O crescente radicalismo democrata - Revista Oeste

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O crescente radicalismo democrata
Apesar da confusão do debate, Trump conseguiu expor que Biden é só um instrumento, um rosto moderado para ocultar uma agenda revolucionária
2 out 2020, 10:26

Ocorreu na noite da última quarta-feira, 29 de setembro, o primeiro dos três debates acordados entre Donald Trump e Joe Biden, sob a moderação de Chris Wallace, da FoxNews. Em uma palavra, foi uma confusão. O modelo é muito mais aberto do que estamos acostumados, e um interrompia o outro o tempo todo. Os temas saíam do foco, e o mediador não foi capaz de impedir a zona. Wallace, aliás, foi bastante criticado por ter tomado claro partido, e mais parecia um debatedor contra Trump do que moderador. Estava mais engajado do que o próprio Biden.

O grande “trunfo” de Biden, mesmo segundo os analistas da CNN, foi não ter desmoronado. Ou seja, nem a esquerda esperava muito dele, pois o candidato democrata está visivelmente abatido, com indícios até de perda cognitiva. Biden apanhou, mas resistiu, não foi à lona, em que pese a gaguejada eventual.

Já Trump é um típico predador, vai para o ataque, e não sabe exatamente como reagir quando não encontra muita resistência do outro lado. Ou seja, Trump, para extrair o melhor de seu estilo, precisa de um lutador no ringue, e não foi exatamente isso que encontrou. Não estava, portanto, em seu melhor dia, mas mesmo assim venceu o oponente — na verdade, os dois debatedores!

O que chama a atenção, logo de cara, é o salvo-conduto que a esquerda democrata tem para mentir. As agências de checagem de fatos se mostram ávidas para encontrar qualquer deslize de Trump, e o republicano sabe disso. Já Biden pode alegar, na cara dura, que não defendeu o Green New Deal, projeto extremamente radical de sua colega de partido, que ninguém parece disposto a checar e mostrar o endosso feito no passado. Ou pode afirmar com todas as letras que seu filho não recebeu dezenas de milhões em negócios estranhos na Ucrânia e na China, que essa mentira passará impune.

Trump mostrou que Biden não consegue condenar abertamente movimentos extremistas como a Antifa

Há uma clara assimetria, e Trump tem denunciado essa postura da imprensa desde o começo. A cobertura é sempre desfavorável para a direita e benevolente para com a esquerda. Basta ver a reação durante e depois do debate na mídia mainstream, americana e brasileira, para comprovar isso. Biden é a “esperança” contra o “caos”, e numa emissora importante a disputa era para ver quem xingava mais Trump: “monstro”, “genocida”, “supremacista branco” etc.

Outra marca registrada da esquerda é a demagogia. O debate descambou para o uso da máscara e lá ficou por algum tempo, como se Trump fosse um “sociopata” por não demonstrar o mesmo apreço ao utensílio. Biden, com voz de ator canastrão, disse que todos juntos podem vencer o racismo, ignorando que a retórica democrata tem sido divisória ao extremo. E lançou mão do sensacionalismo ao falar do vício do filho, fingindo que o problema não era ele ter recebido milhões em países obscuros, sem qualquer qualificação para tanto.

Mas Trump, mesmo em dia ruim, conseguiu algumas boas tiradas e foi capaz de atingir seu principal objetivo: expor o lado cada vez mais radical dos democratas. Quando ele cobrou de Biden uma resposta objetiva se o democrata pretendia aumentar a quantidade de juízes da Suprema Corte, o oponente se esquivou. Quando Trump pediu para Biden apontar um só grupo de força policial que havia apoiado sua candidatura, brincando que tinham tempo para isso, Biden respondeu que não havia tempo.

Trump mostrou que Biden sequer consegue repetir a expressão “força da lei”, tampouco condenar abertamente movimentos extremistas como a Antifa. Após a baderna promovida por esses radicais, o grande trunfo eleitoral de Trump passou a ser justamente a expressão “lei e ordem”, que ele vem repetindo quase todos os dias no Twitter. Biden prefere tratar com todo respeito o “Senhor Floyd”, que morreu em ação policial, mas que tinha antecedente criminal e droga no sangue.

Além do radicalismo, Trump explorou a mediocridade de seu adversário. Produziu uma ótima frase de efeito: “Fiz mais em 47 meses do que você em 47 anos”, lembrando que Biden é um político por toda a vida, e nada conquistou de meritório nesse período, à exceção de um projeto de lei da década de 1990 contra o crime, do qual ele hoje se envergonha e se arrepende. E Trump também alfinetou que Biden foi o pior aluno da classe, e que por isso não poderia falar de esperteza com ele.

Os democratas se parecem cada vez mais com a esquerda latino-americana

Eis o ponto principal que importa em meio a esse aparente caos: os democratas se radicalizaram bastante nas últimas décadas e muita gente ainda não se deu conta. A missão de Trump, ali, era exatamente expor esse radicalismo, mostrar que Biden é só um instrumento, um rosto moderado para ocultar uma agenda revolucionária. Os democratas, assim como a mídia, consideram a escolha de Trump para a Suprema Corte como “ultraconservadora”, sendo que Amy Coney Barrett é apenas uma juíza “originalista” e católica, que entende o papel da instituição muito melhor do que os ativistas que querem legislar sem voto. “Juízes devem aplicar a lei como está escrita; juízes não são formuladores de políticas e devem ser firmes e deixar de lado qualquer visão política que possam ter”, diz Barrett. Ela segue a linha do mestre Antonin Scalia, indicado por Ronald Reagan, segundo a qual não é bom juiz aquele que nunca decide contra sua vontade, seu desejo.

Para os democratas modernos, isso já é um absurdo. Por isso eles não descartam nada para tentar reverter a indicação de Trump, nem mesmo expandir a quantidade de juízes, o que só Roosevelt tentou quando seu New Deal foi tido como inconstitucional. Os democratas se mostram cada vez mais populistas, flertam com movimentos radicais e violentos, apelam para a pura demagogia, e fazem tudo isso demonizando o adversário, tratando conservadores como fascistas e uma ameaça à democracia, sendo que essa ameaça vem justamente do abuso de poder arbitrário fomentado pela esquerda.

Joe Biden disse que o resultado das urnas terá de ser respeitado por todos, enquanto Trump chamou a atenção para os riscos de fraude. Biden aproveitou para transmitir uma imagem de respeito às regras, mas Trump foi rápido no gatilho ao lembrar que isso era, uma vez mais, só retórica: os democratas nunca engoliram o resultado de 2016 e não fizeram uma transição tranquila. Ao contrário, tentaram vários golpes, aprovaram um impeachment sem fundamento, e até espionaram a campanha de Trump, alimentando uma investigação de suposto conluio com os russos que durou dois anos e não deu em nada, pois a fonte era um dossiê fabricado pelos próprios democratas. O caso todo pode culminar no Obamagate.

Em suma, os democratas se parecem cada vez mais com a esquerda latino-americana. Biden ainda é a velha guarda, tem mais de tucano do que de PSOL, mas sua base de apoio é bem mais radical. E Biden, como ficou claro, está um tanto abatido, cansado, velho, quiçá senil. Uma vitória sua seria a vitória de Bernie Sanders, de Alexandra Ocasio-Cortez, de Ilhan Omar, de uma turma extremista que os jornalistas ainda chamam de “liberal”, mas que no fundo é socialista mesmo. É isso que está em jogo nessa eleição: impedir o destino vermelho da América.

Leia também nesta edição o artigo de Ana Paula Henkel sobre o debate entre Trump e Biden

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