os parentes suplentes de senadores, outra categoria da tradição nepotista. Além do caso de Alcolumbre, há pelo menos mais quatro situações desse tipo, incluindo a do filho do senador Chico Rodrigues, de Roraima, flagrado recentemente com dinheiro na cueca pela Polícia Federal. Vale considerar ainda que tais levantamentos não são totalmente completos ou confiáveis, já que nem todos os laços de parentesco podem ser facilmente identificados pelos sobrenomes, o que exigiria um mapeamento genealógico apurado.

Boa parte deles, é certo, acaba se tornando conhecida com o tempo. Como, por exemplo, além das famílias já citadas, os Barbalho do Pará, os Neves de Minas Gerais, os Sarney do Maranhão, os Calheiros e Collor de Mello de Alagoas, os Cunha Lima da Paraíba, os Coelho e Vasconcelos de Pernambuco, e os Requião do Paraná. Com frequência, contudo, políticos oriundos de linhagens poderosas adotam, por uma razão ou outra, sobrenomes diferentes. Poucos sabem, por exemplo, que Rafael Greca, eleito pela terceira vez para a prefeitura de Curitiba, descende de uma das linhagens políticas mais antigas do Paraná: os Macedo, que elegeram ainda no Império o primeiro prefeito da capital paranaense.

Há também as situações em que as famílias garantem sua continuidade no poder por meio de aliados, como ocorreu este ano em Salvador, onde o atual prefeito, ACM Neto — herdeiro dos outrora poderosos mandatários Antônio Carlos Magalhães e Luís Eduardo Magalhães —, optou por carrear o cacife de votos da família para seu vice, Bruno Reis, já que se prepara para disputar o governo do Estado daqui a dois anos.

Não é raro, ainda, que essas transferências de capital político terminem por dar origem a novos núcleos de poder — caso do ex-senador e ex-ministro Edison Lobão, uma dessas raposas que se revezam em diferentes cargos políticos desde a redemocratização, na década de 1980, sempre aumentando o patrimônio pessoal. Antigo aliado dos Sarney, Lobão instalou na política, entre outros parentes, a mulher Nice e o filho Edison, o qual, como suplente, herdou sua vaga quando ele assumiu o Ministério das Minas e Energia, nos governos Lula e Dilma. Outro filho, Marcio, conhecido pelo apropriado apelido de Lobinho, foi preso no ano passado e é réu na Lava-Jato por corrupção junto com o pai e a esposa, Marta, nora do patriarca. Situação que, convenhamos, dispensa comentários.

Laços de parentesco passam à frente da meritocracia na hora da divisão do butim

“As oligarquias brasileiras têm uma capacidade surpreendente de adaptação e sobrevivência”, analisa outro experiente cientista político, o consultor e professor aposentado da Universidade de Brasília Paulo Kramer. “Elas conseguem cooptar para seus esquemas de perpetuação quaisquer novas forças e lideranças que surjam.” É o que se viu em relação ao PT, tão crítico das velhas dinastias quando estava na oposição, mas que, ao chegar ao poder, germinou rapidamente seus próprios clãs, como os Vianna, no Acre, e os Tatto, em São Paulo.

Há quem ressalve que essa deformidade não seria uma característica exclusiva do Brasil, já que famílias políticas podem ser encontradas em quase todos os países. Mas estudos comparativos deixam claro que a magnitude do fenômeno por aqui não tem comparação no mundo — nem mesmo na Índia, sociedade de castas por excelência. Também não parece válido o argumento de que certas profissões predominam em algumas famílias pela tendência de os filhos seguirem a carreira dos pais.  As dinastias políticas locais asseguram a sua perpetuação graças a estratagemas específicos e com vistas à defesa de interesses econômicos.

