Governo brasileiro quer aumentar geração de energia eólica e solar

Hoje, a matriz energética no país é baseada em usinas hidrelétricas  
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Energia eólica
Energia eólica | Foto: Divulgação/Unsplash

Em meio à crise energética mundial, o governo brasileiro planeja aumentar a participação das energias eólica e solar na matriz energética do país. Juntas, elas representam hoje 11% dos 179 gigawatts gerados no Brasil, segundo os dados mais recentes, de 2020. De acordo com o planejamento do governo, esse percentual deve subir para 25% até 2030.

Hoje o modelo de geração de energia brasileiro é baseado em usinas hidrelétricas. Elas representam pouco mais de 60% da matriz energética brasileira. Segundo o Plano Decenal de Energia 2030, devem passar a 49% daqui a nove anos.

A última grande hidrelétrica construída no país foi Belo Monte, no Pará, e não há planos para novos projetos, segundo Roberto Brandão, pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A expansão do sistema elétrico, segundo ele, tende a se basear na geração eólica e solar.

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Crise hídrica elevou bandeiras tarifárias

O Brasil passa atualmente pela pior crise hídrica dos últimos nove anos e a bandeira tarifária, a cobrança adicional nas contas de luz pelo acionamento de termelétricas, atingiu recentemente seu patamar mais elevado.

O acionamento de termelétricas já é naturalmente uma operação mais cara que a geração hidrelétrica. Mas neste ano, os preços subiram ainda mais devido à alta do petróleo e seus derivados no mercado global. O preço do barril passou dos US$ 80 em setembro — fato que não ocorria há três anos.

Segundo Brandão, apesar da atual crise hídrica, não deve faltar energia elétrica no país. Mas as contas podem continuar caras. Segundo ele, por mais estranho que possa parecer, o sistema elétrico teve um aumento de capacidade nos últimos anos que não foi acompanhado pelo consumo.

“A tendência para os próximos anos é você ter uma situação folgada, mas é claro que você não controla a chuva, então se a gente continuar tendo só anos secos ainda pode ter problemas. Mas não é provável, a situação mais provável é que o sistema continue se expandindo”, afirmou.

Segundo ele, a expansão do mercado de geração de energia eólica e solar “é mais do que suficiente para lastrear o aumento de consumo esperado para os próximos anos”.

Mas a análise de Brandão não é um consenso. Outros analistas dizem que com o acionamento das termelétricas está levando o sistema elétrico a um limite e as linhas de transmissão estariam sendo usadas de modo intenso — o que poderia dar margem a apagões.

Reservatórios de hidrelétricas podem ser usadas como baterias

Não há, por ora, tecnologia disponível no mercado para estocar energia elétrica em grandes quantidades com preços competitivos. Esse é o ponto fraco da energia renovável: se não há ventos, exposição solar suficiente ou se ocorre uma seca, a produção de energia cai.

Segundo a professora Virgínia Parente, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, hoje a maioria das hidrelétricas do país funciona “a fio d’água”, ou seja, não estocam grandes quantidades de água em represas para garantir o abastecimento durante um período de seca.

Segundo Parente, uma boa prática durante o processo de transição energética de fontes fósseis para renováveis, nos próximos anos, seria aumentar a capacidade de estocagem de água em represas. Assim, os reservatórios funcionariam como uma espécie de “bateria” para guardar energia para tempos de escassez.

Ao analisar esse tipo de medida, contudo, os gestores pesam a possibilidade de surgimento de novas tecnologias de armazenamento de energia, que não exijam alagamento de grandes áreas.

Leia mais: “O choque da crise energética global”, reportagem publicada na Edição 83 da Revista Oeste

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5 comentários Ver comentários

  1. Deveriam ter priorizado isso desde o dia primeiro de janeiro de 2019. Recursos do BNDES seriam imensamente aproveitados se fosse direcionados exclusivamente para isso.

  2. A energia solar não tem de, necessariamente, ser composta de células fotovoltaicas. Pode-se fazer um projeto semelhante ao que já acontece nos EUA onde o calor do sol é convergido para uma caldeira que gera grande quantidade de vapor que, por sua vez, gira turbinas e produz a tão preciosa energia elétrica.

  3. A solução a curto prazo, a meu ver, é a procura de bacias próximas aos reservatórios que poderiam ser fechadas para estocar água e abastecer os reservatórios no período das secas. Seria uma solução barata em vista de outras alternativas

  4. Aparentemente os investimentos estão com décadas de atraso tanto na geração quanto numa rede mais robusta. A tecnologia de melhor custo x beneficio seria a hidroelétrica com reservatórios grandes, mas sofre por problemas ideológicos do ambientalismo exacerbado. As demais como eólica e solar ainda são de escalas marginais pelos baixos desempenhos. Se faria bem em integrar a sistemas de acumulação térmica às fontes solares para operarem pela noite também.

  5. No que diz respeito a energia, continuamos vendendo o almoço para comprar o jantar.

    Pergunto aos universitários: qual país desenvolvido não tem (ou não teve) uma ampla participação da energia nuclear na sua matriz energética? Para um país decolar, precisa de muita energia e energia muito barata. O consumidor/produtor, ao pensar em adquirir um novo equipamento, ou em implementar uma nova solução, não pode ter como principal fator de decisão o aumento do consumo ou a disponibilidade de energia.

    Não decolamos porque estamos amarrados desde os anos 70 do século passado.

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