Por que estocar papel higiênico em tempos de coronavírus?

Segundo especialistas, trata-se de uma metáfora da busca por limpeza [caption id="attachment_240438" align="alignnone" width="2560"] Supermercados apresentam grande movimento e limitam quantidade de certos produtos por consumidor, como feijão, sabonete, papel…
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Segundo especialistas, trata-se de uma metáfora da busca por limpeza

Supermercados apresentam grande movimento e limitam quantidade de certos produtos por consumidor, como feijão, sabonete, papel higiênico, entre outros, com algumas prateleiras já vazias | Foto: JOTA ERRE/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Em meio ao pânico da população devido à crise do coronavírus, causa curiosidade a corrida aos supermercados para estocar papel higiênico. Álcool em gel, água, arroz, feijão, parecem itens mais óbvios para uma pessoa ter na despensa em casos emergenciais do que metros e metros de papel higiênico. O fenômeno parece ser global. Em países como Austrália, França, Reino Unido, Canadá e também no Brasil, o papel higiênico virou artigo de luxo.

A Rádio Francesa Internacional (RFI) ouviu especialistas para entender os motivos que levam a esse comportamento e descobriu que elas fazem parte de um contexto de medo e incerteza.

A psicanalista francesa Sonja Saurin tem uma interpretação para esse apego dos consumidores em momento de crise. “O papel higiênico está relacionado à limpeza. Enquanto você está evacuando, seu corpo rejeita o que não serve mais. Então, há uma associação metafórica desse papel higiênico, feito para limpar, e a vontade de evitar contaminação, além de evacuar os medos”, explica. “Neste momento, vemos homens que sempre tiveram barba raspando-a, pois tudo o que pode ser sujo lembra contaminação. O que podemos dizer também, de um ponto de vista psicanalítico, é que quando há pânico as pessoas se fixam em certos objetos”, acrescenta.

Pesquisa realizada com os professores de marketing Charlene Chen e Leonard Lee aponta que “os consumidores compensam a percepção da perda de controle pela compra de produtos básicos, essenciais para resolver um problema ou concluir uma tarefa”. Em resumo, é isso que acontece quando vemos pessoas correrem para comprar enlatados ou produtos de limpeza em proporções irracionais.

“A insegurança humana é inerente, mas torna-se sempre maior em momentos de tensão e de guerra”, explica o médico e psicanalista carioca Paulo Próspero. “Isso porque nascemos imaturos e carregamos essa imaturidade emocional para o resto da vida. Mas nos momentos de pânico é ainda mais difícil encontrar um equilíbrio”, disse à RFI.

O vídeo abaixo mostra algumas cenas da corrida pelo papel higiênico na Austrália:

E se faltar papel higiênico? Bem, os australianos viram crescer as vendas de um objeto que era comum no tempo de nossos avós. Segundo reportagem do jornal inglês Daily Mirror, o país registrou um forte aumento do retorno do bidê. Para os mais jovens, o bidê é uma pequena peça sanitária, fixa ou móvel, que pode ser usada para lavar partes íntimas usando um jato de água.

 

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