A classe estatal quer manter os brasileiros em regime de escravidão

Neste ano, até o começo do mês de maio, o Brasil já tinha pago mais de R$ 920 bilhões em impostos
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O preço pago é alto demais para a população
O preço pago é alto demais para a população | Foto: Divulgação/Agência Brasil

(J.R Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 8 de maio de 2021)

Ninguém no Brasil está minimamente satisfeito, embora possa estar conformado, com os impostos que tem a pagar. Nem quem ganha salário, nem o consumidor, nem as empresas — que, aliás, mal conseguem se manter vivas e dentro da legalidade no regime de extorsão permanente por parte do Estado a que todos têm de se submeter. Quando o cidadão pensa no serviço miserável que recebe de volta, então, a coisa passa do péssimo para o mais péssimo. Paga-se muito, paga-se errado, paga-se de forma frequentemente estúpida — e não se recebe nada que justifique os 150 dias de trabalho, em média, que o brasileiro tem de entregar a cada ano só para pagar imposto. Ou, então, o que se recebe é tão pouco, mas tão pouco, que fica difícil perceber a diferença.

Neste ano, até o começo do mês de maio, o Brasil já tinha pago mais de R$ 920 bilhões em impostos; o primeiro trilhão de 2021 (e olhe que nem se chegou à metade do ano) já está à vista — isso num momento em que a economia está andando a quase zero por hora, e pelo segundo ano em seguida, por causa da covid e das restrições que vieram com o “distanciamento social”. É dinheiro, e o preço pago é alto demais para a população. Basta pensar um minuto: durante cinco meses inteirinhos você rala e não vê um tostão do dinheiro que ganhou. Vai tudo para o bolso do governo. É melhor nem falar, a essa altura, no que o governo faz com a fortuna que toma a cada segundo da população — nem no tipo de coisas (e de gente) que o cidadão está pagando a cada vez que acende a luz de casa, fala no celular ou põe um litro de combustível no tanque.

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Considerando-se a calamidade que os impostos são hoje para o público pagante, talvez se pudesse esperar, pelo menos, que os que recebem aquela montanha toda de dinheiro estivessem satisfeitos. Mas não estão. A União, os 27 Estados e os 5.500 municípios também estão infelizes; reclamam que é pouco, ou que deveriam estar recebendo uma parte maior que a parte dos outros, ou que o sistema não tem lógica, nem equilíbrio, nem justiça. De qualquer forma, todos reclamam que não têm dinheiro para comprar um rolo de esparadrapo — e como é que vão fazer para dar aumento aos 12 milhões de funcionários públicos que estão na folha de pagamento?

Se o brasileiro vive hoje numa situação análoga à de escravo, trabalhando quase metade do seu tempo só para sustentar a Casa Grande que é a máquina pública, e se a Casa Grande também está infeliz, seria de se esperar que os responsáveis diretos pela catástrofe estivessem trabalhando para mudar alguma coisa. Não pensando no pagador de imposto, que a classe estatal quer mesmo manter em regime de escravidão — mas pensando neles próprios, os donos do Estado. Nada mais falso. A reforma fiscal destinada a consertar uma parte do desastre está travada há dois anos no Congresso, e pelo andar da procissão vai continuar se arrastando. Na verdade, há não apenas uma, mas duas reformas inteiras em andamento. Só que nenhuma das duas sai realmente do lugar.

A Câmara tem propostas. O Senado tem propostas. O governo federal tem propostas. Os governos estaduais e municipais têm propostas. A “sociedade civil” tem propostas; enfim, só o pagador de imposto não tem proposta. Mais: cada uma dessas tribos tem as suas brigas internas, cada grupinho ou grupão tem os seus interesses próprios, e todos estão atrás de algum proveito para si. Dá para ver o tamanho da confusão quando o único ponto que une os diversos lados é sua insistência em dizer que “a reforma não vai resolver tudo”. Sempre que se começa a ouvir esse tipo de falatório, uma coisa é certa: ninguém está disposto a resolver nada.

Leia também: “Servidores, a casta privilegiada não atingida pela crise”, artigo de Ricardo Almeida publicado na Edição 8 da Revista Oeste

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9 comentários Ver comentários

  1. Mestre Guzzo, a boa imprensa deveria insistir que a reforma que a pobre sociedade brasileira precisa e quer, é a REFORMA POLITICA, que reduza 50% das cadeiras do LEGISLATIVO NACIONAL (Câmara Federal, Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais) e o Senado Federal a somente 1 inútil senador por Estado, suas respectivas assessorias, funcionários dessas casas e privilégios. Alguns jornalistas mais esclarecidos nos tem informado que só o Congresso Nacional ( 513 deputados e 84 senadores) consomem anualmente R$12 bilhões de nosso ORÇAMENTO. É importante que a sociedade seja informada quanto consomem os Legislativos Estaduais e Municipais, e quantos municípios poderiam ser fundidos já que não conseguem pagar com recursos próprios seus funcionários públicos.
    Vale lembrar que o presidente Bolsonaro entrevistado em março/20 no SBT (Ratinho), assim se manifestou: que se proponha uma reforma politica que reduza a Câmara para 300 deputados e igualmente proporcional Estados e Municípios, e acabe com minha reeleição sem problema nenhum. Enfim exatamente aquilo que a sociedade quer ouvir, no entanto isso não foi comentado em nenhum veículo da velha e tradicional imprensa. Recomendo que leitores procurem na internet e ouçam essa entrevista, porque na minha opinião ele ainda é o mesmo.

  2. Os brasileiros, até uns três anos atrás, não tinham noção que o dinheiro gasto pelos governos, federal, estadual ou municipal, saiam do bolso deles, a mídia podre jamais tocou nesse assunto. Portanto precisam entender que quem elabora o ORÇAMENTO, aumenta ou pode diminuir os impostos são os SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, DEPUTADOS ESTADUAIS e os VEREADORES, portando o brasileiro precisa entender, que votar em um senador, deputado federal, deputado estadual ou vereador, honesto e compromissado com seu eleitor, é tão ou mais importante do que votar no Presidente da Republica, Governador Estadual ou Prefeito, agora se continuarem votando no conhecido do amigo do vizinho, fica difícil.

  3. Para manter os 12 milhões de inativos funcionários públicos (Trabalham? Produzem alguma coisa de útil?), só mesmo extorquindo, ao máximo, o já espoliado pagador de impostos. O Brasil não deu certo. Ou melhor: deu certo, sim, para os políticos e funcionários públicos.

  4. As técnicas para apropriação do dinheiro público vão evoluindo. Na minha cidade, a condição imposta pelo prefeito para instalação de uma filial de grande cadeia de lojas foi de que essa desse emprego para uma lista de apaniguados. Crime perfeito, impossível de comprovação.

  5. Não existe luz no fim do túnel.
    E prá entrar na Casa Grande e se iniciar a,derrama, o garimpo, quem paga os impostos, já concluiu que as FFAA pode ser a solução.
    Que estejam próximos aos garimpos.

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