{"id":102083,"date":"2026-04-01T19:05:00","date_gmt":"2026-04-01T22:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=102083"},"modified":"2026-03-31T23:47:55","modified_gmt":"2026-04-01T02:47:55","slug":"eles-perfuraram-523-metros-de-gelo-na-antartida-com-agua-quente-para-alcancar-uma-rocha-de-23-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/01\/eles-perfuraram-523-metros-de-gelo-na-antartida-com-agua-quente-para-alcancar-uma-rocha-de-23-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Eles perfuraram 523 metros de gelo na Ant\u00e1rtida com \u00e1gua quente para alcan\u00e7ar uma rocha de 23 milh\u00f5es de anos."},"content":{"rendered":"\n<p>Uma grande perfura\u00e7\u00e3o na camada de gelo da <strong>Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong> trouxe novas pistas sobre a hist\u00f3ria do clima da Terra e sobre o futuro do n\u00edvel dos mares. A partir de um furo profundo aberto com \u00e1gua quente em <strong>Crary Ice Rise<\/strong>, pesquisadores conseguiram retirar um longo n\u00facleo de rochas e sedimentos, capaz de registrar mudan\u00e7as ambientais ao longo de milh\u00f5es de anos. Esse tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado estrat\u00e9gico para entender como o continente gelado responde a per\u00edodos de <strong>aquecimento global<\/strong> e para melhorar proje\u00e7\u00f5es sobre Ant\u00e1rtida Ocidental e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que revela o n\u00facleo de rocha da Ant\u00e1rtida Ocidental?<\/h2>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo retirado sob a camada de gelo da <strong>Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong> funciona como uma esp\u00e9cie de arquivo natural do clima. Cada camada de sedimento preserva pistas sobre a temperatura, a presen\u00e7a de gelo, a influ\u00eancia do oceano e as condi\u00e7\u00f5es ambientais em diferentes \u00e9pocas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um \u00fanico cilindro de material geol\u00f3gico, \u00e9 poss\u00edvel acompanhar a altern\u00e2ncia entre per\u00edodos mais frios, com gelo espesso, e fases mais quentes, com maior presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida e vida marinha. Essas informa\u00e7\u00f5es refinam o entendimento sobre como a Ant\u00e1rtida Ocidental e o <strong>n\u00edvel do mar<\/strong> j\u00e1 variaram no passado e podem variar no futuro pr\u00f3ximo, especialmente em cen\u00e1rios de emiss\u00f5es altas descritos pelo <strong>IPCC<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-23-1024x576.png\" alt=\"Ant\u00e1rtida Ocidental\" class=\"wp-image-102227\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-23-1024x576.png 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-23-300x169.png 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-23-768x432.png 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-23-750x422.png 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-23-1140x641.png 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-23.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O n\u00facleo retirado sob a camada de gelo da Ant\u00e1rtida Ocidental funciona como uma esp\u00e9cie de arquivo natural do clima. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ant\u00e1rtida j\u00e1 esteve sem gelo em grandes \u00e1reas?<\/h2>\n\n\n\n<p>As an\u00e1lises iniciais indicam que o material recuperado cobre cerca de <strong>23 milh\u00f5es<\/strong> de anos de hist\u00f3ria. Em alguns trechos, h\u00e1 cascalho grosso e fragmentos de rochas grandes, associados \u00e0 passagem de geleiras intensas, enquanto em outros aparecem lamas finas, restos marinhos e sinais de organismos que dependem de luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o sugere que a calota de gelo da <strong>Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong> j\u00e1 recuou de forma significativa, permitindo a entrada do oceano em \u00e1reas hoje completamente congeladas. A presen\u00e7a de sedimentos marinhos e de restos de organismos ligados a ambientes iluminados indica que, em determinados intervalos, o local foi ocupado por \u00e1guas abertas com temperaturas globais mais altas que as atuais, semelhantes \u00e0s de per\u00edodos quentes como o <strong>Plioceno<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/03\/11\/tubarao-gigante-e-flagrado-na-antartida-e-desafia-tudo-o-que-a-ciencia-sabia-sobre-os-oceanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tubar\u00e3o gigante \u00e9 flagrado na Ant\u00e1rtida e desafia tudo o que a ci\u00eancia sabia sobre os oceanos<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a Ant\u00e1rtida Ocidental \u00e9 crucial para o futuro do n\u00edvel do mar?