Alzheimer: novo medicamento aumenta esperança na prevenção da doença

A fase final do estudo mostrou uma redução no agravamento dos sintomas em pacientes
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O ensaio clínico começou em março de 2019 e envolveu quase 1,8 mil pessoas do Japão, Estados Unidos e Europa com demência ou Alzheimer
O ensaio clínico começou em março de 2019 e envolveu quase 1,8 mil pessoas do Japão, Estados Unidos e Europa com demência ou Alzheimer | Foto: Divulgação/Pixabay

A fase final de estudos com um medicamento experimental para tratar o Alzheimer deu sinais positivos para retardar o agravamento da doença. Segundo esses dados preliminares, houve redução de 27% no agravamento dos sintomas com lecanemab, um novo tratamento para doenças neurodegenerativas. O resultado foi apresentado pela farmacêutica japonesa Eisai, que é investigado em parceria com a farmacêutica norte-americana Biogen, na quarta-feira 28.

O ensaio clínico começou em março de 2019 e envolveu quase 1,8 mil pessoas do Japão, Estados Unidos e Europa com demência ou Alzheimer leve em estágio inicial com anormalidades confirmadas de beta-amiloide — uma proteína ligada ao desenvolvimento da doença.

Os pacientes foram divididos em dois grupos. Enquanto os membros de um receberam o medicamento uma vez a cada duas semanas durante 18 meses, o outro grupo recebeu placebo, para investigar mudanças em suas funções cognitivas.

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Após um ano e meio, o grupo tratado com lecanemab apresentou redução de 27% no agravamento de sintomas, em comparação com aquele que recebera placebo. Após seis meses “o tratamento mostrou mudanças estatisticamente significativas” na evolução cognitiva, conforme resultados do estudo.

Os cientistas já começaram a debater se o benefício é robusto o suficiente. Mas, para muitos pesquisadores da doença de Alzheimer, as descobertas sugerem que é possível prevenir completamente o declínio.

O trabalho para responder a essa pergunta está em andamento de um estudo chamado Ahead, uma parceria público-privada com Eisai, Biogen, Institutos Nacionais de Saúde e o Consórcio de Ensaios Clínicos dos EUA.

O teste global, que está sendo realizado em cem locais, está investigando o tratamento em pessoas que têm amiloide cerebral elevada, mas ainda são cognitivamente normais.

A diretora do Centro de Pesquisa e Tratamento de Alzheimer dos EUA, Reisa Sperling, que lidera o estudo, disse que está ciente do debate sobre se o benefício de 27% é significativo o suficiente para aqueles com doença em estágio inicial, mas para pessoas que ainda não desenvolveram sintomas, essa redução seria uma mudança de jogo. “Se observássemos a mesma desaceleração no estágio pré-clínico da doença de Alzheimer, a maioria das pessoas não desenvolveria demência durante a vida — ou pelo menos uma proporção substancial não”, disse.

“Este é o primeiro remédio que demonstrou não apenas limpar o acúmulo da proteína amiloide no cérebro, mas também ter impacto pequeno, mas estatisticamente significativo, no declínio cognitivo em pessoas com Alzheimer em estágio inicial”, disse Susan Kohlhaas, da Alzheimer’s UK, organização com sede no Reino Unido, especializada em estudos sobre a demência.

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