Programa econômico do governo foi ‘um fracasso’, diz Maílson da Nóbrega

Ministro da Fazenda do ex-presidente José Sarney cobra privatizações e critica PEC dos Precatórios
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Maílson da Nóbrega foi ministro da Fazenda no governo do ex-presidente José Sarney
Maílson da Nóbrega foi ministro da Fazenda no governo do ex-presidente José Sarney | Foto: Reprodução/YouTube

Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, exibido na noite de segunda-feira 8 (clique aqui para assistir na íntegra), o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou que os resultados entregues pela equipe econômica do governo do presidente Jair Bolsonaro, liderada por Paulo Guedes, são decepcionantes. Segundo o ex-ministro, que comandou a pasta entre 1988 e 1990, no governo de José Sarney, faltou avançar na agenda de reformas e no programa de privatizações.

“Se você olhar a promessa que foi feita no início e o que se vê hoje, o programa foi um fracasso porque não entregou dois de seus principais pontos: uma forte privatização, incluindo Petrobras e Banco do Brasil, e a venda de imóveis do poder público”, disse Maílson. “A equipe econômica do governo não avaliou adequadamente as restrições institucionais, culturais e políticas Faltou capacidade de articulação política para a defesa do programa de reformas.” 

Teto de gastos

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O ex-ministro da Fazenda criticou duramente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, defendida pelo governo e já aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados — a votação em segundo turno deve acontecer ainda nesta terça-feira, 9. O projeto é considerado fundamental para que se abra espaço no Orçamento e seja viabilizado o Auxílio Brasil, novo programa social que sucede ao Bolsa Família. Para Maílson, embora o objetivo da proposta seja louvável, trata-se de uma grave ameaça ao cumprimento do teto de gastos.

“O ministro da Economia, que é um homem respeitado por seus conhecimentos, dizia que o teto de gastos era inegociável. E dizia corretamente”, lembrou o ex-ministro. “E agora é ele [Guedes] quem propõe furar o teto, a licença para gastar. Nesse caso, os mercados perceberam isso rapidamente. Ele pediu a licença para gastar, propôs a PEC dos Precatórios e propôs uma contabilidade criativa para calcular o teto”, criticou. 

“Mercado avalia risco e retorno. Quanto mais alto o risco, se espera o maior retorno. Mercado é covarde. Mercado não confronta governo. Se o governo está fazendo coisa errada e que afeta seus interesses, ele simplesmente vai embora. O mercado fez a avaliação de que isso aumentaria a chance de calote do governo.”

Ainda segundo Maílson, “os mercados têm uma função na sociedade, que é avaliar riscos”. “Eles exercem um papel de disciplinar governo”, aponta, explicando por que o apoio à PEC dos Precatórios vem minando a credibilidade da equipe econômica no mercado.

Terceira via

Além de economia, Maílson da Nóbrega tratou de política e do cenário eleitoral de 2022. O ex-ministro de Sarney admitiu preferência pela chamada “terceira via” na disputa presidencial do ano que vem, mas reconheceu as dificuldades do centro em viabilizar uma candidatura competitiva diante da polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Não é tão simples quanto as pessoas estão pensando. A terceira via não se resolve conversando, escrevendo artigo… Ela só será viável se um dos dois polos não estiver no segundo turno”, afirmou. “Não vejo chances de escolher um nome único do centro para o primeiro turno porque isso requer uma capacidade de articulação, coordenação e liderança que não existe no Brasil.” 

Indagado sobre quem poderia vir a ser o candidato da terceira via, Maílson citou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) — que disputa as prévias tucanas com o governador de São Paulo, João Doria, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

“Eu me impressiono muito com o governador do Rio Grande do Sul. Se ele vencer as prévias, acho que é o candidato [da terceira via]. Mas ele precisa passar por dois obstáculos: primeiro, vencer as prévias do PSDB; segundo, abrir um lugar no segundo turno”, diz Maílson.

Moro

Na entrevista, o ex-ministro da Fazenda também analisou as pretensões eleitorais do ex-juiz Sergio Moro, que deve se filiar nesta semana ao Podemos e é cotado como potencial candidato ao Palácio do Planalto no ano que vem.

