Em Sete Lagoas (MG), a vida já voltou ao normal - Revista Oeste

Em 23 Maio 2020, 21:00

Em Sete Lagoas (MG), a vida já voltou ao normal

23 Maio 2020, 21:00

A Oeste, o prefeito Duílio de Castro explica como é possível equilibrar o combate ao coronavírus e a retomada da atividade econômica

O prefeito de Sete Lagoas (MG), Duílio de Castro | Foto: DIVULGAÇÃO/PREFEITURA DE SETE LAGOAS

Enquanto várias cidades aguardam a reabertura do comércio, das escolas e dos espaços de lazer, a mineira Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte, tornou realidade o sonho de muitos brasileiros. Além disso, o coronavírus está controlado no município de 230 mil habitantes, que tem 14 infectados e uma morte registrada em razão da covid-19 — a vítima faleceu no Estado do Tocantins.

Nos 42 dias em que Sete Lagoas permaneceu sob isolamento social, o prefeito Duílio de Castro (Patriota) preparou a cidade para enfrentar o vírus chinês. Conforme a entrevista abaixo, as medidas tomadas foram bem-sucedidas e propiciaram a abertura lenta, segura e gradual da economia. Essas políticas se tornaram possíveis graças ao decreto do governador Romeu Zema (Novo), que permite a cada cidade enfrentar a covid-19 à sua maneira.

O que fez a prefeitura de Sete Lagoas durante o isolamento social?

Redigimos um plano de ação. Para os 20 programas de saúde do município, contratamos mais médicos. Depois, o horário de funcionamento das Unidades Básicas de Saúde se estendeu. Também aumentamos o número de leitos nos quatro hospitais particulares da cidade e treinamos equipes de monitoramento para cuidar dos casos de covid-19. Na sequência, firmamos parceria com duas universidades para montar um laboratório, onde são produzidos diariamente 200 testes PCR (o resultado sai em 48 horas) — o objetivo é ter dados precisos. E, nesse local, há cientistas que estão desenvolvendo pesquisas.

Como foram delineadas as diretrizes de combate ao coronavírus?

Montamos dois comitês técnicos. O primeiro é formado por médicos, infectologistas e profissionais da saúde. Eles avaliam não só os dados que temos mas também as informações sobre o que está dando certo, ou não, no Brasil e no mundo. O segundo é o Comitê de Gestão de Crise, composto de nove autoridades, incluindo a mim, que têm poder de voto. É um conselho que toma decisões referentes ao coronavírus com base em critérios técnicos. Como medida de transparência, a Secretaria de Saúde publica boletins diários para informar a população sobre o status da doença na cidade e meios de prevenção.

O município possui hospital de campanha? Caso não, está nos planos da prefeitura?

Como temos apenas 15,4% de uso de ocupação da estrutura que já montamos a fim de atender as pessoas, com ampliação de médicos e leitos, não é justificável construir um hospital de campanha agora, para ficar com uma equipe ociosa gastando dinheiro público. No entanto, isso está no planejamento e, se for necessário, ele será feito. Esperamos não precisar.

“Eu entendo que temos de buscar o equilíbrio entre a pandemia e a economia”

VEJA TAMBÉM: O Brasil não se rendeu ao vírus chinês

A reabertura ocorreu de que forma?

Só demos início à flexibilização depois de avaliados os dados de controle. A partir daí, abrimos os setores gradativamente, mantendo fechadas igrejas, escolas e academias. No comércio, estamos conciliando duas turmas de trabalho: uma atua das 8 às 16 horas; a outra das 10 às 18 horas — o intervalo de duas horas entre as equipes é para não sobrecarregar o transporte público. Abrimos o shopping, que opera das 14 às 20 horas, mas sem o funcionamento da praça de alimentação. Não é permitido trazer bebida alcoólica, ligar o ar condicionado e o volume de pessoas nas lojas tem de ser 50%. No decreto, é obrigatório o cumprimento das medidas de segurança, como o uso de máscara.

Desde então, qual a situação do número de casos de coronavírus na cidade?

Os índices caíram. Quando testei positivo para a doença, em 3 de maio [o prefeito, que já se recuperou, relata ter feito uso da cloroquina no tratamento contra a covid-19], as notificações estavam em aproximadamente 7,8% — em 29 de abril, o município flexibilizou a abertura do comércio. Nesta semana, o nível é de 0,8%, e houve aumento de apenas dois casos confirmados. Tínhamos 12 e, agora, 14.

Como os moradores de Sete Lagoas reagiram à decisão de flexibilizar o isolamento?

Temos respaldo positivo porque fazemos tudo democraticamente. Assim, a cidade inteira fica sabendo de todas as decisões. No começo, as pessoas estavam assustadas por causa da mídia, que tratou a doença com terrorismo. Contudo, agora está tranquilo. Em muitos lugares, por exemplo, temos informações de que o isolamento não ajudou em nada. Aqui, nós trabalhamos com dados reais.  Entendo que temos de buscar o equilíbrio entre a pandemia e a economia. Não podemos desempregar as pessoas e gerar outro problema ainda maior. Em Sete Lagoas, fechamos tudo, montamos uma estrutura, reabrimos, vigiamos e vida que segue.

Leia mais: “Ninguém conhece um município mais e melhor que o prefeito”, artigo de Augusto Nunes na Edição 9 da Revista Oeste.

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3 Comentários

  1. Já pensou este prefeito aqui em BH? Junto com ZEMA e Bolsonaro? Nada a TEMER. Nada a Kalil. Nada a Pimentel.
    Quantos “balaios” são necessários p agrupar os usurpadores do poder?
    Parabéns digníssimo prefeito, por cumprir bem a missão que os meus irmãozinhos vizinhos te relegaram. O KALIL tá deixando o seu pessoal conterrâneo entrar aqui em BH?
    NÃO DEIXE O KALIL ENTRAR AÍ. fede minusculamente.

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  2. Parabéns ao prefeito! Exemplo a ser seguido!!!!!

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  3. Prefeito parabéns pela coragem entre cuidar da epidemia e preparar a economia para girar e manter empregos e investimentos. É possível isso. Isso foi demonstrado. Demais prefeitos devem reabrir os negócios de sua cidade também, sob pena do risco e colapso econômico.Vamos em frente que vai dar certo.

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