Nubank investe até R$ 225 milhões para convidar clientes a se tornarem sócios

Há duas semanas, fintech anunciou seu primeiro lucro semestral no Brasil
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Nubank anunciou nesta segunda-feira a criação de um novo programa
Nubank anunciou nesta segunda-feira a criação de um novo programa | Foto: Reprodução/Mídias sociais

O Nubank anunciou nesta segunda-feira, 1º, a criação de um programa que terá como principal objetivo convidar clientes a se tornarem sócios da empresa. O NuSócios, que não teria nenhum custo ao cliente, de acordo com a companhia, possibilitaria novos sócios agregados por meio dos chamados Brazilian Depositary Receipts (BDRs).

Os BDRs são certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil que representam ações de companhias abertas com sede no exterior.

Na semana passada, o Nubank apresentou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Securities and Exchange Commission (SEC) seu pedido de registro de oferta pública inicial ações (IPO, na sigla em inglês). O IPO do banco será realizado nos Estados Unidos e, em paralelo a isso, a ideia é listar os papéis no mercado brasileiro por meio dos BDRs. As unidades de BDR do programa NuSócios só poderão ser negociadas 12 meses depois do IPO.

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Para custear o programa, o Nubank vai desembolsar de R$ 180 milhões a R$ 225 milhões, tendo como base o preço médio estimado de R$ 9,82 por BDR que será vendido no IPO.

“O Nubank destinará entre R$ 180 milhões e R$ 225 milhões para a compra de BDRs para os clientes, que poderão se inscrever a partir do dia 9 de novembro de 2021 por meio do aplicativo”, diz a empresa em comunicado. “O IPO deverá começar após a SEC e a CVM concluírem seu processo de revisão, sujeito ao mercado e a outras condições. Estima-se que as unidades de BDR representarão um sexto de uma ação ordinária classe A de emissão do Nubank, o que será definido na data do IPO.”

Como vai funcionar

Segundo o Nubank, o programa pretende “multiplicar em dezenas de vezes o número de brasileiros com acesso a este tipo de investimento”. Quando uma empresa entra na Bolsa de Valores, as pessoas podem comprar ações e se tornar sócias ou acionistas dela. A partir de dezembro, as ações do Nubank serão negociadas na Bolsa de Nova Iorque, e os certificados dessas ações (os BDRs) serão negociados no Brasil.

Antes disso, a ideia da companhia é convidar, já a partir do dia 9 de novembro, os clientes a se tornarem sócios ou acionistas. “Queremos que você consuma nossos conteúdos financeiros, descubra as possibilidades para seu perfil e que possa, com todas as informações disponíveis, tomar as melhores decisões para o seu futuro”, diz o Nubank em comunicado aos clientes sobre o programa. “É uma chance de entrar no universo da Bolsa de Valores com a pontinha do pé, sem ter que desembolsar nada por isso. E, a partir daí, entender mais sobre investimentos como um todo.”

O que o NuSócio ganha

Com o certificado, o cliente/sócio poderá negociar um percentual da ação do Nubank na Bolsa de Valores brasileira (B3). A estimativa é que as unidades de BDR do programa equivalerão a um sexto do papel a ser emitido nos Estados Unidos.

Para receber as BDRs, é preciso ser um cliente ativo, ter uma conta do banco que não esteja bloqueada para transações, não estar inadimplente com a instituição por mais de oito dias corridos e ter realizado ou recebido pelo menos uma operação em qualquer produto do Nubank nos últimos 30 dias antes de aderir ao programa.

O cliente que optar por ganhar o BDR terá, obrigatoriamente, de manter o papel na carteira de investimento por um ano. Essa vedação para negociação vale apenas para o BDR doado — se o cliente pagar, efetivamente, pelos BDRs, poderá negociá-los livremente na B3, de imediato.

A apresentação da oferta para investidores brasileiros está prevista para o dia 8 de novembro. O período de reserva de ações deve ocorrer entre 17 de novembro e 7 de dezembro. A Nu Invest Corretora de Valores, que pertence ao grupo Nu Holdings, é a coordenadora da líder da oferta pública inicial de BDRs no Brasil. Também são coordenadores da oferta os bancos Morgan Stanley, Goldman Sachs, Citigroup, HSBC, UBS e Safra.

Abertura de capital

A expectativa do banco digital é que, com a abertura simultânea de capital nas Bolsas de Nova Iorque e São Paulo, seja possível levantar quase R$ 17 bilhões, considerado o preço médio da faixa indicativa definida para os papéis. Se isso se confirmar, será a maior oferta de uma empresa da América Latina neste ano.

Com a colocação dos lotes adicional e suplementar, o Nubank pode chegar ao mercado avaliado em mais de US$ 50 bilhões (quase R$ 290 milhões). Caso sejam colocados todos os lotes de ações, a oferta da fintech levantará pouco mais de US$ 22 bilhões, de acordo com estimativas do próprio Nubank. Desse montante, R$ 20 bilhões seriam referentes à oferta primária, na qual os recursos vão para o caixa da empresa.

O banco informa ainda que os recursos líquidos do IPO serão direcionados para o capital de giro do Nubank, despesas operacionais, despesas de capital e investimentos ou potenciais aquisições. Cada um desses quatro itens receberia 25% do total levantado (mais de R$ 4 bilhões, considerada a oferta-base).

Lucro no Brasil

No dia 13 de outubro, o Nubank anunciou que fechou o primeiro semestre deste ano registrando lucro em suas operações no Brasil. Segundo a companhia, o resultado positivo nos seis primeiros meses de 2021 foi de R$ 76 milhões. No mesmo período do ano passado, a empresa teve um prejuízo de R$ 95 milhões.

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