‘Quem comprou ações da Magalu vai ter de esperar 150 anos para ter o dinheiro de volta’

O investidor Luiz Barsi afirma que não aplica em ações do setor de varejo
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O rei dos dividendos explica que o especulador compra através de dicas
O rei dos dividendos explica que o especulador compra através de dicas | Foto/Reprodução: YouTube

Luiz Barsi Filho, o maior investidor individual da bolsa brasileira, afirmou que o Magazine Luiza vai quebrar. A declaração ocorreu em junho durante o podcast Irmãos Dias. Em entrevista a Oeste, o “Warren Buffett brasileiro” explicou que as empresas de varejo tendem a quebrar, pois vendem somente produtos de linha branca: refrigeradores, freezers, lavadoras de louças e de roupas etc.

“O Magazine Luiza está dentro de um sistema de varejo em que todos os outros que passaram, como: Mapping, Ultralar, Máquina de Vendas, quebraram”, afirmou Barsi. “Quem comprou as ações da Magalu no ápice vai ter de esperar 150 anos para ter o dinheiro de volta.” De acordo com o megainvestidor, atualmente, o valor de mercado da empresa de Luiza Trajano é de R$ 13 bilhões. Contudo, o Magazine Luiza não vale realmente esse valor e não remunera bem.

Para ele, a empresa Ponto Frio só não faliu porque se juntou à Via Varejo — empresa de varejo do grupo Pão de Açúcar. Já lojas como a Havan e a Marabraz não trabalham somente com a linha branca, mas vendem móveis, roupa, cama, mesa e banho, entre outros itens. “Empresas assim persistem porque têm produtos que garantem sua atividade.”

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Quando o assunto é investimento no setor de varejo, Barsi afirma não aplicar seu dinheiro nesse setor. Entretanto, tece elogios às Lojas Americanas. Segundo ele, a empresa segue uma lógica de laboratório: compra toneladas e vende em gramas, por isso, apresenta bom desempenho no mercado.

Melhores setores para investimento

Os setores perenes e de necessidades vitais são os ideais para investimento, de acordo com o megainvestidor. São esses: alimentação, roupas e moradia. Além disso, existem setores em que o cidadão paga sem consumir, como energia elétrica. “Quando viajamos, podemos desligar tudo em casa, mas ao retornarmos sempre vai ter uma conta de luz”, observou. Por isso, investir em energia elétrica é uma ótima opção.

O seguro do carro também, geralmente, é pago para não ser consumido. Por isso, esses são os melhores setores para o brasileiro investir. Ser um pequeno dono das empresas é o ponto ideal para Barsi. Sendo assim, suas carteiras preferidas são de setores que dão bons resultados. “Quando se trata de investimentos, não mostro o que a pessoa tem de fazer, mas sim o que ela não deve fazer”, afirmou.

Já as ações preferidas de Barsi na bolsa para pagar dividendos são a Unipar, Klabin, Taesa, Banco do Brasil, Banco Santander, Transmissora Paulista de Energia, entre outras.

Quem é o nosso maior investidor

Luiz Barsi Filho, 83 anos, o maior investidor individual brasileiro, investe há mais de 50 anos na Bolsa de Valores e acumula aprendizado de uma longa jornada de investimentos. Com fortuna avaliada em R$ 2 bilhões, o rei dos dividendos é filho de mãe espanhola e pai italiano.

Ele morava em um cortiço no Brás, bairro com tradição operária em São Paulo. A infância simples se tornou ainda mais difícil depois da perda do pai. Aos nove anos, Barsi trabalhou como engraxate nas ruas da cidade. Além disso, foi vendedor de balas no cinema, alfaiate, e, com sua mãe, abriu uma pequena loja.

Apesar das dificuldades, Barsi formou-se técnico em contabilidade e concluiu dois cursos de ensino superior: Direito e Economia. Em 1970, Barsi, que já era operador da bolsa de valores, resolveu investir em ações de empresas que ofereciam o pagamento de dividendos —  parcelas do lucro de uma empresa distribuídos na forma de remuneração aos acionistas.

Com o tempo, o investidor desenvolveu o “Método Barsi de investir” e, exercitando paciência e disciplina, alcançou sua aposentadoria depois de dez anos. Para o investidor, as altas e baixas do mercado pouco importam, pois a atenção está na renda criada pelo patrimônio e não no tamanho dele.

Por isso, ele recomenda não vender ações e critica a ação dos especuladores na bolsa: “O especulador não compra uma ação, mas sim uma batata quente”, afirma. “Quando ele compra uma ação não vê a hora de se livrar. E quando vende e tem o dinheiro em mãos, não vê a hora de comprar outra coisa.”

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5 comentários Ver comentários

  1. Através do seu marketplace, a Magalu vende diversos produtos, como, por exemplo, peças automotivas. E, muitas vezes, com um preço mais baixo do que o de grandes autopeças.

  2. O sr Barsi sabe muito, mas não sabe tudo e comete um erro capital ao criticar o especulador. Muito ao contrário, o especulador é sua salvação, pois é ele quem dá liquidez ao mercado, que possibilita compra pra quem quer vender e venda pra quem quer comprar ou seja, provavelmente nem existiriam as bolsas sem eles, já que investimento sem liquidez não interessa a ninguém.

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