O ataque injusto à polícia norte-americana - Revista Oeste

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O ataque injusto à polícia norte-americana
Demonizar as corporações policiais, compostas em sua maioria de gente qualificada e de bem, é ser cúmplice de atos terroristas e covardes
19 jun 2020, 09:55

Depois dos protestos violentos pelas grandes cidades norte-americanas, iniciados logo após a morte de George Floyd, o último fim de semana trouxe mais um componente para a tensa guerra racial nos Estados Unidos, empurrada com narrativas vis por grupos ativistas e terroristas como Black Lives Matter e Antifa. Na última sexta-feira, em Atlanta, Geórgia, um homem negro chamado Rayshard Brooks adormeceu em seu carro na fila do drive-thru de um restaurante de uma cadeia de fast-food. O carro de Brooks bloqueava o tráfego e ele parecia desmaiado. Os empregados do estabelecimento, então, chamaram a polícia. Logo que chegaram ao local, os policiais encontram Brooks e, depois de acordá-lo, seguiram um longo protocolo de perguntas e aplicaram um teste de bafômetro. Foi constatado então que Brooks estava bêbado, com altos níveis de álcool no organismo, e os agentes lhe deram voz de prisão. Os minutos seguintes, filmados pelas câmeras no uniforme dos policiais, são chocantes.

O vídeo mostra que, assim que um policial destrava as algemas e pede que Brooks se vire, este reage e começa a lutar com os policiais. Em meio à luta no chão do estacionamento, Brooks consegue pegar uma das armas de choque elétrico de um policial enquanto o outro grita para que ele não reaja. Outro vídeo, de uma câmera de vigilância, mostra o motorista bêbado fugindo com a arma de choque elétrico, quando decide apontá-la para um dos policiais e efetuar um disparo. O disparo acerta o policial, que consegue sacar sua arma de fogo do coldre e atirar em Brooks. Diante dos ferimentos do motorista, uma ambulância é chamada, e um dos policiais fica ao lado de Brooks e lhe pede que respire enquanto executa uma massagem cardíaca. Segundo investigadores, Brooks foi levado com vida para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos à bala e faleceu após uma cirurgia de emergência.

Acredito não ser necessário dizer que, depois desse evento, mais combustível foi colocado na fogueira do “racismo sistêmico policial” e que Rayshard Brooks morreu apenas por ser negro. Obviamente, membros da grande mídia norte-americana, ou assessores do Partido Democrata e grupos políticos, imediatamente iniciaram o mantra dito por dez entre dez pagadores de pedágio ideológico de movimentos coletivistas de que Brooks foi mais uma vítima da brutal e despreparada polícia racista norte-americana. O que aconteceu com Rayshard Brooks poderia ter sido evitado? Talvez. O fato é que Brooks, com algumas passagens pela polícia, entre elas violência doméstica contra sua esposa e seus filhos, virou um mártir do dia para a noite por puro uso político.

Os movimentos exigem o corte parcial ou total do orçamento para as corporações policiais em todo o país

Na quarta-feira, o promotor Paul Howard, do condado de Fulton, anunciou as acusações de homicídio culposo contra o ex-policial Garrett Rolfe — demitido no sábado, menos de 24 horas depois do incidente. Rolfe agora enfrentará 11 acusações no total, podendo ser sentenciado à morte se condenado. O mesmo promotor disse há duas semanas que, no Estado da Geórgia, armas de choque elétrico são consideradas letais e que policiais não deviam usá-las. Mas contra policiais elas não são letais?

O que aconteceu em Atlanta, algumas semanas depois que George Floyd foi morto durante uma prisão em Minneapolis, após a ação de um policial despreparado e vil, alimenta mais ainda os protestos pelo país que pedem a reforma da polícia. Os movimentos exigem o corte parcial ou total do orçamento para as corporações policiais em todo o país. Em um momento bizarro da humanidade, no qual parece não haver mais espaço para debates justos e pertinentes, com dados e estatísticas, os “tolerantes” que queimaram o restaurante da cadeia de fast-food que chamou a polícia para Brooks, que atacam estátuas e monumentos, que veneram e aplicam a “cultura do cancelamento” a quem tem opiniões divergentes, talvez comecem a sentir o peso do cancelamento da vida real. As consequências da violência que destrói bairros inteiros e demoniza todos os policiais em nome do ódio do bem começam a aparecer.

Na noite da última quarta-feira, dia 17 de junho, em protesto contra as acusações ao policial Garret Rolfe, algumas delegacias de Atlanta decidiram não atender aos chamados da população. Horas depois que o promotor do condado de Fulton formalizou a denúncia contra Rolfe, vários policiais de Atlanta “ficaram doentes” (blue flu) pouco antes da mudança de turno na madrugada e não foram trabalhar. A cidade lutou para cobrir as ausências, enquanto o Departamento de Polícia de Atlanta tentava conter os boatos de uma paralisação policial em massa que se espalhou rapidamente nas mídias sociais. Ainda não está claro quantos oficiais se recusaram a comparecer ao turno da noite de quarta-feira e parte da quinta-feira. O departamento de polícia se recusa a responder a perguntas específicas sobre o não comparecimento ou uma possível paralisação. A prefeita democrata de Atlanta, Keisha Bottoms, pediu que os policiais “honrassem” seus postos.

