O Tribunal da Verdade Suprema - Revista Oeste

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O Tribunal da Verdade Suprema
Subversão da ordem é tudo aquilo que for considerado, na forma e no conteúdo, como ato subversivo à ordem por qualquer um dos supremos editores da nação
31 jul 2020, 08:58

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, afirmou que o STF é o editor do Brasil. A declaração provocou uma imediata e redentora sensação de alívio em toda a nação. O povo andava preocupado com essa lacuna. “Quem é o nosso editor, afinal de contas?”, perguntava-se todo brasileiro, diariamente, ao acordar para mais um dia de trabalho.

Agora essa angústia acabou. Graças a Dias Toffoli, essa sensação de orfandade, esse complexo de abandono que Sigmund Freud definiu em sua obra fundadora da psicanálise como “carência editorial”, está superada. Você não precisa mais ter medo de falar o que não deve ou de incomodar os outros com o que você disser. Se sair da linha, o STF corta. Graças a Dias.

Agora você pode agir com confiança, finalmente liberto daquilo que Freud chamava de “insegurança jurídica”. O STF é uma instituição que funciona — e jamais prometeria editar a nação da boca para fora.

Os editores cortam — e se preciso prendem — para salvar os brasileiros de si mesmos

Por exemplo: outro dia, o editor Alexandre de Moraes captou, no vasto universo do Twitter e do Facebook, algumas publicações que contrariavam a linha editorial da cabeça dele — por sinal brilhante — e mandou cortar. Precisa ser um editor meticuloso para detectar erros cometidos por 16 pessoas num universo de milhões de editados. Mas ele está lá para isso. E numa demonstração de extremo zelo, para evitar que erros como aqueles se repetissem, em vez de mandar as plataformas suprimirem os textos, determinou que suprimissem logo as pessoas. Precaução é tudo no ofício de um editor.

Claro que a edição do Brasil feita pelo STF segue critérios rigorosos. No caso, o manual de redação do Supremo Tribunal da Verdade foi seguido à risca, com a observância estrita do item que trata das ameaças de subversão da ordem. Está lá, redigido em português claro para quem quiser confirmar: “Subversão da ordem é tudo aquilo que for manifestado, na forma e no conteúdo, em conformidade com algo que pareça ao Alexandre de Moraes, ao Dias Toffoli ou a qualquer dos supremos editores da nação um ato subversivo à ordem”.

Alguma dúvida? Não, né? Subversão é subversão, e ordem é ordem.

Assim ninguém mais no Brasil corre o risco de num descuido, num lapso, num rompante se transformar sem querer em ameaça subversiva. Fiquem tranquilos: os editores do STF estão de olho e com a tesoura afiada. Eles cortam — e se preciso prendem — para salvar os brasileiros de si mesmos. Basta de subversão. O preço da liberdade é a eterna mordaça. Mordaça no bom sentido.

Silêncio é bom porque nem precisa editar. Já vem pronto para publicação

A beleza da democracia é ver os históricos defensores da liberdade de expressão homenageando os supremos editores da nação com seu silêncio exuberante. Silêncio é bom porque nem precisa editar. Já vem pronto para publicação. E nunca dá problema com a chefia. Mirem-se no exemplo da moderna resistência democrática: você jamais — repetindo: jamais — vai ter problema de banimento ou exclusão se ficar de boca fechada.

Para que arriscar? Mantenha sua cabeça em lockdown e ninguém vai te incomodar.

Vários intelectuais corajosos se posicionaram em apoio aos supremos editores da nação. Eles acharam os critérios excelentes e argumentaram que essa edição rigorosa vai limpar o debate nacional. A ideia de limpeza por meio da anulação segue um preceito altamente libertário que só não dominou o mundo após a 2ª Guerra Mundial porque Adolfo ficou pelo caminho. O erro de Adolfo foi ser óbvio. Com dissimulação se chega mais longe.

A censura do bem dispensa a volúpia do censor. A alma do negócio é o vassalo.

Leia mais sobre o STF na entrevista com o jurista Modesto Carvalhosa, capa desta edição, e nos artigos de Augusto Nunes e J. R. Guzzo

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46 Comentários

  1. Os nossos Bobos da Corte devem, e devem muito, para investirem tanta energia em costurar a legalidade da censura. Uma vez assinada a Lei da Fake News, em paralelo ao enfraquecimento da Lava Jato, e o conluio com o Congresso – que
    entra mandato, sai mandato, tem sempre dúzias de devedores -, estamos a um passo de nos tornarmos a nova Venezuela.

