Repórteres de jornal russo chamam Putin de ‘ditador paranoico’

Jornalistas publicaram cerca de 40 textos criticando o governo da Rússia pela guerra na Ucrânia
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Jornalistas afirmaram que Putin desencadeou uma das guerras mais sangrentas do século 21 | Foto: Reprodução/Flickr
Jornalistas afirmaram que Putin desencadeou uma das guerras mais sangrentas do século 21 | Foto: Reprodução/Flickr

Repórteres do jornal russo Lenta, veículo pró-Kremlin, publicaram nesta segunda-feira, 9, aproximadamente 40 textos contra a guerra na Ucrânia. Os jornalistas chamaram o presidente russo, Vladimir Putin, de “ditador patético e paranoico” e afirmaram que o líder “desencadeou uma das guerras mais sangrentas do século 21”, tornando mais fácil para o governo “encobrir” um fracasso econômico.

Embora tenham sido apagados, alguns registros foram salvos na internet e também capturados pelo veículo independente Meduza e confirmados pelo jornal britânico The Guardian.

No texto, “Autoridades russas proibiram jornalistas de dizer qualquer coisa negativa”, os autores afirmam que o governo russo proibiu os veículos de mídia controlados pelo Estado de usarem frases que poderiam causar “agitação social” ou “criar um ambiente negativo”.

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O jornalista Egor Poliakov confirmou ao Meduza que ele e sua colega Alexandra Mirochnikova, que estariam agora fora da Rússia, foram os responsáveis pelos textos. “Tivemos de fazer isso hoje, porque queríamos lembrar pelo que nossos avós lutaram neste lindo Dia da Vitória: pela paz”, disse o jornalista, ao The Guardian.

Dia da Vitória

Na segunda-feira 9, a Rússia comemorou o 77º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Na celebração, Putin fez um discurso no qual defendeu suas motivações para iniciar o conflito, citando a necessidade de impedir a Ucrânia de entrar para a Otan, a aliança militar ocidental, e uma suposta “desnazificação do país vizinho”.

“Não é disso que se trata o Dia da Vitória”, disse Poliakov. “Pessoas comuns estão morrendo na Ucrânia. E, dada a retórica que vimos, isso não vai parar. Essa era a única coisa certa que podíamos fazer.”

As publicações eram todas acompanhadas de um alerta dizendo que o material não estava de acordo com a liderança do jornal e pedindo para que fosse feito “urgentemente” um registro da tela, antes que os textos fossem excluídos.

 

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