Sob críticas, chanceler alemão visita ditador chinês

Líder da Alemanha quer reaproximação comercial com a China
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Chanceler alemão, Olaf Scholz, e ditador chinês, Xi Jinping, durante reunião em Pequim | Foto: Reprodução/Twitter
Chanceler alemão, Olaf Scholz, e ditador chinês, Xi Jinping, durante reunião em Pequim | Foto: Reprodução/Twitter

O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, se reuniu nesta sexta-feira, 4, com o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim. Scholz é o primeiro líder de um país do G7 que visita a nação comunista em quase três anos, desde o início da pandemia de covid-19 e o endurecimento das regras de isolamento social para evitar a transmissão.

A visita, criticada por lideranças alemãs e aliados da União Europeia e dos Estados Unidos, ocorre duas semanas depois de Xi ter sido conduzido a um terceiro mandato consecutivo. Scholz tem a intenção de aprofundar as relações econômicas com a China, maior parceiro comercial desde 2016.

“Queremos falar sobre como podemos desenvolver ainda mais nossa cooperação econômica em outras áreas: mudança climática, segurança alimentar, países endividados”, disse Scholz, já em território chinês.

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O chanceler alemão também mencionou as “grandes tensões provocadas em particular pela guerra da Rússia na Ucrânia”, um conflito que os países ocidentais entendem a “neutralidade” da China como um apoio tácito à Rússia. Recentemente Xi e Vladimir Putin se encontraram e disseram que pretendem estabelecer “uma nova ordem mundial mais justa”.

Xi afirmou que a visita “estimulará o entendimento e a confiança mútua” e “aprofundará a cooperação prática em vários campos”, de acordo com a imprensa estatal.

Em sua conta no Twitter, Scholz disse ter pedido a Xi que usasse sua influência sobre a Rússia para o fim da guerra. “A guerra de Putin põe em causa a ordem de paz global. Pedi ao presidente Xi que exercesse sua influência sobre a Rússia. Concordamos: as ameaças nucleares são extremamente perigosas. Uma aposta cruzaria uma linha vermelha”.

Críticas à aproximação dos dois países

Com a viagem, Scholz segue os passos da antecessora Angela Merkel, que viajou 12 vezes à China em 16 anos. Na comitiva de Scholz estão executivos de grandes empresas alemãs, como Volkswagen, Basf e BioNTech, que pretendem fazer ou ampliar parcerias com a China.

Porém, a dependência da Alemanha, maior economia europeia, da China, onde as empresas alemãs geram uma parte importante de seus lucros, é cada vez mais questionada. Teme-se, inclusive, uma repetição do que ocorreu com a Rússia, em que não apenas a Alemanha, mas muitos países da Europa tornaram-se completamente dependentes do gás russo. Com as retaliações de Putin, houve escassez, e os preços dispararam.

Mesmo dentro da coalizão de governo, a ministra das Relações Exteriores, a ecologista Annalena Baerbock, pediu para a Alemanha “não depender mais de um país que não compartilha nossos valores”, por causa do risco de ser “politicamente vulnerável a chantagens”.

Ao chegar à China, que ainda pratica a política de covid zero, a delegação alemã, de quase 60 pessoas, foi recebida pela guarda militar e por profissionais de saúde com equipamentos de proteção e testes de covid-19. O governo alemão informou que Scholz fez o exame com um médico de sua nacionalidade, mas supervisionado por funcionários chineses.

 

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