<\/h2>\n\n\n\n<p>A calota da <strong>Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong> \u00e9 alvo de aten\u00e7\u00e3o porque cont\u00e9m gelo suficiente para elevar o n\u00edvel m\u00e9dio dos oceanos em cerca de 4 a 5 metros, caso derreta por completo. Embora esse cen\u00e1rio extremo n\u00e3o seja imediato, parte do gelo j\u00e1 mostra sinais de afinamento e instabilidade em resposta ao aquecimento dos oceanos, especialmente nas geleiras <strong>Thwaites<\/strong> e Pine Island.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao combinar o novo registro geol\u00f3gico com modelos num\u00e9ricos, pesquisadores buscam estimar em que ritmo essa eleva\u00e7\u00e3o do mar pode ocorrer em um cen\u00e1rio de aquecimento cont\u00ednuo. Esses dados ajudam pa\u00edses a planejar pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o em cidades vulner\u00e1veis a inunda\u00e7\u00f5es, e alguns impactos pr\u00e1ticos podem ser observados em diferentes setores:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Avalia\u00e7\u00e3o de riscos de inunda\u00e7\u00e3o em cidades costeiras e estu\u00e1rios, apoiando planos alinhados ao <strong>Acordo de Paris<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>Defini\u00e7\u00e3o de zonas adequadas para expans\u00e3o urbana sustent\u00e1vel<\/li>\n\n\n\n<li>Planejamento de portos e rotas mar\u00edtimas em cen\u00e1rios de mar mais alto<\/li>\n\n\n\n<li>Revis\u00e3o de seguros e normas para constru\u00e7\u00f5es em \u00e1reas litor\u00e2neas<\/li>\n\n\n\n<li>Prote\u00e7\u00e3o de comunidades vulner\u00e1veis em regi\u00f5es de baixa altitude<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-24-1024x576.png\" alt=\"Ant\u00e1rtida Ocidental\" class=\"wp-image-102231\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-24-1024x576.png 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-24-300x169.png 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-24-768x432.png 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-24-750x422.png 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-24-1140x641.png 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-nome-1280-x-720-px-24.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A calota da Ant\u00e1rtida Ocidental \u00e9 alvo de aten\u00e7\u00e3o porque cont\u00e9m gelo suficiente para elevar o n\u00edvel m\u00e9dio dos oceanos em cerca de 4 a 5 metros, caso derreta por completo.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o registro clim\u00e1tico da Ant\u00e1rtida \u00e9 analisado pelos cientistas?<\/h2>\n\n\n\n<p>Depois de extra\u00eddo, o n\u00facleo de <strong>228 metros<\/strong> \u00e9 dividido em se\u00e7\u00f5es menores e catalogado com rigor. Em laborat\u00f3rios de diferentes pa\u00edses, equipes examinam cor, textura, composi\u00e7\u00e3o mineral e conte\u00fado biol\u00f3gico de cada camada para reconstruir o ambiente antigo.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise inclui t\u00e9cnicas de data\u00e7\u00e3o e estudos de is\u00f3topos para estimar idade das camadas, concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono e mudan\u00e7as na circula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica. A partir disso, os resultados sobre Ant\u00e1rtida Ocidental e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o integrados a relat\u00f3rios internacionais que orientam metas de emiss\u00f5es e estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o, como os produzidos pelo <strong>Painel Intergovernamental<\/strong> sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), com aplica\u00e7\u00f5es como as que seguem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Planejamento de longo prazo para energia, transporte e