Covid: mortes não acompanham aumento de casos, apesar da Ômicron

A despeito da preocupação global, estudos indicam que a variante é menos agressiva que outras em circulação
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Nova cepa do coronavírus, Ômicron tem mais mutações do que a Delta | Foto: iStock
Nova cepa do coronavírus, Ômicron tem mais mutações do que a Delta | Foto: iStock

Desde o último 26 de novembro, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Ômicron como uma variante de preocupação, o mundo entrou em alerta. Apesar da preocupação global, não se viu até o momento alta significativa nas internações hospitalares e as mortes por covid mostram tendência de queda no mundo.

No entanto, os casos voltaram a subir. Na terça-feira 28, foram contabilizados 1,4 milhão de novas infecções em um único dia ao redor do planeta. É o maior número registrado até agora, acima dos 827 mil em abril deste ano. Os dados são da plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford, no Reino Unido. O número, porém, pode ter sido impactado por um represamento de diagnósticos em razão do Natal, uma vez que os registros caem em feriados e finais de semana. Segundo Our World in Data, Estados Unidos, França e Reino Unido são os países com maior número de contágios em 24 horas.

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Se os casos dispararam no mundo, o número de mortes causadas pelo coronavírus vai na direção contrária. Na quarta-feira 29, a média móvel global de mortes foi de cerca de 6.360 óbitos, comparável à situação verificada em outubro de 2020.

Situação no Brasil

Ao contrário dos Estados Unidos e de alguns países da Europa, o Brasil atravessa um momento de redução do número de diagnósticos, com média móvel de cerca de 6 mil contaminações diárias na quarta-feira 29. Em comparação com o pico da pandemia, em junho deste ano, houve uma redução de pouco mais de 90% nos casos, considerando a média móvel para sete dias. Já as mortes também seguem em queda. Nos últimos sete dias, a média de óbitos foi de 108.

Para o clínico geral Roberto Zeballos, doutor em imunologia, os números em queda no Brasil se devem a alguns fatores. Entre eles, o surgimento, no início do ano, da variante detectada na Amazônia, a Gama, que causou uma catástrofe, provocando colapso no sistema de saúde em várias cidades. “A cepa Gama fez um estrago, mas imunizou muita gente. Isso é algo que não ocorreu na Europa”, diz Zeballos. Ele ressalta que a imunidade natural da doença é mais longa e duradoura do que a oferecida pelas vacinas. “Enfrentamos dois surtos fortes e isso tem um ganho”, disse. “Toda vez que um paciente vence a doença, ele se imuniza. Quanto mais pessoas imunizadas, maiores as chances de alcançar a imunidade coletiva.”

Restrições em razão da Ômicron

Em pouco mais de um mês de circulação, a variante Ômicron do coronavírus já foi detectada em cerca de 110 países. Com o aumento de casos, companhias aéreas cancelaram pelo menos 7 mil voos comerciais durante o fim de semana prolongado de Natal (de 24 a 26 de dezembro). Os dados são do site Flightaware.

A França voltou a ampliar medidas restritivas e proibiu público em pé em shows, restringiu serviço em bares e restaurantes consumidores sentados e voltou a incentivar o trabalho remoto e o uso de máscaras em ambientes externos. A Holanda anunciou um novo lockdown até 14 de janeiro. Portugal, que tem uma das taxas de vacinação mais altas do mundo (89% da população totalmente imunizada), mandou bares e baladas fechar as portas até 9 de janeiro e recomendou que a população adote o regime de home office para o trabalho.

Na Alemanha, o governo limitou as reuniões e festas de Ano Novo a dez pessoas e proibiu o público em grandes eventos esportivos a partir de 28 de dezembro, além de fechar boates. Na China, a cidade de Xi’an, capital da província de Shaanxi, endureceu as restrições de viagens para conter um surto de covid-19 no norte do país. No Reino Unido, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte decretaram limites no total de pessoas reunidas em encontros, restrições nos horários de funcionamento de bares e restaurantes e imposição de distanciamento social. A Inglaterra aguarda mais evidências para implementar medidas restritivas.

Estudos indicam que nova variante é menos agressiva

Embora a variante Ômicron seja classificada como “altamente contagiosa” e mais transmissível que a Delta, um estudo sul-africano sugere que a nova cepa é menos agressiva.  De acordo com os cientistas, as chances de uma pessoa infectada pela Ômicron ser hospitalizada é 70% menor em comparação com a infecção por Delta. O estudo liderado por pesquisadores do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis (NICD), foi publicado na plataforma Medrxiv como pré-print, ou seja, ainda aguarda revisão dos pares (até a última terça-feira, 21).

A baixa severidade da Ômicron, segundo a pesquisa, pode estar relacionada ao avanço da vacinação na população, fazendo com que as pessoas que foram infectadas pela nova variante desenvolvam sintomas leves.

Outro estudo, conduzido pelo Instituto de Imunologia Terapêutica e Doenças Infecciosas da Universidade de Cambridge, revelou que a variante Ômicron afeta menos os pulmões que as demais variações do coronavírus. Os cientistas verificaram que, apesar de mais contagiosa, a variante Ômicron é menos eficiente para se propagar pelas células do pulmão. Essa caraterística pode resultar em um número menor de pacientes com doenças respiratórias graves.

‘Variante das vacinas’

Quando a nova cepa foi anunciada, a descoberta de cerca de 30 mutações na spike, a proteína que o coronavírus usa para invadir as células humanas, preocupou os cientistas. Mas, pela observação das infecções causadas pela variante até agora, há sinais de que as mutações podem contribuir para o fim da pandemia. “Se a proteína spike, que é tóxica, mudar demais, ela pode perder a toxicidade. E aí os casos ficam mais leves”, explica o clínico geral Roberto Zeballos, doutor em imunologia. “Não se pode esquecer que o que coloca a vida do paciente em risco é a resposta inflamatória diante dessa proteína.”
Ainda faltam estudos concretos, mas a teoria é interessante: se a Ômicron causar apenas sintomas leves, como o de um resfriado comum, e conseguir se multiplicar a ponto de se tornar dominante, deslocando as mais letais, a contaminação pela nova cepa aumentará o número de pessoas com imunidade natural, funcionando como uma espécie de “Variante das Vacinas”.

“É muito cedo para dizer se a onda da Ômicron será mais ou menos grave do que a da Delta”, disse Catherine Smallwood, uma das autoridades da OMS na Europa. “Embora os dados preliminares nas populações mais afetadas da Europa (Inglaterra, Escócia, Dinamarca) mostrem que a Ômicron pode dar lugar a um menor risco de hospitalização em comparação com a Delta.”

Redução de 30% nos casos na África do Sul

A África do Sul informou que pode ter superado o pico da quarta onda de covid-19 causada pela variante Ômicron. Segundo a Secretaria de Saúde do país, os novos casos detectados de covid-19 reduziram cerca de 30% na semana encerrada em 25 de dezembro.

“Todos os indicadores sugerem que o país pode ter ultrapassado o pico da quarta onda em nível nacional”, informou o governo.

Colaborou Artur Piva

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