Policiais se tornam menos proativos por medo de que suas ações sejam sempre questionadas por superiores e pelo público

Mas há muito mais por trás desse movimento orgânico dos policiais de Atlanta, que representa o sentimento de muitos e pode inspirar outros distritos e delegacias pelo país. A morte de um adolescente negro no subúrbio de St. Louis, em Ferguson, em 2014, envolveu a questão racial, o uso da força pela polícia e as interações dos policiais em comunidades onde os índices de criminalidade são altos. Protestos também explodiram por todo o país na época, e, desde então, policiais e formuladores de políticas do departamento debatem o impacto do chamado “efeito Ferguson” — quando os policiais se tornam menos proativos no policiamento por medo de que suas ações sejam sempre questionadas por superiores e pelo público.

Uma pesquisa de âmbito nacional de 2017 do Pew Research Center — que analisou a opinião de 8 mil oficiais — constatou que o “efeito Ferguson” aumentou depois de uma série de encontros letais entre policiais e suspeitos afro-americanos. Os incidentes dessa natureza são exceções, mas estimularam protestos públicos também violentos e abriram graves feridas entre a polícia e algumas minorias nessas comunidades.

Os números da pesquisa mostram sérios índices que podem acarretar a diminuição do policiamento em áreas onde ele se faz mais necessário. Números podem ser chatos, eu sei, mas não escondem a realidade (“Fatos são coisas teimosas…”) que é preciso ser apresentada no debate honesto. Eles falam, com grande expressão, o que pode significar o “efeito Ferguson”, prejudicial para as corporações, mas muito pior para os que podem ficar sem proteção. Vamos lá:

  • 93% dos policiais estão mais preocupados com sua segurança.
  • 76% estão relutantes em usar a força mesmo quando ela é necessária.
  • 75% disseram que as interações entre policiais e negros se tornaram mais tensas.
  • 72% declararam estar menos dispostos a parar e questionar pessoas suspeitas.

Estamos diante de uma nova cultura revolucionária em que tudo pode imperar, menos a lógica

A pesquisa, realizada em 54 departamentos policiais, aconteceu um ano depois que várias grandes cidades — incluindo Chicago, Indianapolis, Memphis e San Antonio — enfrentaram aumento nas taxas de homicídios. Em meio ao significativo crescimento dessas taxas, o FBI sugeriu que o aumento de crimes violentos em algumas cidades poderia ser o resultado de uma abordagem menos agressiva da aplicação da lei, diante do aumento do escrutínio público e da demonização dos policiais.

No caso do incidente de Atlanta, não importa quantas vezes assistimos ao vídeo e constatamos a conduta correta e protocolar dos policiais — diferentemente do caso de Minneapolis. Ainda assim, sempre veremos uma tragédia, pois um homem perdeu a vida. Mas a pergunta, no entanto, é: foi homicídio doloso? Racismo? O que teria acontecido a qualquer um de nós, independentemente da cor de nossa pele ou da etnia, se tivéssemos arrancado das mãos de um policial sua arma de choque e atirado contra ele? E aqui sabemos que há uma grande chance de a resposta ser que “talvez estivéssemos mortos”.

Escrevemos, debatemos, trazemos números e fatos, mas a sensação é que nada disso importa mais em um mundo onde narrativas ganham mais força que a verdade. A sensação é que já estamos além disso, estamos diante de uma nova cultura revolucionária em que tudo pode imperar, menos a lógica.

Fica cada dia mais óbvio que o que está em curso tem muito pouco a ver com George Floyd ou Rayshard Brooks. Pautas legítimas que envolvem o debate sobre políticas públicas, negros, mulheres ou minorias foram sequestradas pela turba sedenta de sangue para que uma revolução entre em curso. E, depois que os novos jacobinos enforcarem o último pecador das dívidas históricas nas vestes do último policial, quem servirá à sociedade e aplicará a lei e a ordem? Quanto tempo contaremos até que policiais passem a responder pelo telefone “sinto muito, não vamos mandar ninguém até o local porque isso pode pôr a própria polícia em risco”?

Podemos discutir várias maneiras de sempre colaborarmos para a melhora da corporação policial, que, como qualquer outra, não é perfeita. É nosso dever apontar erros e cobrar justiça para os maus policiais. Mas demonizar quem põe a vida em risco todos os dias para nos proteger e servir — a grande maioria das corporações policiais é composta de gente qualificada e de bem — é ser cúmplice de atos terroristas e covardes. É colaborar com o fogo nas comunidades que mais precisam desses bravos homens e mulheres que vestem azul.

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22 Comentários

  1. L Ú C I D A

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    • Essa diminuição da intensidade da resposta policial, principalmente onde ela é mais necessária, decorrente de um instinto de autopreservação do agente, já é um fato aqui no Rio de Janeiro. Claro, os que mais sofrem com isso são os mais carentes da proteção institucional.

