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Vaticano divulga cartas ao papa Pio XII de judeus vítimas do Holocausto

'Existem poucas esperanças para aqueles que não têm ajuda de fora', escreveu um jovem vítima do Holocausto
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Foto: Daniel/Flickr
Foto: Daniel/Flickr

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), milhares de judeus europeus escreveram cartas para o papa Pio XII. Os escritos continham pedidos de socorro do povo perseguido pelo regime nazista. A pedido do papa Francisco, as vozes silenciadas foram digitalizadas pelo Vaticano na quinta-feira 23.

Agora, os documentos estão disponíveis no site da Santa Sé (Vaticano). Em março de 2020, a Igreja Romana autorizou que pesquisadores acessassem as cartas e outros arquivos históricos sobre Pio XII, que é acusado de ter ignorado o extermínio de 6 milhões de judeus durante o Holocausto.

De acordo com o papa Francisco, a divulgação desse material tem o objetivo de ajudar os descendentes dos judeus assassinados pelo regime nazista a encontrar as raízes de seus familiares em qualquer parte do mundo.

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Nos relatos das cartas, as vítimas pediam visto, passaporte, asilo, ajuda para reunir familiares, transferência de um campo de concentração para outro, informações sobre conhecidos que foram deportados, alimentos, roupas, etc.

Um dos escritos data de 1942 e pertencia a um estudante alemão de 23 anos, de origem judaica. No documento, o jovem explica que deseja fugir de um campo de concentração localizado na Espanha. “Existem poucas esperanças para aqueles que não têm ajuda de fora”, escreveu.

A carta do estudante não traz mais nenhuma outra informação sobre o paradeiro dele. Contudo, o Museu Memorial do Holocausto, nos EUA, descobriu que o rapaz foi libertado do campo de concentração um ano depois de enviar o pedido de ajuda. De acordo com o museu, o jovem mudou-se para a Califórnia, EUA.

A divulgação do material também ocorre anos depois da pressão que acadêmicos e historiadores fizeram ao Vaticano. A justificativa é que, durante o Holocausto, o posicionamento de Pio XII não foi contundente.

Por outro lado, a Igreja Romana defende o antigo papa, informando que ele salvou muitos judeus, por trás de instituições religiosas. Segundo o Vaticano, o silêncio de Pio XII foi para não agravar a situação dos judeus.

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