Paulo Guedes: ‘Queremos proteger os trabalhadores da demissão em massa’

O ministro explica que a MP 927 foi concebida porque várias empresas no Brasil estão quebrando
-Publicidade-
O ministro da Economia, Paulo Guedes, faz palestra de encerramento do Seminário de Abertura do Legislativo de 2020.
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
O ministro da Economia, Paulo Guedes, faz palestra de encerramento do Seminário de Abertura do Legislativo de 2020. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O ministro explica que a MP 927 foi concebida porque várias empresas no Brasil estão quebrando

Paulo Guedes MP 927

“O governo teria de entrar com uma suplementação salarial. Só que não botaram isso. Botaram livre negociação. E, aí, dá a impressão que o cara vai ser demitido, não ganha nada e fica recebendo um curso. Claro que não é isso”, resumiu o ministro da Economia, Paulo Guedes, numa entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ao comentar a gritaria acerca da Medida Provisória 927.

-Publicidade-

Segundo ele, faltou explicar na MP que o governo vai assegurar ao trabalhador parte do salário que ele recebia antes do contrato ser suspenso. “Você pega um trabalhador que ganha R$ 2 mil e a empresa não aguenta pagar. Aí, reduz o salário, cai para R$ 1 mil. O governo paga 25%. O salário cai para 75% do que era. A empresa paga 50% e o governo, 25%”, observou o ministro.

De acordo com Guedes, a equipe econômica se confundiu no momento de redigir a MP em razão do volume de trabalho acumulado nas últimas semanas: cerca de 1.600 medidas. “Para não ter demissão em massa vamos colocar uma cláusula de livre negociação. Estamos tentando proteger todo mundo que a gente consegue”, garantiu.

O ministro explicou que a MP foi concebida porque várias empresas no Brasil estão quebrando. O motivo: a pandemia de coronavírus. “Com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) antiga, todo mundo é demitido porque as empresas estão fechando. As que são atingidas pela crise estão fechando muito rápido”, constatou.

Guedes descreveu a conversa que teve com o presidente Jair Bolsonaro depois do mal entendido que se instalou. O chefe do Executivo pediu para tirar o artigo n° 18 que trata da suspensão dos contratos. “Tira porque estou apanhando muito”, disse Bolsonaro.

Entenda

A equipe econômica do governo Bolsonaro editou no último domingo, 23, a Medida Provisória nº 927. Entre as mudanças estão o adiamento do pagamento do FGTS por três meses, a antecipação de férias individuais, coletivas e feriados (o presidente vetou o artigo n° 18 que trata da suspensão de contratos de trabalho).

Apesar de dura, a medida é necessária. Não são todos os empregados que podem trabalhar em regime home office e, portanto, continuar produzindo. Imagine a dificuldade de uma pessoa cujo ofício requer sua presença física no local de trabalho, como um empacotador, uma diarista ou um vendedor de lojas. No setor de transportes, por exemplo, é necessária uma equipe para carregar, descarregar e conduzir caminhões, navios e aviões.

O pequeno e médio empreendedor também é afetado — padarias, açougues e mercados entram na lista. Sem a mão de obra dos trabalhadores, como gerar lucro e, assim, pagar os pesados encargos trabalhistas dos funcionários e as despesas necessárias para manter o negócio operando?

Flexibilizar as leis trabalhistas dará fôlego ao empreendedor para que a empresa continue de portas abertas e não precise demitir ninguém em razão da crise. Para se ter ideia, somando todos os benefícios obrigatórios (vale transporte, vale alimentação) e encargos sociais (INSS, FGTS), o custo de um funcionário, hoje, que recebe um salário de R$ 1.000 é de R$ 2.514 para a empresa.

-Publicidade-
* O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais.

3 comentários Ver comentários

  1. Se mexer nos salários do TJs, STFs, governadores, prefeitos, enfim políticos, imagina o quanto iria ajudar.
    ” o Exemplo vem de casa , mas cade o Exemplo?”

Envie um comentário

Conteúdo exclusivo para assinantes.

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Revista OESTE, a primeira plataforma de conteúdo cem por cento
comprometida com a defesa do capitalismo e do livre mercado.

Meios de pagamento
Site seguro
Seja nosso assinante!

Reportagens e artigos exclusivos produzidos pela melhor equipe de jornalistas do Brasil.