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    • Eu tenho um grande respeito pela BRIGADA MILITAR DO RS e pela POLÍCIA CIVIL. Eles estão sempre prontos para servir. Tenho certeza que essa turba ai no USA está sendo manipulada pelos vermelhos. Mandem eles para a China nos campos de ressocialização, ai vai ser bom

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    • Parabéns Ana Paula!o politicamente correto vai virar terra arrasada a lei do mais forte vai imperar. A revolução Cultural MARXISTA está acontecendo no mundo inteiro. São HIPÓCRITAS e FARSANTES

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  2. Correto Ana. A degenerescência adredemente arquitetada das Instituições – dentre elas, claro, a polícia e a família – é um dos mandamentos da “Carta de Lênin”, e que o comunismo usa como cunha para instalar o caos e derruir a democracia.

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  3. Ana seu texto é sempre ótimo,corajoso e esclarecedor.Muito obrigado sempre.

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  4. Ótimo choque de realidade querida Ana, o “achismo” virou o novo “diz o leitor”. É ridículo ficar criando narrativa com qualquer tipo de situação. Ainda tenho a sensação de que mais casos como o de Brooks irá acontecer – premeditações podem ser realizadas em breve para fomentar mais ainda as narrativas. É uma pena.

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  5. Ana Paula, como sempre, genial!
    Agora, vou te contar…ler que:
    “Os movimentos exigem o corte parcial ou total do orçamento para as corporações policiais em todo o país. Em um momento bizarro da humanidade,”
    Põe bizarro nisso…! Em algum momento da história, alguém com juízo perfeito, pediu para se reduzir as verbas para as forças policiais…? É justamente o contrário, todos em todo tempo sempre querem que se aumente, que se melhore, que estejam mais preparados…
    Pedir a diminuição de verbas é coisa que só pode vir de bandidos e de suas associações, estes sim, são os únicos na sociedade interessados em que a força da lei seja diminuída, e isto por razões óbvias!
    Ora, sendo assim, só nos resta concluir, que esses que levantaram essa hipótese, são criminosos, gangsters, ou estão sob as ordens destes…
    Ou seja, têm que ir diretamente para a jaula!

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  6. A marcha dos progressistas rumo ao fim da sociedade ! Excelente artigo, parabéns!

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  7. “ Escrevemos, debatemos, trazemos números e fatos, mas a sensação é que nada disso importa mais em um mundo onde narrativas ganham mais força que a verdade. A sensação é que já estamos além disso, estamos diante de uma nova cultura revolucionária em que tudo pode imperar, menos a lógica.” Disse tudo!!!!!!!!

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  8. Retrato Fiel da minha atividade policial. Para os outros o rigor das leis para o meus…

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  9. Sensacional como sempre!
    Pautada em dados e fatos!

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  10. Irretocável. Você é brilhante! 🌟

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    • Se continuar assim, o seculo 21 será o século da desconstrução da civilização ocidental.

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  11. Ana, texto impecável e esclarecedor. A verdade sobre os fatos não pode ser distorcida. Análise muito importante para quem está longe poder entender a dinâmica do que se passou.

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  12. Ana, acompanhava você nas quadras, mas acho que ainda estou mais feliz com essa sua nova missão. Acabo de assinar a revista Oeste, porque assim como muitos brasileiros, cansei de ser refém de uma mídia corrompida. Vi que tem muita gente boa por aqui, com quem tenho aprendido muito sobre o mundo. Boa sorte a revista e todos que fazem parte da equipe. O povo de bem agradece.
    Abraços.
    Ps: Extremamente injusto e cruel o que estão tentando fazer com os policiais americanos e em vários outros Países, como o nosso Próprio.

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  13. Hoje eu comecei a assinar a revista OESTE, principalmente por sua causa, sua análise sempre abrangente e precisa. Parabéns pelo excelente texto, com o meu pesar pelos bravos policiais estarem sendo acuados pela pauta hipócrita dos esquerdopatas que cultuam e incensam a morte, desde que não seja a deles.

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  14. Eu tenho um grande respeito pela BRIGADA MILITAR DO RS e pela POLÍCIA CIVIL. Eles estão sempre prontos para servir. Tenho certeza que essa turba ai no USA está sendo manipulada pelos vermelhos. Mandem eles para a China nos campos de ressocialização, ai vai ser bom

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  15. Esse pessoal que reclama injustamente da polícia é o primeiro a ligar 190, quando a situação “aperta”. Temos que melhorar, valorizar e corrigir a polícia, sempre que necessário.

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  16. Excelente, Ana. Ainda bem que temos pessoas como você para, num mar de desinformação, escancarar os fatos.

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  17. A canalha vagabunda que coloca gasolina no fogo, um dia precisará da policia. E não será atendida. No grupo dessa canalha, vergonhosamente, encontra-se 80% da imprensa brasileira, escrita e falada e televisada.
    Todos os “graúdos” formadores de opinião tem sua segurança particular.
    Merecem ser punidos tanto quanto os bandidos que acobertam !!
    Ana Paula…como sempre…excelente !!

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  18. Mais um artigo espetacular! Parabéns!

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