Presidente do BB vê recuperação lenta, mas sólida da economia

Rubem Novaes destacou que programas de crédito criados não geraram perdas a instituições financeiras e avaliou que inflação deve voltar a subir depois da crise.
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Rubem Novaes estava à frente do BB desde o início da gestão Bolsonaro| Foto: Governo do Estado de São Paulo
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Rubem Novaes destacou que programas de crédito criados não geraram perdas a instituições financeiras e avaliou que inflação deve voltar a subir após a crise

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Novaes: “É preciso ter equilíbrio correto entre epidemia e economia”
Foto: Governo do Estado de São Paulo
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O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, avaliou nesta sexta-feira, 17, que já é possível perceber uma recuperação lenta, mas aparentemente sólida, da economia.

“Claramente já há uma tendência de recuperação na economia. Os resultados têm surpreendido positivamente, diversos economistas estão revendo suas projeções e o próprio governo já prevê uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de 5% em 2020”, afirmou em teleconferência organizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

De acordo com o executivo, a agricultura brasileira não sentiu os efeitos da crise da pandemia, enquanto a indústria e o comércio se adaptaram bem à nova realidade de vendas remotas.

“Já o setor de serviços ainda sofre bastante, porque requer a presença do consumidor. Além disso, a proposta de reforma tributária patrocinada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, penaliza o setor”, emendou.

Pandemia não impõe perdas

Novaes colocou que os programas emergenciais de crédito criados durante a crise não trouxeram perdas aos bancos públicos e nem aos privados. Ele lembrou que o Tesouro Nacional assumiu 85% do risco do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

“Nenhum banco terá prejuízo, ao contrário do que aconteceu em governos passados que usaram o BB e a Caixa em programas que geraram perdas”, lembrou ele. “Não nos foi imposto nenhum ônus. Programas são vantajosos para o banco e seus acionistas.”

O presidente do BB repetiu que o sistema bancário tem aumentado o crédito em grande velocidade, porém voltou a admitir que a demanda por financiamentos cresceu muito mais na crise. Embora muitas regiões ainda exijam medidas de isolamento social para conter o coronavírus, defendeu a retomada da atividade. “Já passado o pico da demanda por UTIs e respiradores em muitas cidades, precisamos deixar a população trabalhar”, encorajou. “É preciso ter equilíbrio correto entre epidemia e economia. É preciso seguir protocolos de segurança no retorno, mas não podemos impedir as pessoas de lutarem por sua sobrevivência.”

Inflação

Na avaliação de Novaes, a inflação deve voltar a subir após a crise.

“Quando o montante de moeda empoçada voltar a circular, a inflação pode subir um pouco.”

Ele evitou, no entanto, tecer qualquer comentário sobre taxas de juros vindouras. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fica bravo com a gente quando comentamos política monetária”, brincou.

No último Relatório Focus, os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA — o índice oficial de preços — em 2020 de alta de 1,63% para 1,72%. A projeção para o índice em 2021 seguiu em 3,00%.

No mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic (a taxa básica da economia) em 0,75 ponto porcentual, de 3,00% para 2,25% ao ano.

Privatização

Novaes voltou a defender a privatização da instituição. “Uma empresa estatal com capital privado é uma anomalia. Ou você é público, ou você é privado.”

Por fim, ele criticou o que chamou de política de compadrios e corrupção no setor público em Brasília. “Qualquer liberal que tentar entrar nesse meio vai receber uma rejeição como um vírus que tenta entrar em um organismo. É muito difícil para um grupo de liberais trabalhar no ambiente político daqui”, completou.

 

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