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A atuação dos agentes secretos russos na guerra da Ucrânia

Antes do início do conflito, o Kremlin espalhou espiões pelo território ucraniano
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Uma investigação detalhou a atuação do Serviço Secreto Russo no país vizinho
Uma investigação detalhou a atuação do Serviço Secreto Russo no país vizinho | Foto: Reprodução/Flickr

Uma longa operação do Kremlin infiltrou agentes secretos na Ucrânia antes do início da Guerra entre os dois países. A informação foi revelada depois de uma investigação da agência de notícias Reuters.

A queda de Chernobyl

Quando os primeiros veículos blindados do exército da Rússia chegaram ao coração da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 24 de fevereiro, os soldados russos encontraram uma unidade ucraniana encarregada de defender a usina. Porém, em menos de duas horas, e sem luta, os 169 membros da Guarda Nacional depuseram suas armas. A Rússia havia tomado Chernobyl

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A queda da usina, local do pior desastre nuclear do mundo, destaca-se como uma anomalia na guerra de cinco meses. Segundo a reportagem, o sucesso da Rússia na tomada de Chernobyl não foi um acidente, mas parte de uma estratégia do Kremlin.

Agentes secretos

Na época da invasão, o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Oleksiy Danilov, disse que a Rússia tinha agentes nos setores ucraniano de defesa, segurança e o outros órgãos do governo. “Além do inimigo externo, infelizmente temos um inimigo interno, e esse inimigo não é menos perigoso”, disse.

Documentos judiciais revelados pela Reuters apontaram que o chefe de segurança de Chernobyl, Valentin Viter, é suspeito de traição. Sete dias antes da invasão, ele se licenciou do cargo e, depois de dois dias da tomada da usina, Viter tentou deixar o país, mas acabou preso. Ele nega envolvimento.

Segundo as investigações, agentes russos foram enviados a Chernobyl em novembro de 2021 para estabelecer contato com funcionários por meio de pagamento de subornos. O objetivo era garantir que não haveria resistência armada assim que as tropas russas chegassem.

O Departamento de Investigação do Estado da Ucrânia informou que está investigando um ex alto funcionário da inteligência, Andriy Naumov, por suspeita de traição por passar segredos de segurança de Chernobyl para um Estado estrangeiro.

Moscou também contava com agentes espalhados pela capital da Ucrânia, Kiev. No entanto, os espiões infiltrados não conseguiram levar o plano adiante, por isso, o Kremlin não teve êxito em derrubar o governo.

Esse revés é atribuído ao excesso de informações “exageradas” repassadas pelos infiltrados ao governo russo.

Apesar de Vladimir Putin não ter tomado a capital da Ucrânia, como pretendia, a infiltração da inteligência russa conseguiu semear a desconfiança no país vizinho e expôs as fragilidades do Serviço de Segurança de Kiev.

Parte dessa história ganhou força depois que o presidente Volodymyr Zelensky anunciou, em 17 de julho, em um discurso à nação, a prisão de um grande número de funcionários do serviço de segurança do país, entre eles, o chefe do departamento, Ivan Bakanov, suspeitos de traição.

Zelensky acrescentou que mais de 650 casos de suposta traição foram abertos contra membros de diversos órgãos da Ucrânia.

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