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    • Que continue em silêncio esta nação editada, até que alguém, com uma cruz estranha se disponha a proteger a si mesma, dos temíveis subversores da ordem.

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      • Texto fantástico, hironia fina, quase dá uma esperança de que os envolvidos possam ler, e ao se verem refletidos, fiquem roxos de vergonha.

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    • Provavelmente todos aqueles que foram censurados durante os “Anos de Chumbo” devem estar concordando com essa edição cheia de cortes, já que compartilham um silêncio ensurdecedor. Em outros tempos tal “edição” seguramente renderia músicas apaixonadas de Caetanos, Chicos e Vandrés ou receitas de bolos publicadas nas primeiras páginas d’Os Estados e Folhas, baluartes da democracia. Mas, como o “editor” torce para o mesmo time e deve ter uma sensibilidade acima dos adversários de outrora, dormiremos com esse barulho até que, cansados do pesadelo, acordemos para a realidade.
      Tomara que não percamos a hora.

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  2. Obrigado pelo texto, Fiuza. Tenho te seguido diariamente no Pingo nos Is.
    Me preocupa mesmo é onde isso vai dar. Os 11 sinistros estão apertando o parafuso um pouco de cada vez, ninguem faz nada, aperta mais uma volta. Tempos sinistros.

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    • Exato. Tenho andado tão preocupada com essa falta de reação das forças armadas, do sistema, do povo, enfim??? De onde virá o socorro?????

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  3. Fiuza, genial como sempre….

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  4. Este texto do grande mestre Fiuza deveria ser recomendado a leitura para todos no Brasil

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    • Isto se o nosso auto proclamado “editor da nação” concordar, né? “Dias” melhores virão!

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  5. Depois que tudo isso passar, se ainda estivermos aqui, Fuiza PRECISA escrever uma peça de teatro, uma tragicomédia sarcástica, corrosiva, demolidora, dessas de fazer o público rolar no chão de tanto rir e ter vontade de dar um tiro na testa ao mesmo tempo.

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  6. *Fiuza

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    • Fiuza, não sou de elogiar pessoas mas ideias. Vou abrir exceção nesta semana… esse é um texto absolutamente brilhante – repito, “BRILHANTE”!!!

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  7. Show! Parabéns! Aqui encontrei jornalistas com J maiúsculo!

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  8. Excelente Fiuza! O Silêncio, não só dos ditos ‘intelectuais’, mas de uma População, é que cria estes elementos bem aventurados, tanto no Legislativo quanto no Judiciário e por último no Executivo!

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  9. Não sou famoso, mas na década de 70 escrevi um livro de poesia de protesto: SANTA PACIÊNCIA! Hoje faria sucesso.
    Vc produziu mais um texto muito bom. Estou pensando o que a revista estará escrevendo em dezembro? O que irá acontecer? A gente pensava que no final do ano com a saída do Celso, o escore de 6 a 5 “pra eles” virasse em 6 a 5 “pra nós”. Parece que será 7 a 4 pra eles…. Se foi colocado o Aras na PGR, imagine o que vem por aí no STF…

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  10. Leão que imita leão vira macaco. É o que fazem esses monstrengos encapados do STF, macaqueando (Barrroso e companhia) o ativista americano Dworkin que eles seguem, tripudiando sistematicamente da Constituição (que não é um documento vivo, deturpável ao sabor de cada um, e sim um documento legal e primeiramente literal – vide Antonin Scalia), e da sociedade, que não têm mostrado a força necessária para tirar essa gente de lá, embora meios institucionais, haja. Mas a batata deles e do Congresso está assando, e os brasileiros não podem esquecer tudo o que está acontecendo.

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  11. Simplesmente Fiuza! Como eu consegui viver tanto tempo e não conhecê-lo?? Ainda existem Jornalistas de peso neste País!!!

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  12. Imaginei um dia que O Antagonista seria como a Revista Oeste….ledo engano !!

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    • Realmente, a mídia tradicional tem se mostrado medíocre e subserviente!

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  13. Não são só esses ministros do Supremo, não, Fiuza. Há muita podridão de caráter aqui na Banânia. Dou alguns exemplos, começando pelo Jair Bolsonaro, presidente da República e seguindo com Rodrigo Maia e Alcolumbre, todos do Centrão, Augusto Aras, Otávio Noronha, e uma lista interminável de outros nomes. Seria ótimo para este país se a Covid19 passasse a escolher melhor as suas vítimas fatais.

