China investe mais que todos os países para favorecer indústrias

Partido Comunista busca derrotar concorrência internacional com fundos estatais, empréstimos baratos e incentivos
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Xi Jinping, o presidente da China
Xi Jinping, o presidente da China | Foto: Reprodução/Flickr

A China investe mais que todos os países para favorecer indústrias com recursos de fundos estatais, empréstimos baratos e outros incentivos governamentais, mostra relatório divulgado nesta segunda-feira, 23, pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos Estados Unidos (CSIS).

Segundo o levantamento, o apoio de Pequim a suas empresas foi de exatamente 1,73% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 — o ano mais recente em que os dados estão disponíveis. Foram investidos quase US$ 250 bilhões.

Os gastos de Pequim, tanto em relação ao PIB quanto em dólares, são significativamente superiores aos de outras sete economias analisadas no relatório, incluindo Taiwan, Coreia do Sul, França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Brasil. Washington, por exemplo, gastou 0,39% de seu PIB em apoio industrial em 2019, enquanto a Coreia do Sul dedicou 0,67%.

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“A China é uma grande exceção”, observou Scott Kennedy, especialista em economia chinesa e um dos autores do relatório, em entrevista ao The Wall Street Journal. “Ela gasta uma quantia enorme em política industrial e também usa mais ferramentas para esses gastos que qualquer outro país.”

O estudo surge quando a política industrial está voltando à moda nos EUA e entre seus aliados na Europa e na Ásia, alimentada por interrupções causadas pela pandemia nas cadeias de suprimentos. De Washington a Bruxelas e de Seul a Tóquio, as autoridades vêm dando subsídios estatais para promover as indústrias que consideram estratégicas, incluindo as fabricantes de semicondutores, baterias de carros elétricos e produtos farmacêuticos.

As intervenções aumentaram na China ao longo dos anos, especialmente sob a administração do presidente Xi Jinping, que vê a política industrial como vital para reduzir a dependência econômica chinesa de outros países.

O relatório mostra que Pequim quer tornar sua meta mais ambiciosa, com o foco saindo de “alcançar” a capacidade tecnológica do Ocidente para direcionar as indústrias na fronteira da inovação, como na produção de veículos elétricos e no desenvolvimento de inteligência artificial.

Para quantificar os gastos, os analistas fizeram estimativas com base em subsídios diretos do governo, incentivos fiscais, crédito abaixo do mercado e fundos de investimentos estatais. “Para evitar superestimar a contagem, o estudo exclui ferramentas difíceis de quantificar, incluindo restrições ao acesso de empresas estrangeiras ao mercado na China e compras governamentais, que geralmente incluem incentivos para fornecedores domésticos”, diz Lingling Wei, correspondente do The Wall Street Journal no país.

Segundo um dos responsáveis pelo relatório, Gerard DiPippo, os fundos administrados pela ditadura são um instrumento único que a China usa para a política industrial. “A propriedade estatal chinesa de grande parte do setor financeiro dá a Pequim enormes capacidades para direcionar recursos de uma forma que outras economias não podem”, explicou.

Até o fim de 2020, 1.850 fundos governamentais haviam sido estabelecidos na China, com uma meta de financiamento de US$ 1,7 trilhão.

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