Mortes misteriosas de oligarcas mexem com a Rússia

Episódios geram especulações em meio à guerra na Ucrânia. Quase todos eram ligados aos setores de petróleo e gás
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Vladislav Avayev foi encontrado morto junto da mulher e da filha em Moscou
Vladislav Avayev foi encontrado morto junto da mulher e da filha em Moscou | Foto: Reprodução

Enquanto a invasão militar da Ucrânia toma as manchetes do noticiário, a Rússia vê transcorrer casos de menor repercussão envolvendo seus cidadãos. Nos últimos meses, oito milionários do país que carregavam o rótulo de oligarcas tiveram mortes em circunstâncias misteriosas. Em comum, conexões com o governo russo. Além disso, quase todos tinham envolvimento com os setores de gás e petróleo.

O termo oligarca russo vem sendo empregado para tratar um grupo de empresários que soube tirar proveito de situações na transição administrativa depois do fim da União Soviética. Um clube seleto que se associou ao poder numa relação em que todos ganharam, geralmente com endinheirados ligados a estatais estratégicas da economia.

Nas mortes registradas nos últimos meses, chama a atenção que nenhum dos oligarcas envolvidos havia feito comentários públicos críticos sobre a invasão da Ucrânia. Também nenhum deles estava nas listas de sanções internacionais impostas por nações do Ocidente.

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Duas mortes em 24 horas

Antigo vice-presidente da empresa de gás natural Novatek, Serguei Protosenya foi encontrado morto em 19 de abril na Catalunha. O executivo com fortuna estimada em US$ 440 milhões foi achado em sua mansão junto aos corpos de sua mulher e filha. A polícia trabalha com a versão de que o empresário esfaqueou as familiares antes de tirar a própria vida, em possibilidade confrontada por um filho do oligarca que mora na França.

No dia seguinte, outro integrante do grupo de oligarcas russos foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas. Vladislav Avayev, que atuou como vice-presidente do banco Gazprombank, foi achado sem vida em seu luxuoso apartamento em Moscou. Junto estavam os corpos de sua mulher e da filha de 13 anos. Segundo a agência de notícias estatal Tass, o magnata tinha uma pistola na mão.

As outras mortes

As mortes misteriosas de Protosenya e Avayev se juntam a outros episódios similares, igualmente em circunstâncias enigmáticas. Mais uma vez os envolvidos, em maioria, são executivos com participação em empresas ligadas ao governo do presidente Vladimir Putin.

O primeiro caso aconteceu em janeiro, antes da invasão russa à Ucrânia. Ex-executivo da Gazprom, Leonid Schulman teria cometido suicídio e foi encontrado na banheira de sua casa em São Petersburgo. Segundo a estatal de gás, ele havia tirado licença para tratamento de saúde.

Já em fevereiro, Alexander Tyulyakov, outro ex-gerente da gigante de energia, foi encontrado morto em sua casa em São Petersburgo. No mesmo mês, o magnata Mikhail Watford teve o corpo achado sua propriedade rural na Inglaterra. O empresário de origem ucraniana nasceu como Mikhail Tolstosheya e mudou de nome ao deixar a Rússia, depois de fazer fortuna nos setores de gás e petróleo.

Em março foi a vez de Vasily Melnikov, chefe da empresa gigante de suprimentos médicos MedStom. O executivo foi encontrado sem vida junto aos corpos da mulher e de dois filhos pequenos, na cidade russa de Ninzhni Novgorod.

Adiante veio o caso Andrei Krukovsky. Ele era diretor da estação de esqui Krasnaya Polyana, em Sochi, em unidade que pertencia a Gazprom. O homem de 37 anos realizava uma caminhada no começo de maio, quando caiu de um penhasco. A polícia local ainda investiga o episódio.

Por fim, o bilionário Alexander Subbotin foi encontrado morto no último final de semana, na casa de um xamã. A suspeita é de que o oligarca tenha se intoxicado por veneno de sapo durante um ritual. O empresário era diretor da companhia de petróleo Lukoil e dono da transportadora NTK.

Leia também: Um oligarca russo contra a parede, reportagem publicada na edição 104 da Revista Oeste.

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