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    • Só sobra vc, amigo? Foque em valores e nao em pessoas e tome o seu lado.

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      • Foco em valores e também nas pessoas. Esses que apontei no meu comentário são tão deletérios como os ministros do STF que são justamente criticados pelo Fiúza. Faz tempo que já tomei meu lado, Francisco José Marquezini. Estou com os homens de bem, com as pessoas honestas.

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  14. Brilhante o texto, mas igualmente preocupante. Onde isso vai parar? A extrema mídia em extase porque se censura e persegue o inimigo, não percebe que pode virar vítima um dia……e aí, vão apelar a quem?

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  15. Parabéns, Fiúza.

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  16. A grande ameaça à democracia, hoje, vem do STF. Você tem toda a razão, Fiúza.

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  17. Perfeito! Sua ironia faz bem à alma nesse momento tão crítico.

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  18. Os textos do Fiuza são excelentes. É um prazer ler os jornalistas da Oeste.

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  19. Brilhante como sempre, sarcástico como nunca. Texto criativo sobre realidade preocupante, muito preocupante! Agradeço sua genialidade.

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  20. Excelente artigo.Parabéns !
    Ensurdecedor o silêncio da grande imprensa sobre os ataques desferidos contra a liberdade de expressão. E o sindicatos de jornalistas, hein ?

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  21. O STF é lamentável! E o senado, responsável por fiscalizar e levar os pedidos de impeachment dos togados nada faz. A grande maioria tem rabo preso. E assim continuamos só produzindo bons textos e lamúrias e as coisas continuam e continuarão como estão. Eles nos fazem de bobos da corte e era isso…
    O brasileiro aceita fácil, falta atitude de fato!

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  22. Uma hora esse filme descamba pro final. E então eles verão que não há alternativa a não ser a lei maior seguindo seu curso.
    Continuem Fiuza, Augusto, Guzzo, Ana, continuem a bater.

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    • Texto muito criativo. Impecável. Ri muito, do começo ao fim do esculacho. Depois, pensando melhor, deu vontade de chorar. Que homens públicos são esses, meu Deus? Quem salvará esse pobre País da mediocridade e da infâmia? Parabéns, Fiuza, você é um mestre. A revista Oeste é verdadeiramente uma ilha de bons jornalistas. Já a Crusoé…

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  23. Fiuza,
    se não fosse vocês da revista Oeste…………………….

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  24. Cirúrgico, parabéns pelo texto.

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  25. Texto irretocável! 🌟

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  26. Meus cumprimentos. Ridicularizá-los… são realmente uns patetas agressivos.

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  27. Grande Fiúza, acabei de reler o livro de George Orwell – 1984 e o departamento da propaganda do Big Brother obrigou a um escritor tirar do texto e não mais escrever as palavras : amor e Deus. Depois obrigaram ao cidadão Winston Smith a confirmar que 2+2=5. Todos eram vigiados e vistos pelo BigBrother e ninguém poderia contrariá-lo. Será que o ministro Alexandre de Moraes quer incarnar o BigBrother do livro 1984 e, juntamente, com o Dias Toffoli transformar o Brasil numa fazenda sob as ordens dos porcos do livro Animal Farm? Acho que precisam de um analista.

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  28. Não se sabe se Alexandre de Moraes e Dias Toffoli são personagens do livro 1984 ou Animal Farm de George Orwell. Precisamos de um psiquiatra para enquadrá-los.

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    • Como para a maioria da população é impossível pensar como eles pensam, o que nos resta é o silêncio compulsório.

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  29. Pois é, mas algo me diz que isso não vai acabar bem…

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  30. Onde estiver, e tenho certeza está muito bem, o notável jurista Sobral Pinto esta muito orgulhoso do neto!

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  31. Muito bom !

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  32. Parabéns, Fiuza. Seu texto tem uma fluência admirável, alternando ironia e descortínio arrasador. O que mais me tem chocado é a incansável labuta dos onze supremos para não deixar nenhuma dúvida de sua insanidade mental ap distinto público.

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  33. Grande Fiuza, sempre preciso e fantástico nas suas colocações.

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  34. Parabéns, Fiuza, que bom que você – e vocês, da Revista Oeste – existem. Estava uma seca danada….. me preocupa demais – como os leitores acima – onde isso vai parar? Desesperador o extertor da clareza no Brasil.

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  35. Excelente mais uma vez, Fiuza! Você sabe expressar aquilo que já anda meio “engastado” na nossa garganta.

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