UE pode aliviar políticas ambientais para agricultores

Ao mesmo tempo em que defende o afrouxamento das regras ambientais na Europa, Macron não mede palavras para acusar o agronegócio brasileiro de destruir o meio ambiente
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Emmanuel Macron, presidente da França
Emmanuel Macron, presidente da França | Foto: Reprodução/Flickr

A União Europeia (UE) estuda aliviar as diretrizes ambientais que iriam estabelecer regras “sustentáveis” para os produtores rurais do bloco. O afrouxamento entrou em discussão em razão da invasão russa à Ucrânia, que pode pôr em risco a segurança alimentar no continente.

O conflito elevou o preço do trigo, do milho e de outros alimentos básicos. A UE obtém metade de seu milho das lavouras ucranianas e um terço de seu fertilizante, da Rússia. Até mesmo a votação da diretiva para o uso sustentável de defensivos agrícolas, que ocorreria nesta semana, foi adiada.

De acordo com o jornal Financial Times, Emmanuel Macron, presidente da França, disse que as diretrizes ambientais foram “baseadas em um mundo pré-guerra da Ucrânia” e devem ser revisadas. Ele afirmou que essas regras diminuiriam em 13% a produção de alimentos.

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Janusz Wojciechowski, comissário europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, defende a ideia de que esse “afrouxamento” dure apenas um ano. Nesse período, os agricultores ainda poderão plantar culturas para ração animal nos quase 3% de terras “reservadas” para benefícios ambientais.

O comissário também quer usar o fundo de € 500 milhões da Política Agrícola Comum da UE para pagar subsídios aos produtores rurais. Os criadores de suínos seriam ajudados com o custo de armazenamento de carcaças, por exemplo. Ele pretende ainda que as regras de auxílio estatal sejam alteradas, para permitir que os governos ofereçam mais subsídios aos agricultores, que sofrem com os altos custos.

Macron e a produção rural no Brasil

Ao mesmo tempo em que defende o afrouxamento das regras ambientais na Europa, Macron não mede palavras para acusar o agronegócio brasileiro de destruir o meio ambiente. “Depender da soja do Brasil é endossar o desmatamento da Amazônia”, afirmou o presidente da França há alguns meses.

Os produtores rurais brasileiros, contudo, são os grandes preservadores do meio ambiente no país. Na região da Amazônia, por exemplo, as propriedades agrícolas precisam ter 80% de reserva legal, com mata nativa preservada. Em média, para cada hectare plantado, o produtor brasileiro preserva outro.

Ao todo, o agricultura do Brasil ocupa 8% de todo o território nacional, de acordo com dados da Embrapa, da Nasa e do Mapbiomas. Somando com a pecuária, as áreas destinadas ao agronegócios representam cerca de 30% do país. As matas nativas cobrem mais de 65% do Brasil.

Leia também: “Os sabotadores do Agro”, artigo de Branca Nunes publicado na Edição 99 da Revista

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