“Quem vai determinar se tem terceira via não é o cara da terceira via. É se Bolsonaro ou Lula não forem para o segundo turno. Tem que ter uma vaga. Se não tiver uma vaga, não tem terceira via”, afirma. “O ministro Moro certamente tem condições. O que se diz é que ele não tem o traquejo do político, o discurso, o carisma, mas isso ele pode adquirir durante a campanha. Mas só será um candidato competitivo se, na campanha, se sair muito melhor do que os outros, conquistar o apoio de uma expressiva maioria da população e reunir em torno dele um conjunto de ideias e de pessoas que impulsionem sua candidatura.”

Leia também: “Um monstrengo que paralisa o governo”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 84 da Revista Oeste

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46 comentários Ver comentários

  1. POR FAVOR REVISTA OESTE!!! ENTREVISTAR UM ZUMBI DESSES QUE NÃO AJUDOU EM NADA O BRASIL. SÓ PIOROU NA GESTÃO DELE. E NÃO TINHA PANDEMIA!!!!
    AGORA SÓ FALTA VOCÊS ENTREVISTAREM O GUIDO MÂNTEGA!!!!

  2. O que será q ele faria (ou fez) com um pacote de precatórios como esse? É em plena pandemia?

    Falar é fácil, né, Mailson? Ainda mais q você demonstrou ser um incapaz como ministro!

  3. Muito divertido ver alguém q entregou a pior inflação anual, superior a 1000%, fazer uma análise como essa.

    Privatização da Petrobras: já se sabia q não seria possível.

    As privatizações e concessões possíveis q dependem somente do Executivo estão em andamento.

    Já as q dependem do Legislativo (e Judiciário quando parlamentares da oposição perdem) são um enrosco de pura sabotagem

  4. Maílson da Nobrega é mais um dos mesmos.
    Critica falta de negociação por parte do Governo ao tempo em que critica a negociação no Legislativo para o limite de pagamento dos Precatórios.
    Critica a tentativa de limitar seus gastos anuais, sem considerar que tudo, de décadas para trás, acabou de cair esse ano, e em ano de crise econômica mundial, como se isso fosse um crime contra o até então estabelecido; logo não existiriam alternativas, o devedor não pode negociar dívidas?
    Critica falta de privatização da Petrobras e do BB, num ambiente altamente hostil e cheio de armadilhas e sabotagens ao desenvolvimento do País, tanto no Legislativo quanto no Judiciário, e a culpa disso é do Governo, e não dos indivíduos que assim agem.
    Critica o estouro de um teto de gastos que só irá aumentar se o Congresso o tornar legal, ou seja, não haverá erro, avanço ao teto, ou estouro.
    Diante duma crise mundial econômica, o País se virando para atender inclusive aos mais pobres, critica e critica, mostrando apenas ser tão paradoxal como seus iguais, achando, por outro lado, louvável a ajuda financeira aos mais pobres.
    É uma figura, integrante perfeito do grupamento dos mais iguais!

  5. Para o título de “pior ministro da Fazenda” é uma briga difícil… mas esse Mailson está no grupo dos mais cotados para o título.
    Terminei a graduação no meio da famigerada “década pedida” dosanos 80. Esse pulha, falastrão e imbecil foi um dos grandes responsáveis por anos de atraso e hiperinflação nesse país… se ficasse quieto e agisse como o finado Figueiredo (me esqueçam) seria melhor para o país.
    Mas a “imprensa doente” não costuma deixar os cadáveres insepultos no seu merecido ostracismo….

  6. Esse não foi o criador do falido Plano Verão?
    Q moral ele tem para condenar o ministro atual, que alem dos tiros da oposição ainda tem que cuidar da peste chinesa que os governadores estaduais não conseguiram solucionar?

  7. Eu vivi os anos 1980 quando este sujeito foi ministro , é simplicidade a pior crise já vivida no Brasil , inflação batendo nos 100% ao mês .
    O país foi a falência .
    Ele e José Sarney deveriam estar presos e não dando entrevista , deveria ter vergonha na cara.
    O Brasil quebrou , mas os dois são ricos .
    Nojo !!!

  8. EX MINISTRO DE SARNEY NÃO TEM MORAL PARA CRITICAR PAULO GUEDES, PARA ESTE SENHOR DOS TEMPOS DO PLANO CRUZADO ARROGÂNCIA E DESPEITO É POUCO.PSDB TRAVESTIDO , NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA ANALISAR A SITUAÇÃO ATUAL.EM TEMPOS DE PANDEMIA O GOVERNO BOLSONARO ESTA CORRETO EM PROTEGER OS MAIS POBRES, AFINAL DE CONTAS ESTES PRECATORIOS FORAM JOGADOS NO COLO DESTE GOVERNO PROPOSITALMENTE NUM ANO ELEITORAL.STF TRABALHANDO PARA OPOSIÇÃO ( CHEFINHOS).