Um desses mecanismos é o próprio sistema político-eleitoral, continuamente aprimorado para favorecer os donos do poder. A começar pela proibição de candidaturas independentes e pela autonomia excessiva outorgada aos partidos, a pretexto de garantir sua independência, desde a Constituição de 1988. A distorção foi acentuada por reformas eleitorais mais recentes e sobretudo pelo Fundo Eleitoral, que nesta eleição canalizou para os cofres dos partidos escandalosos R$ 2 bilhões da receita de impostos. Como a alocação dessa dinheirama fica a critério dos líderes partidários, e os partidos são praticamente agremiações de fachada, já que dominados por famílias, não surpreende que os laços de parentesco passem à frente da meritocracia na hora da divisão do butim.

Implodir esse modelo arcaico para promover uma efetiva renovação política e ampliar, de fato, a representatividade democrática requereria, como fica claro, uma reforma política abrangente. Com mudanças na legislação para modernizar os partidos e impedir práticas de nepotismo e patrimonialismo, pela imposição de controles, maior fiscalização e transparência, como ocorre nas democracias avançadas. Porém, como esperar que reformas sejam promovidas justamente por aqueles que se beneficiam do atual sistema?

O longo e dificultoso processo de aprovação de emendas à Constituição também não favorece a mudança, como mostram as várias iniciativas do tipo paralisadas nos escaninhos do Congresso. Para completar, a velha política sabe que pode contar com o apoio sempre prestimoso do Judiciário, outra instituição do poder igualmente controlada, desde o Império, e em todas as instâncias, por suas próprias dinastias. As quais, não raramente, têm laços de parentesco ou interesse com as oligarquias.

Enquanto nada mudar, a política, que deveria atrair os quadros mais qualificados e íntegros do país, continuará à mercê da mediocridade e da mesmice. Como nas monarquias do passado, quando os laços de sangue da aristocracia valiam mais do que talento e méritos individuais. A atual “nobreza” brasileira tem o quilate dos clãs que estão aí.

Leia também a reportagem “A Constituição do atraso”, de Selma Santa Cruz

 

TAGS

*O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais à equipe da publicação, a outro usuário ou a qualquer grupo ou indivíduo identificado. Caso isso ocorra, nos reservamos o direito de apagar o comentário para manter um ambiente respeitoso para a discussão.

41 Comentários

  1. Excelente matéria de assunto tão pouco discutido. E infelizmente ter que admitir que, como Selma fecha o último parágrafo, permaneceremos à mercê da mediocridade e da mesmice, por muito tempo.

    Responder
  2. Triste realidade! Parabéns pelo excelente texto

    Responder
    • Excelente texto. Os verdadeiros donos do poder essas oligarquias, deixam cada quatro anos o povo votar como se o poder fosse nosso, mas são eles q sempre mandaram, e mandam.

      Responder
  3. Só tem uma solução: Capar todo mundo. Aí se impede a reprodução desta erva daninha, essas tiriricas da política. Essa erva daninha mesmo, é um excelente exemplo, só se acaba com ela arrancando uma a uma e as batatas que elas produzem abaixo do solo, um trabalho extenuante e quase infrutífero. Se ficar um simples batata para trás, volta tudo, como um câncer. Nem Getúlio Vargas, aquela erva maldita, não conseguiu extirpar com a sua ditadura, pois as tiriricas de adaptaram ao novo meio ambiente e se reproduziram ainda mais.

    Responder
    • Paulo, Getúlio existiu como fruto de um movimento anti-oligarquias. Mas se vc é paulista, está desculpado por chamá-lo de erva maldita. 32 foi pró oligarquia paulista.

      Responder
  4. Gostei da matéria, só achei falta de uma referência aos Bolsonaro, que comprovam a persistência desse vínculo familiar mesmo dentro de uma força política que, sob outros aspectos, representa uma renovação radical em relação às velhas elites.

    Responder
    • Peço desculpas pelo vexame que passei. Só depois de comentar via a referência aos Bolsonaro logo no início da matéria.

      Responder
      • Está desculpado e na próxima vez leia outra vez , se for o caso!

        Responder
        • Selma, seus textos são sempre um primor, devido à clareza e elegância da exposição e à riqueza do material. Parabéns! E pobres de nós!

          Responder
        • Muito bom! Só para complementar, em Goiás tem os Caiados e os Vilela, que dominam a política local desde os tempos do Anhanguera.

