João Doria: ‘São Paulo já tem 74% da sua economia aberta’. Será mesmo?

Governador afirma que Estado permanece com 74% da economia aberta, enquanto empresários e trabalhadores do comércio e do serviço se desesperam cada vez mais.
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O governador João Doria | Foto: Governo do Estado de São Paulo
O governador João Doria | Foto: Governo do Estado de São Paulo | Doria - defendeu - ação - Polícia

Governador afirma que estado permanece com 74% da economia aberta, enquanto empresários e trabalhadores do comércio e do serviço se desesperam cada vez mais

Para João Doria, desde que pague os impostos ao Estado, empresa está ativa | Foto: Governo do Estado de São Paulo

Em recente entrevista à Rádio Jovem Pan, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB/SP), quando perguntado sobre como seria a retomada da economia no estado, respondeu: “São Paulo já tem 74% da sua economia aberta, nós nunca fechamos”. A informação, em meio às medidas restritivas impostas pelo governo estadual, pode causar estranhamento em quem está a mais de 60 dias sem poder trabalhar ou sair de casa. A Oeste confirmou o dado com a Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo.

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Entretanto, para “encorpar” a estatística, são consideradas abertas toda e qualquer empresa que esteja com sua inscrição estadual ativa. Assim, desde que as empresas e indústrias permaneçam pagando impostos, não importa a situação em que se encontrem, o CNPJ é válido e entra na conta da Secretaria da Fazenda.

Um exemplo é o setor de bares e restaurantes, que tem sofrido muito com a crise. Mesmo sem poder abrir as portas, os estabelecimentos estão ativos e são considerados “abertos” perante os critérios da gestão Doria.

Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), cerca de 40% dos estabelecimentos do gênero devem encerrar de vez o funcionamento na capital e na região metropolitana. Mesmo com a possibilidade de delivery permitida, muitos empresários não conseguem recompor suas rendas para pagar aluguel e a parte do salário dos funcionários que a Medida Provisória 936 [ MP que trata dos acordos individuais e coletivos celebrados entre os patrões e os empregados para a redução de salário e de jornada de trabalho] não cobre.

Ainda segundo a Abrasel, “quatro em cada cinco donos de bares e restaurantes tentaram obter empréstimos para sustentar seus negócios durante a pandemia. Mas, destes, 81% tiveram o crédito negado por instituições financeiras.” A conta não fecha.

Quem também lamentou, em nota oficial, a demissão de 15% dos empregados da área foi o Sindicato dos Trabalhadores em Hospitalidade do Estado de São Paulo (Sinthoresp). A entidade sindical contabilizou a suspensão de 46,4% dos contratos de trabalho e outros 20% tiveram redução de jornada dentro do que permitiu a medida provisória do governo federal.

Até mesmo para quem é da indústria, setor que não foi paralisado oficialmente pelo governo, a informação dada pelo governador não faz sentido: “Nós vamos completar 70 dias parados. Não conheço país do mundo que passou 70 dias parado”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf. “Essas medidas que o governo de São Paulo têm tomado de forma horizontal, tratando todos os municípios da mesma forma, também prejudicam a todo mundo”.

Segundo Skaf, se existem 645 municípios no Estado, cada município sabe da própria situação. “Cada um deveria ter a liberdade de tomar suas iniciativas e não como está sendo feito, um engessamento completo”.

 

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7 comentários Ver comentários

  1. Mentir ou deturpar a realidade passou a ser uma prática dos políticos. Aprenderam rápido com a esquerda em criar narrativa para substituir a verdade.

  2. Sujeito mentiroso e canalha. Não tem vergonha de mentir, verdadeira agressão aos que moram em São Paulo e aos brasileiros. Esse bandido criou um gabinete de crise, baseado numa declaração de um britânico , igualmente safado chamado Niel Ferguson, que propôs esta merda de quarentena horizontal. A Europa inteira foi na onda e os idosos do continente na sua maioria morreram. Aqui como só quem ficou na quarentena foi a classe rica , media alta e funcionários públicos as mortes foram menores. O pior foi a queda da atividade econômica por conta desses dois celerados. E este idiota insiste nesta imbecilidade para não dar o braço a torcer. Ele nunca mais será nada em São Paulo , apesar de ainda pretender a presidência. Vai morrer pensando. João Dória nunca mais.

    1. O que esses governadores (do tipo resultado não aproveitado da digestão) não se deram conta é que perderam – para sempre – os votos de todos os afetados, direta ou indiretamente, pelo fechamento da economia.

  3. Esse Joãozinho “Tranca Rua” Doria é uma piada. O Estado de SP não aguenta mais um incompetente desse à frente do Executivo.

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