Taxa Selic volta aos dois dígitos depois de quatro anos

Para combater a inflação, Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a taxa de juros de 9,25% para 10,75% ao ano
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Edifício-sede do Banco Central, em Brasília | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Edifício-sede do Banco Central, em Brasília | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em reunião na noite de quarta-feira 2, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou o aumento da taxa básica de juros da economia brasileira (a Selic) para 10,75% ao ano. Em dezembro do ano passado, a taxa havia chegado a 9,25% ao ano — a alta, portanto, foi de 1,5 ponto porcentual.

Trata-se do oitavo aumento consecutivo da Selic, que volta agora aos dois dígitos pela primeira vez em mais de quatro anos. Em julho de 2017, os juros básicos da economia estavam em 10,25% ao ano.

A decisão anunciada pelo Copom não surpreendeu o mercado, que já esperava a continuidade da política de aumento dos juros. Segundo projeções de analistas financeiros, a Selic deve voltar a subir em março, provavelmente chegando aos 11,75% ao ano.

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O objetivo do BC é assegurar a inflação deste ano dentro da meta estipulada pelo governo, de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Em 2021, a inflação fechou em 10,06%, o maior índice desde 2015. Para 2022, o mercado estima que a taxa fique em torno de 5%, no limite do teto da meta.

Em comunicado, o Copom informou que manterá o “ciclo de aperto monetário” nos próximos meses — ou seja, continuará elevando a Selic para segurar a inflação. Este movimento, no entanto, deve começar a ser feito de forma mais suave daqui por diante.

“O Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros”, anunciou o órgão. “Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que a incerteza em relação ao arcabouço fiscal segue mantendo elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação.”

Na última edição do Boletim Focus, do BC, divulgada na segunda-feira 31, os analistas do mercado elevaram a projeção de inflação para 2022, de 5,15% para 5,38%. Em relação ao ano que vem, o mercado financeiro subiu a estimativa de 3,4% para 3,5%. No ano que vem, a meta está fixada em 3,25% e será formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

De acordo com o Focus, a expectativa dos analistas para a taxa básica de juros da economia se manteve inalterada em 11,75% ao ano para o fim de 2022 — mesma projeção da semana anterior. Para 2023, os analistas estimam a taxa de juros em 8%.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 17 de março.

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1 comentário Ver comentários

  1. Para quem não entende TODO O ESPECTRO da alta de juros…acha que só encarece o dinheiro nacional (empréstimos).
    A origem da inflação brasileira é CAMBIAL…o dólar subiu MUITO na pandemia e a esquerdalha ADOROU ISSO.
    de 3,80 foi pra 5,60 reais 1 dólar
    Se não subisse.. Brasil teria 2 anos de SUPER DEFICIT na Balança comercial e estarrecedores números negativos na contabilidade que interessa…Balanço de Pagamentos. Seria uma verdadeira BOLA de NEVE se o dólar não fosse violentamente desvalorizado através da queda vertiginosa da Taxa de juros.
    BINGO para Paulo Guedes. O Brasil atravessou razoavelmente BEM a tempestade mundial.
    AGOra vem a inflação… era óbvio QUE VINHA…já vinha e vem forte nos próximos 6-7 meses.
    Com o pagamento de juros mais ellevados no País.. atrai capital para nosso sistema financeiro,.. atrai DÓLARES.
    Vai segura e até mesmo retroagir esse 5,6 R$/dólar. Eu calculo que caíra abaixo dos 4,50 até o final do ano.
    ISSO SE OS CANALHAS DO USA BIDÊ… não ficar provocando os Russos.

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