    1. O ministro se contradiz exige do governo a venda da Petrobrás e admite que no congresso não é possível articular a 3 via … se isto não é possível imagina concenso para privatização.

  9. É apenas mais um “especialista” de galinheiro bajulado pelo “consórcio de veículos de imprensa” para atacar o Bolsonaro.

    Esta no google – https://www.google.com/search?channel=nrow5&client=firefox-b-d&q=infla%C3%A7%C3%A3o+no+periodo+mailson+da+nobrega

    “Nóbrega havia declarado que faria uma política econômica “feijão com arroz”, sem “soluções miraculosas”, realizando somente ajustes pontuais para evitar uma hiperinflação. Todavia, o ano de 1987 que havia terminado com uma inflação acumulada em 415,87%, foi amplamente superado pelo índice de 1 037,53% ao final de 1988″.

  10. Ele torce pela terceira via, isso já diz tudo! Queria ver ele conseguir levar adiante as privatizações e as reformas com aquele congresso e 5TF atacando contra toda hora, esse tipo de narrativa é de dar nojo!

  11. Mailson da Nóbrega? E a pergunta que não quer calar, o que você como ministro fez? Difícil pedir para esses “especialistas de várzea” fazer reflexões sobre seus atos, amnésia seletiva que chama? Vamos em frente Brasil.

  12. Provavelmente o pior ministro da Fazenda da história da República brasileira – fora que a não-aprovação de mais privatizações é responsabilidade do Congresso e STF, seu acéfalo!

  13. É esse “economista” (???) dos planos mirabolantes que critica o atual governo? Fácil posicionar-se como “engenheiro de obra feita”. Apontar soluções coerentes não o faz visto a incompetência monstruosa!!!!

  14. Eu lembro muito bem dessa figura. Na época dele a inflamação era de 1000%. Esse senhor não acrescentou em nada com os seus programas. Um verdadeiro desastre. Um grande de um hipócrita.

  15. Certamente, esse foi um sucesso. Quebrou o país 3 vezes, destuiu a economia externa e interna, acabou com a classe média e o emprego formal. Cala boca, nojento.

  16. Nunca houve no Pais tantos especialistas em “CRÍTICA”. Este governo, bom ou ruim, está sendo o mais massacrado da história do Brasil.

  17. Será que todo mundo tem amnésia e já esqueceu desse fracassado chamado Maílson? Só falta entrevistarem o Jô Soares e perguntarem sobre nutrição.

  18. Esse prezado e tantos outros (Delfim, Mailson, Bresser e tantos outros) não tem nenhuma moral para criticar a politica do Governo Atual. São todos fracassados que levaram o Brasil a mega hiperinflação. Quem daqui for mais velho, sabem bem do que estamos falando. É um hipócrita e suas palavras não merecem atenção e credibilidade

  19. Ele, Mailson, é um economista tão bom, mas tão bom, que foi um dos cinco chamados por Sarney para corrigir a economia brasileira. Corrigiu? Vai, Maison, responde, por favor!

  20. O Mailson também é negacionista. Para ele não houve pandemia e ela não impactou a economia. É triste ver mais um incompetente atacar o governo.

  21. Primeiro item de um Homem Público deveria ser vergonha na cara. Depois do que não fez quanto era Ministro, um dos piores Ministros ter coragem de criticar Paulo Guedes. Vai pra PQP.

  22. É decepcionante ver a Oeste e o Augusto dar lugar de fala a um paraíba imundo, cafajeste e incompetente como esse. Essa desgraça é um atrevido, acima de tudo. Entrevistem o Marcola ou o Beiramar que teremos muito mais a ganhar.

  23. Grande Mailson da Nóbrega, comandou a economia no governo de Sarney, não conseguiu nada contra a maior inflação da história do país, querer dar pitaco, olha o seu passado para criticar alguém no presente.

  24. Falou o cara que era parte de um governo que teve a maior inflação de todos os tempos no Brasil, no governo Sarney o trabalhador recebia o salário pela manhã e quando chegava a noite o dinheiro já tinha desvalorizado, era comum comprar carro e motocicleta como forma de reter o valor ganho, só por ai vemos o fracasso que foi esse governo que este fdp fez parte!

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