          Responder
      • Seguindo esse raciocínio exposto no artigo,o Brasil não tem mais jeito.

        Responder
    • Juro que li umas 5 vezes e não consegui achar a referência aos Bolsonaros. No entanto, creio que a ausência se “explica” pelo próprio objetivo da matéria: focar casos HISTÓRICOS. Nesta hipótese, o caso da família Bolsonaro é “recente”: começou com o próprio Jair há “apenas” 30 anos; ou seja, ainda está na “primeira” geração – claro que “dá pinta” que vai seguir o “modelo” e, talvez, por isso merecesse “menção honrosa” na reportagem -, entretanto, o foco da matéria seria mesmo os casos “centenários”.

      Responder
      • Por trás do verniz aparente de modernização das últimas décadas, as oligarquias controlam desde a Presidência da República, comandada pelos Bolsonaro, até as prefeituras dos menores municípios brasileiros, passando, é claro, pelo Parlamento.

        Responder
        • Ah, ok. Fiquei procurando a referência no começo do artigo (fui induzido pelo comentário anterior e não vi q estava mais para o “meio”).

          Responder
    • Sim, e ele é um exemplo perfeito de como após assumir o poder, renegou tudo o que pregou na campanha eleitoral , aliou-se novamente (já que pertencia a ele) ao sistema e tudo continua igual. A frase de Lampedusa nunca foi tão atual: “é preciso que tudo mude para que fique tudo igual”.

      Responder
  5. Difícil mudar, essa situação nefasta conta com a concordância do eleitor.

    Responder
    • parece que o sobrenome conhecido acaba ganhando preferência de voto durante as eleições. e o fato de ser famoso parece ser o único motivo da escolha já que posições politicas ou decisões politicas passadas parecem não fazer diferença. E estou falando de SP capital.

      Responder
  6. Excelente !!!!

    Responder
    • Excelente artigo … PARABÉNS … É certo que somente com muito investimento em educação e durante décadas o Brasil poderá alcançar a patamares melhores, e certamente teremos melhores educadores, famílias e como resultado pessoas com informação e formação escolhendo melhor nossos dirigentes em todos os níveis de comando, privado e público, vindo a ter Brasileiros que tenham como lema uma Sociedade mais justa …

      Responder
  7. EXCELENTE ARTIGO…MOSTRA FIELMENTE A NECESSIDADE DE UMA PROFUNDA REFORMA POLITICA QUE DIFICILMENTE OCORRERÁ

    Responder
  8. Que avanço nos textos da Selma. Estão melhorando a cada dia. Parabéns! Excelente artigo!

    Responder
  9. Onde há Dinastia há súditos. É o que somos: vassalos, dependentes, submetidos, submissos, subservientes, tributários. Quem está submisso às vontades de outra pessoa. Que não possui liberdade; que se submete à vontade de outra pessoa; submisso. Que serve outra pessoa de modo humilhante ou servil; subserviente. É simples: o dicionário não mente. Mas, no dicionário onde está escrito a palavra SUDITO poderia estar escrito : SUDITO , o mesmo que leitor brasileiro. Portanto, não reclamemos. Somos herdeiros de nossas escolhas.

    Responder
  10. ***correção: o mesmo que eleitor brasileiro

    Responder
  11. Excelente matéria. Diz tudo sobre essa erva daninha, que chamamos de classe politica, que toma conta do país, faz o que quer, onde quer e como quer, sem prestar contas ao povo.
    E para os que não encontraram nenhuma referencia ao Clã Bolsonaro, segue trecho da matéria: “Por trás do verniz aparente de modernização das últimas décadas, as oligarquias controlam desde a Presidência da República, comandada pelos Bolsonaro, até as prefeituras dos menores municípios brasileiros, passando, é claro, pelo Parlamento.”

    Responder
    • Foi mal… Fiquei procurando no começo do artigo (fui induzido por comentário anterior e não vi q estava mais para o “meio”).

