O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), enviou um ofício de 54 páginas, o qual solicitava o indeferimento da sua convocação para prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O chefe do Executivo mineiro teve sua convocação aprovada nesta quinta-feira, 4, para explicar à CPMI do INSS a atuação da Zema Crédito, Financiamento e Investimento S.A. — empresa da família dele — no mercado de empréstimos consignados oferecidos a aposentados e pensionistas.
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No documento enviado à CPMI e obtido por Oeste, Zema argumentou que o requerimento de convocação apresentado pelo deputado petista Rogério Correia (MG) teria motivação política e que está afastado da empresa desde 2018.
“Com efeito, a iniciativa está revestida de nítido e incontornável propósito político eleitoral, incompatível com a imprescindível apuração dos gravíssimos fatos revelados mediante investigação rigorosa e imparcial, exatamente nos moldes que vêm sendo conferidos por essa douta Comissão Parlamentar”, escreveu o governador mineiro.
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Ele sustentou que tanto o requerimento de convocação quanto o de quebra de sigilo da empresa demonstraram uma tentativa de “instrumentalização” da comissão e estar “sempre à disposição” do Congresso.
Afastamento da Zema Financeira
Zema ressaltou que deixou qualquer função na Zema Financeira em outubro de 2018, quando foi eleito governador de Minas Gerais. Ele anexou documentos e cita expressamente o registro na Junta Comercial:
“Romeu Zema se afastou voluntariamente do exercício de toda e qualquer função na companhia desde 22 de outubro de 2018, como registrado na ata da assembleia-geral extraordinária devidamente registrada na JUCEMG.”
Zema sinalizou que, desde 2019, ocupa exclusivamente o cargo de governador e não possui conhecimento sobre a operação de consignados da empresa: “Exercendo, desde 1º de janeiro de 2019, o honroso cargo de Governador do Estado de Minas Gerais, o requerente absolutamente nada pode esclarecer acerca da atuação da instituição na oferta de produtos financeiros a aposentados e pensionistas, incluindo o crédito consignado”.
Quem deveria prestar depoimento
No ofício, o governador ainda destacou que a administração da empresa, no período apontado pela CPMI (2015–2025), foi exercida por diretores estatutários sem relação familiar e citou assembleia de agosto de 2024: “A administração superior da companhia é exercida por diretores estatutários, sem relação de parentesco com o ora requerente”.
Segundo ele, são esses diretores — presidente, diretor administrativo-financeiro e diretor de compliance e riscos — que teriam condições de prestar esclarecimentos técnicos ao colegiado.
“Eventuais esclarecimentos reputados necessários podem e devem ser prestados pelo presidente da companhia ou, ainda, pelos diretores administrativo-financeiro e de risco-compliance, os quais já exerciam as respectivas funções no período delimitado”, escreveu.
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