Revista Oeste - Eleições 2022

A Colômbia vai sobreviver a um esquerdista faminto pelo poder?

Gustavo Petro, ex-terrorista do M-19 e novo presidente do país, promete aumentar impostos e expandir políticas assistencialistas
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Gustavo Petro é o novo presidente da Colômbia
Gustavo Petro é o novo presidente da Colômbia | Foto: Reprodução/Flickr

Gustavo Petro, ex-terrorista do Movimento 19 de Abril (M-19), venceu a eleição presidencial da Colômbia com 50,5% dos votos. Seu adversário, o empresário Rodolfo Hernández, foi o preferido de pouco mais de 47% dos eleitores. Como quase metade dos votantes rejeitou o apoio ao novo chefe do Executivo, não há apoio sólido para que políticas radicais sejam aplicadas no país. Mas Petro não aceitará essa realidade.

Como mostra a colunista Mary Anastasia O’Grady, em artigo publicado no The Wall Street Journal, o novo presidente é um populista de esquerda. Ele promete aumentar os impostos sobre os empresários, restringir as importações, expandir as políticas assistencialistas e acabar com a autorização para a exportação de petróleo. “Para ele, o Estado, e não o mercado, deve administrar a economia”, diz o artigo. “O Banco Central da Colômbia deveria ser independente, mas Petro deve pressionar a instituição para que imprima dinheiro de forma imprudente, à la Argentina. O capital está fugindo do país.”

Ainda assim, os colombianos terão sorte se as ideias econômicas contraproducentes forem a pior contribuição de Petro para as políticas públicas. Uma preocupação maior é que, ao escolher um homem com apetite ilimitado por poder e ligado a facções políticas que simpatizam com grupos criminosos, os colombianos assinaram a sentença de morte de sua democracia.

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“O país tem um Estado de Direito instável”, afirmou Mary. “O crédito especial por essa vulnerabilidade irá para Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, e Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia, que puseram o problema da impunidade no país em esteroides. Eles subscreveram a anistia para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A relação especial e de longa data entre os EUA e a Colômbia acabou.”

Por ter integrado o M-19, um grupo guerrilheiro financiado pelo traficante Pablo Escobar, Petro é temido por muitos colombianos. Ele foi conselheiro de Hugo Chávez no início dos anos 2000, quando o venezuelano estava se consolidando no poder. “A veia autoritária que Petro exibiu quando foi prefeito de Bogotá, entre 2012 e 2015, alarmou até mesmo seus aliados”, observou a colunista. “Quando perdeu sua terceira candidatura à Presidência, em maio de 2018, ele disse aos apoiadores que levassem sua política às ruas. No mesmo ano, o venezuelano Diosdado Cabello, primeiro-tenente do ditador Nicolás Maduro, disse que Petro havia pedido financiamento de campanha a Caracas.”

Petro negou essa história. Durante a campanha mais recente, o ex-guerrilheiro se irritou quando foi acusado de ter intenções antidemocráticas. Em março, Cabello o declarou “inimigo do chavismo”. Pouco depois da divulgação dos resultados das eleições de domingo 19, no entanto, Cabello manifestou sua “imensa alegria” pela vitória do candidato de extrema esquerda e mandou “um abraço bolivariano” à Colômbia.

Na prática, com a confirmação do novo presidente, uma pequena maioria dos eleitores colombianos transmitiu uma das duas ideias: ou não acreditam que Petro tenha aspirações chavistas ou não se importam com isso.

“Hernández era um desafiante fraco”, avalia Mary. “Ele prometeu derrotar a corrupção. Mas era um neófito na política nacional e sofreu em razão da fadiga popular da centro-direita, que repetidamente falhou quando esteve no governo, especialmente nas tentativas de aumentar a competitividade e estimular um rápido crescimento.”

A Colômbia é uma democracia — nominalmente. Mas não há lei que não possa ser contornada, visto que traficantes de drogas antigos já se infiltraram nos tribunais. Petro, condenado por um tribunal militar por posse ilegal de armas em 1985, deveria ter sido constitucionalmente impedido de concorrer à Presidência. Mas, anos depois dessa condenação criminal, pela qual cumpriu 18 meses de prisão, seus advogados conseguiram reclassificá-lo como um contraventor.

“Quando Santos quis trazer os terroristas das Farc para o Congresso, usou seu controle do Legislativo para considerar o tráfico de drogas da organização como um crime político — e, portanto, perdoável”, disse Mary.

Com o apoio de Obama, o ex-presidente da Colômbia pôs as Farc no mesmo plano moral que os militares colombianos na mesa de negociações em Havana. No acordo final, os guerrilheiros receberam anistia por suas muitas transgressões sangrentas. Em 2016, quando os eleitores rejeitaram em um referendo nacional a proposta que acabaria com a democracia do país (um acordo pacífico com as Farc), Santos voltou atrás em sua promessa de cumprir a vontade do povo. Agora, os guerrilheiros criaram um partido.

“O acordo estabeleceu um tribunal especial de ‘paz’, ostensivamente encarregado de descobrir a verdade sobre cinco décadas de violência gerada pelas Farc”, explicou a colunista. “Mas o Time Santos permitiu que a esquerda ideológica agarrasse a pauta. As vítimas do terrorismo, que sofreram com escravidão sexual e tortura em cativeiro, e as famílias colombianas, que perderam entes queridos, foram submetidas a audiências planejadas e roteirizadas por simpatizantes das Farc.”

Chávez usou altas receitas de petróleo para lubrificar a palma das mãos e pagar seus executores, enquanto construía uma ditadura. O boliviano Evo Morales usou a renda da cocaína para fazer o mesmo. Se Petro tentar copiar os vizinhos, observa Mary, as instituições da Colômbia talvez possam ser fortes o suficiente para resistir a ambos os métodos de consolidação de poder. Mas apostar nisso parece um triunfo da esperança sobre a experiência.

Leia também: “América vermelha”, reportagem de Gabriel de Arruda Castro e Silvio Navarro publicada na Edição 92 da Revista Oeste

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