      Responder
  12. Pois é Selma, mas isso ocorre porque nossa Suprema Corte julgou em 2006, inconstitucional a Clausula de Barreira prevista na LEI 9096/95 para ser aplicada a partir de 2007, ajuizadas pelas ADINS 1351 (PC do B) e 1354(PSC), provavelmente suficientes para representar os outros partidos.
    Por unanimidade, seguindo o relator ministro Marco Aurélio Mello, que após citar as consequências que a clausula de barreira teria a partir de 2007, destacou que: “dos 29 partidos existentes hoje (2006) no pais, APENAS 7 alcançariam os requisitos previstos na Legislação”, e para demonstrar sua inconformidade e preocupação com os outros 22, disse: “os demais ficarão a mingua, vale dizer, não contarão com o funcionamento parlamentar”.
    Portanto, caso nossos notáveis do saber jurídico não fossem movidos por essas hierarquias politicas, possivelmente teríamos hoje em 7 partidos muito poucos representantes dessas dinastias. Vale dizer que o instável ministro Gilmar Mendes, já diversas vezes em plenário comentou que foi um erro do STF julgar inconstitucional essa Lei, dai essa quantidade enorme de partidos.
    Selma, creio que pós pandemia, nosso pais não sobrevivera caso não tenhamos urgentemente aprovadas as necessárias reformas politica e administrativa.
    Todavia, penso que nossos Legislativos(federal, estaduais e municipais) produziriam maior quantidade de Leis com melhor qualidade se reduzidos em no mínimo 1/3 de suas cadeiras, respectivas assessorias e servidores dessas casas, e preenchidas com candidatos com um mínimo de cultura politica e legislativa. Não entendo como legislar com analfabetos. Quanto ao senado, para que 3 senadores por Estado?. A proposito, ouvi recentemente Bolsonaro em entrevista no SBT, dizer que é necessária uma reforma politica que acabasse com a reeleição, eventualmente aumentar os mandatos para 5 anos, reduzir para 300 as cadeiras da Câmara Federal e em igual proporção as cadeiras dos legislativos estaduais e municipais. Curiosamente, não ouvi qualquer comentário em nossa poderosa mídia tradicional a respeito, todavia repercutiu o conflito com Mandetta, aquele galã ortopedista.
    Selma, como cidadão paulista, volto a comentar que não entendo nossa desproporcional representatividade na Câmara Federal. Penso oportuno como pesquisadora, observar porque existe uma Lei que estabelece a quantidade mínima de 8 e máxima de 70 deputados federais por Estado. Que ambígua proporcionalidade é essa, quando conforme dados das eleições de 2018, São Paulo tinha 33 milhões de eleitores e 70 deputados, e 16 Estados somados com 31 milhões de eleitores, 145 deputados federais. Conclui portanto que meu voto vale muito menos que o voto de cidadãos do Amapá, que com pouco mais de 500 mil eleitores, elege 8 deputados federais e 3 senadores, entre os quais com pouco mais de 200 mil votos encontramos Randolfe Rodrigues, que além de não aprovar qualquer reforma como a trabalhista, previdenciária, pasmem foi contra a MP871 de combate as fraudes da previdência, e o marco regulatório do saneamento básico. Mas dá um trabalho danado, judicializa tudo, as leis que não gosta, nomeações do executivo, etc,etc.
    Conclusão, atualmente não tenho representante na Câmara Federal, dada essa absurda proporcionalidade.
    Vale dizer, que todos os demais Estados brasileiros tem aproximadamente proporcional cadeiras ao seus eleitorados.
    Selma parabéns pelo artigo, e se possível proporcione aos leitores matéria a respeito deste assunto.

    Responder
  13. Mas pelo menos podemos escolher as famílias mais simpáticas. Sacanagem é qdo se trata de judiciário, em quem não votamos e nos fodem de todo o jeito, da mesma forma “cartorial” instituída no Império. Pátria AMADA BRASIL.