habita\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o costeira, articuladas com a <strong>ONU<\/strong> e iniciativas globais<\/li>\n\n\n\n<li>Suporte a decis\u00f5es econ\u00f4micas em setores expostos ao aumento do n\u00edvel do mar<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea quer saber mais, separamos o v\u00eddeo do TikTok &#8220;canalciencianews&#8221; falando sobre essa curiosidade:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-tiktok wp-block-embed-tiktok\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"tiktok-embed\" cite=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@canalciencianews\/video\/7610553641639873799\" data-video-id=\"7610553641639873799\" data-embed-from=\"oembed\" style=\"max-width:605px; min-width:325px;\"> <section> <a target=\"_blank\" title=\"@canalciencianews\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@canalciencianews?refer=embed\">@canalciencianews<\/a> <p>PERFURARAM 500m DE GELO\u2026 E REVELARAM UM MIST\u00c9RIO <a title=\"ant\u00e1rtida\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/ant%C3%A1rtida?refer=embed\">#Ant\u00e1rtida<\/a> <a title=\"mist\u00e9rio\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/mist%C3%A9rio?refer=embed\">#Mist\u00e9rio<\/a> <a title=\"descoberta\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/descoberta?refer=embed\">#Descoberta<\/a> <a title=\"natureza\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/natureza?refer=embed\">#Natureza<\/a> <a title=\"planetaterra\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/planetaterra?refer=embed\">#PlanetaTerra<\/a> Cientistas perfuraram mais de 523 metros de gelo na Eleva\u00e7\u00e3o de Gelo de Crary, na Ant\u00e1rtida Ocidental, e extra\u00edram um n\u00facleo de sedimento de 228 metros \u2014 o mais profundo j\u00e1 obtido sob uma camada de gelo. O projeto internacional SWAIS2C encontrou f\u00f3sseis marinhos preservados no sedimento, revelando que a regi\u00e3o j\u00e1 foi um oceano aberto durante per\u00edodos mais quentes da hist\u00f3ria da Terra. Os registros podem abranger at\u00e9 23 milh\u00f5es de anos, incluindo \u00e9pocas em que a temperatura global estava mais de 2 \u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Essas evid\u00eancias s\u00e3o fundamentais para prever como a Calota de Gelo da Ant\u00e1rtica Ocidental pode reagir ao aquecimento global atual.<\/p> <a target=\"_blank\" title=\"\u266c som original - Canal Ci\u00eancia News\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/music\/som-original-7610553705071446805?refer=embed\">\u266c som original &#8211; Canal Ci\u00eancia News<\/a> <\/section> <\/blockquote> <script async src=\"https:\/\/www.tiktok.com\/embed.js\"><\/script>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que li\u00e7\u00f5es a Ant\u00e1rtida Ocidental oferece sobre o futuro do clima?<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao revelar que a <strong>Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong> j\u00e1 enfrentou fases de recuo intenso da camada de gelo, esse tipo de pesquisa mostra como o planeta reage a per\u00edodos de forte aquecimento. Esses registros indicam que o sistema de gelo pode entrar em um regime semelhante ao de fases hist\u00f3ricas de retra\u00e7\u00e3o, com poss\u00edvel acelera\u00e7\u00e3o do derretimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas evid\u00eancias ampliam a capacidade de antecipar tend\u00eancias de longo prazo e de preparar regi\u00f5es costeiras para um futuro em que o oceano possa ocupar espa\u00e7os hoje em terra firme. Assim, estudar a Ant\u00e1rtida Ocidental e o n\u00edvel do mar deixa de ser assunto restrito a expedicion\u00e1rios e climatologistas e passa a integrar o planejamento urbano e econ\u00f4mico de v\u00e1rios pa\u00edses, influenciando decis\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os como o <strong>IPCC<\/strong> e de acordos clim\u00e1ticos internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma grande perfura\u00e7\u00e3o na camada de gelo da Ant\u00e1rtida Ocidental trouxe novas pistas sobre a hist\u00f3ria do clima da Terra e sobre o futuro do n\u00edvel dos mares. 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