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Liberdade de expressão

A mensagem que a Alemanha, a França e outros estão passando ao Twitter, Facebook o Instagram é bem clara: “Não tentem fazer a mesma coisa por aqui. Não vamos deixar.”
Foto: Gage Skidmore/Flickr
Foto: Gage Skidmore/Flickr | Foto: Gage Skidmore/Flickr

Por J.R. Guzzo

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 13 de janeiro de 2021

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Foto: Gage Skidmore/Flickr

Todo mundo tem direito hoje em dia a seus quinze minutos de fama como herói da esquerda internacional, mas em geral é mais ou menos só isso que se consegue. O mais recente desses heróis foi o Twitter, que proibiu o presidente Donald Trump de mandar mensagens pela sua plataforma – acompanhado por seus companheiros Facebook e Instagram – depois da violenta invasão do Congresso norte-americano por grupos de militantes trumpistas. Criou-se, rapidamente, um clima de esperança no chamado “campo progressista”: as empresas-gigante que controlam a comunicação através das redes sociais estariam assumindo a liderança da luta mundial contra a “direita”, e ninguém tem força para resistir a elas. Mas não rolou.

Logo em seguida a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, denunciou a decisão das redes americanas como uma “séria violação do direito fundamental à liberdade de expressão”. Em vez de cortar a palavra de Trump, o certo é ter leis que combatam o incitamento à violência, como na Alemanha. Não se pode admitir, disse o porta-voz de Merkel, que “o Twitter e o Facebook façam as regras”. Não há como achar que a chanceler da Alemanha seja uma extremista de direita pró-Trump – ela é justamente o contrário disso. E agora?

Leia também: “As escolhas sobre o que Twitter, Facebook e Instagram aceitam são políticas”

A mesma reação aconteceu na França, onde o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, declarou-se “chocado” pela censura à Trump – e disse que “a regulação da arena digital não pode ser feita pela própria oligarquia digital”. Isso, segundo o ministro do governo de Emmanuel Macron, tem de ser decidido “pela soberania do povo, através de suas instituições e de sua justiça”. Também não se pode dizer que haja alguma coisa direitista no governo da França. Outras vozes protestaram – inclusive o principal dissidente da Rússia, Alexander Navalny, para quem houve “um ato de “censura inaceitável, que vai ser aproveitado pelos inimigos da liberdade através do mundo.”

Essas reações, na verdade, refletem a divergência fundamental entre as visões que Europa e Estados Unidos têm sobre a questão. Na Europa, a tendência é que as redes sejam reguladas por lei. Nos Estados Unidos, a ideia é deixar isso a cargo das próprias redes. Para o governo da Alemanha, é perigoso entregar ao Twitter ou Facebook todas as decisões “Um direito de importância vital”, disse o porta-voz do governo alemão, “só deveria ser restrito pela justiça – e não pela gerência das redes”.

A mensagem que a Alemanha, a França e outros estão passando ao Twitter, Facebook o Instagram é bem clara: “Não tentem fazer a mesma coisa por aqui. Não vamos deixar.” É pouco provável que o chamado “Big Tech” compre essa briga.

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12 comentários

  1. O certo é estabelecer, por lei, um regulamento para o funcionamento das redes sociais, que não passam de plataformas de comunicação. Se querem funcionar como tais, não devem restringir as opiniões, comentários e postagens. Que os responsáveis por boatos, calúnias, difamações e qualquer outro crime respondam na instância competente. As redes sociais não têm o direito de julgar quem está certo ou errado, se é mentira ou verdade. Isso é da competência da justiça.

  2. Na verdade os CEO’s das redes são ditadores piores que os ditadores que fecham o acesso total; com relação à liberdade de expressão são ditadores da esquerda progressista que usa seu poder para censurar a direita conservadora apenas. Depois vem contornar falando que exagerou mas precisava; os eua não são mais um farol da democracia pois o congresso americano silenciou permitiu e ficou até feliz.

  3. Demagogia dos “líderes europeus”.
    Vá você fazer críticas ou protestar nas redes sociais contra as políticas de imigração desses países, ou pior, denunciar o aumento assustador de gangues de muçulmanos estupradores de mulheres ocidentais.
    Você será banido das redes, processado e condenado por incitação ao ódio racial.

    1. E quem te disse Guzzo que no Capitolio só haviam invasores trumpistas? Está sendo investigado e vamos pelo menos aguardar os resultados. Ou o afã de se escrever colunas é e de se estabelecer “verdades” são mais importantes? Será que o Guzzo não está sendo um pouco demais “Antagonistas”? Ou a linha dos pingos nos Is e da revista Oeste é divergente?

      1. Já passou da hora desse velhinho se aposentar, já está caducando, o coitado. Pessoas a partir de certa idade começam a falar um monte de besteiras e até “antagonizam”.

  4. Parabéns por este comentário, pontualmente, correto, acompanhando as lúcidas interpretações vidas da França e Alemanha. Liberdade de expressão não é um direito, É UMA CONQUISTA!!!

    1. Mas o próprio um dia após o outro e a matéria da revista oeste do dia seguinte mostra que o movimento Black Lives Matter participou ou até mesmo planejou a invasão ao Capitolio. E agora Guzzo, foram os trumpistas?

  5. As Big Tecs deram um tiro no pé. O troco virá com regulamentações diferentes mundo afora e de maior concorrência. Eu mesmo me diversifiquei bastante.

  6. Dorsey nada mais é que um lunático. Quando Trump assumiu em 2016 o Twitter ear um nada, Se transformou num gigante graças ao Trump. Esse hippster não dá um passo sem ter fumado um baseado antes.

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