    Responder
  14. O tema é muito estudado na área de Ciências Sociais. Até eu, humilde professor e jornalista, já escrevi algumas coisas sobre a Genealogia dos Políticos onde este fenômeno acontece. Para ser bem objetivo, entre as famílias mais famosas, existem as que estão em níveis um pouco abaixo, a nível municipal. Aqui na região da Serra Gaúcha, o Sartori e sua mulher, o Pepe Vargas e sua mulher, O Marchezam e seu filho, o Mendes Ribeiro e seu filho (ambos falecidos), afora os cunhados e genros…
    Muito bom o eu artigo Selma.

    Responder
  15. Só vejo crítica aos políticos. Nenhuma ao eleitor. Enquanto o eleitor pensar em ‘se dar bem’ via um político, vai continuar tudo na mesma.

    Responder
  16. culpa tambem de um povo alienado

    Responder
  17. Parabéns Selma e leitores críticos como o A.C. Neves, que primam pelo resgate da memória política. Eu, cada vez aprendendo mais!

    Responder
  18. A única maneira de impedir a formação de dinastias políticas é impedir que a política seja profissão. O caminho é a extinção da reeleição desde presidente da República até vereadores. A política deve ser um serviço cívico, não uma profissão. Com as regras atuais, todos os políticos trabalham o tempo todo pela sua reeleição. Isso favorece a corrupção e distorce até os votos dos políticos, porque, mesmo que tenha uma convicção, se seu voto consciente puder prejudicar sua carreira, ele votará de outra maneira para não se prejudicar. A reeleição corrói a democracia e instaura um regime aristocrático.

    Responder
  19. Cada dia cria se mais imposto para manter estas oligarquias simbióticas, o judiciário voraz e os escalões dos altos barnabés da republica. isto só vai acabar qdo a galinha criar dente, pois eles é que fazem as leis para situação perenizar, ou qdo morrer todos os pagadores de impostos devido a um inverno nuclear ou colisão de asteroide, acredite se quiser.

    Responder
  20. Selma, brilhante texto. Fica a pergunta, como mudar?

    Responder
  21. Prezado Geraldo Lamounier. Nossa única saída é o aeroporto internacional.

    Responder
  22. Prezada Jornalista Selma. Quanto mais velho fico(89), mais envergonhado fico com este projeto de país. Um arremedo de nação!

    Responder
  23. Povo unido por pautas prioritárias, juntos fazendo pressão em seus parlamentares, em todos os níveis, seria o início dessa longa e árdua tarefa, que terá frutos excelentes no futuro de nossa nação!

    Responder
  24. A qualidade do político é péssima. O que falar dos filhos do Lula, que não eram políticos, mas estavam sempre lá por trás participando da rapa da gamela. O mal não é os filhos dos políticos participarem da política. Isso não é proibido. O mal vai muito além disso e diz respeito à estrutura mesma do sistema, os parâmetros, as diretrizes, conforme comentado na reportagem. O pior de tudo, não existe uma solução. É preciso passar tudo a limpo por uma Constituinte. Quem irá comandar esse processo? Quem ou qual instituição o fará?

    Responder
  25. Parabéns. A FGV/RJ editou o dicionário das famílias que ocupam o poder desde a República. Deveria ser livro de cabeceira de todos os jornalistas do país. O segundo volume é digital. Não sei se já digitalizaram o primeiro.

    Responder
  26. Por favor, coloque os Amim em Santa Catarina.
    Ainda, lembrando que tivemos os Ramos e os Bornhausen.

    Responder
  27. Democracia é isso, o eleitor elege quem ele quer, não quem o colunista acha bom.
    Em culturas latinas o povo valoriza a família e tende a votar em parentes de gente em quem confia por achar mais confiável.
    Não há como mudar isso a não ser que a população mude de ideia, que seja forçada uma mudança cultural de cima pra baixo (tirania) ou se proibirem candidaturas de quem for parente de algum outro político (completamente anti-democrático).
    Eu, por mim, pouco me importo quem são os parentes e sim quem se elege. O Cid e o Ciro não seriam melhores se fossem amigos, em vez de irmãos, e Lula e Dilma não seriam piores se casados.

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

OESTE NOTÍCIAS

R$ 19,90 por mês